Teoria Musical (Parte 2): O que é música?

Quando coloca o chapéu de “professor de teoria musical”, quase todo mundo vira idiota.

Automaticamente a pessoa fica cheia de dedos.

Começa a agir como se não soubesse o que sabe perfeitamente bem.

Porque a esmagadora maioria das pessoas reconheceria um som musical de um som não-musical.

Por exemplo:

Diferenciar uma canção de um despertador.

Os dois são sons organizados.

Apenas um é música.

Mas hoje em dia os professores tem medo de ser chamados de fascistas, então não querem dizer com todas as letras que música é “a organização artística do som”. Evitam dizer isso porque essa definição excluiria um monte de amiguinhos deles do universo da música. Entendo perfeitamente isso. Se você define a música assim, é obrigado a dizer que existe diferença de qualidade entre músicas.

Pois é, existe mesmo.

Eu teria que dizer o que é “arte”, pra que a explicação fique completa.

Mas isso extrapola o escopo desta série.

Só digo que “arte” não é feita pra “chocar”, nem “provocar”, nem “inovar”…

E nenhuma dessas baboseiras.

Muito bem.

Então vamos nos apegar na palavra “organização”.

(Senão fica tudo muito filosófico e perdemos a relação prática)

“Organizar” quer dizer pôr em ordem.

É o mesmo sentido que minha mãe usava para o “– Felipe, vai organizar seu quarto!”

Então eu utiliza o aspirador, um pano úmido, as minhas próprias mãos etc, e organizava o quarto.

Essas coisas são as “ferramentas” da organização.

A música é organizada por 4 ferramentas:

1) Duração

2) Intensidade

3) Altura

4) Timbre

Talvez não seja exato dizer que essas ferramentas “organizam” a música…

Talvez fosse melhor dizer que essas são as “propriedades do som”, como bem dizia Osvaldo Lacerda.

Mas acho que um compositor utiliza essas “propriedades” como ferramentas mesmo.

Somente um cientista pensaria em uma “propriedade isolada do som”.

Então, quando um artista utiliza essas ferramentas e compõe uma música, vemos o resultado prático da aplicação dessas ferramentas. Assim como um pintor utiliza tintas, telas, pincéis, misturas, etc, e vemos o resultado com nossos olhos, o músico demonstra pra nossos ouvidos o resultado do seu trabalho.

Vamos definir o óbvio:

“Duração” é o tempo de execução do som (ou do silêncio).

“Intensidade” é a força ou leveza da execução (é o “volume” do seu rádio).

“Altura” é a altitude: baixo (grave) ou alto (agudo).

(A “pauta musical” com suas linhas e espaços representa diretamente essa altura)

“Timbre” é a qualidade da voz.

(Quando você reconhece a voz do seu vizinho ou do seu patrão, você está reconhecendo o “timbre” da voz deles)

Alguém poderia argumentar que o timbre não é uma ferramenta utilizada sempre por um compositor, já que uma mesma música pode ser executada por vários tipos de instrumentos diferentes, como um violão ou um piano, ou seja, instrumentos com timbres diferentes.

Mas, acredite, nenhum compositor compõe pra um timbre genérico.

Já sei que muitos apressadinhos estão pensando em “ritmo”, “melodia” e “harmonia”, mas ainda não estou falando diretamente dessas coisas.

O que conversamos aqui é que existe um conceito pra música.

E que existem algumas ferramentas para dar vida a esse conceito.

Na parte 3 daremos prosseguimento ao assunto.

Não aqui.

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