Quem decide se sua música é boa?

Para pianistas amadores (pra quem não sabe: sempre uso ‘amador’ no bom sentido, são aqueles que não dependem profissionalmente do piano)… para pianistas amadores não existe a pressão de um crítico de jornal ou de uma banca de concurso, do produtor musical ou até do público cheio de expectativa na sua frente.

Bem, alguns de vocês têm professor.

E normalmente esse professor é juiz do que você faz no instrumento.

Na verdade, esse é um dos melhores benefícios de um professor:

Ter uma opinião do seu resultado…

Que leve em consideração o seu nível…

E até onde você pode chegar.

Ok…

Mesmo assim, mesmo que você tenha um professor, vai estar perdendo uma oportunidade valiosa, caso não esteja formando um outro juiz…

O juiz que verdadeiramente importa:

Seu ouvido.

Agora, vou dar um exemplo fictício do ponto que quero demonstrar.

(‘fictício’, mas acontece demais)

O sujeito toca piano há muito tempo, tipo uns 20 anos…

E chega me pedindo aulas particulares, pois ‘precisa de dicas pra resolver algumas dificuldades’.

Já sou macaco velho e sei que ‘dicas’ tem pouco a ver com isso.

Aliás, nem pego mais alunos particulares assim.

Mas vamos continuar com o exemplo:

A primeira coisa é fazer o sujeito tocar alguma coisa pra ter uma visão geral do que ele faz no piano.

O que ouvimos?

Uma música inteira tocada com o pedal abaixado.

Ok.

Que tal uma outra música, menos romântica?

Lá vai ele, tocando tudo com o pedal abaixado outra vez.

Sim…

Vamos direto pra conclusão:

O sujeito passou 20 anos como pianista amador, o que é maravilhoso, mas o ‘amador’ dele significa que tudo quanto foi jeito pra algum ‘atalho’ que ele encontrou, ele abusou.

O uso do pedal foi um deles.

Porque o pedal mascara várias dificuldades.

Mascara pra quem não sabe ouvir.

Então depois de 20 anos o sujeito acha que vou dar pra ele uma dica super quente e mágica pra ele tocar mais rápido, e ele pensa que isso não vai ter nada a ver com o fato dos dedos dele serem um tanto fracos e sem condicionamento, porque, afinal de contas, ele mesmo nunca fez nada pra seus dedos ganharem esse condicionamento, já que o pedal resolveu e mascarou seu som.

Aí temos o ponto:

Sim, seu ouvido é o juiz.

E quem disse que seu juiz não precisa ser formado?

Ser educado…

Ter parâmetros claros pra decidir por um resultado ou outro qualquer?

Até sei o que alguns de vocês estão pensando:

“– O Felipe é um exagerado… seu eu tocasse há 20 anos aposto que seria maravilhoso…”

Sim, eu sei que é maravilhoso.

Desde que você não venha pra mim reclamar de dificuldades.

‘Músico amador’ pra você significa estar mergulhado na mentalidade de ‘atalhos’?

Ótimo!

Mergulhe fundo…

Mas não pense que vai me levar junto.

E minha opinião é:

Seu ouvido é o juiz final do que você faz no piano.

E ele aprende a lidar com música tanto quanto seus dedos.

Se você quer sair da areia movediça dos atalhos musicais (na maioria atalhos falsos), forme seus dedos e seu ouvido com os protocolos voltados para adultos. Conheça os detalhes aqui:

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