Você já deve ter reparado:
Tem pianista que parece estar fazendo um espetáculo além da música.
Cruza as mãos com uma elegância suspeita.
Faz gestos que beiram o dramalhão.
(alguém aí disse ‘Lang Lang’?)
Ou movimentos que gritam:
‘– Olha só como sou sofisticado!’
Mas calma.
Antes de rotular como pura encenação, vale entender o que está acontecendo ali.
Tudo bem, tudo bem…
Qualquer coisa verdadeira e necessária pode ser avacalhada, mas nem todo cruzamento de mãos é vaidade. Aliás, o ‘cruzamento de mãos’ é um exemplo perfeito: na maioria das vezes é preciso recorrer a ele pois a outra mão está realmente muito ocupada. E não é só isso…
Às vezes uma mão específica alcança melhor o som desejado.
Ok, isso é raro.
Poderíamos dizer que a maioria das mãos cruzadas são frescura?
Sim, acho que poderíamos.
Mas como vimos aqui, nem sempre é teatro.
É busca por uma sonoridade específica.
A mesma nota tocada pela mão ‘errada’ pode soar diferente.
Mais brilhante.
Mais aveludada.
Mais incisiva.
É como escolher entre diferentes pincéis para pintar a mesma linha.
Friamente falando, qualquer um serve.
Tecnicamente, cada um entrega um resultado.
O mesmo vale naqueles arpejos que parecem complicação desnecessária.
Quebrar um acorde em notas separadas às vezes não é preguiça técnica.
É efeito intencional.
Algumas harmonias são fisicamente impossíveis de tocar todas juntas.
Outras, mesmo sendo possíveis, ganham outra cara quando espalhadas no tempo.
Por isso, da próxima vez que presenciar esses teatrinhos pianísticos, considere:
Que tipo de som está sendo perseguido ali?
O que parece exibicionismo pode ser apenas um recurso.
Pra aprender a usar esses recursos de forma musical e não avacalhada, veja como o Do Zero à Pour Elise pode te ajudar aqui:




