Ontem esbarrei numa velha acusação em um vídeo qualquer do YouTube:
Um professor de piano moderno atacando outro tradicional.
O crime do tradicional?
Ensinar nota por nota.
A virtude do moderno?
Ensinar o “fluxo musical”.
Assistindo essa frescura disfarçada de metodologia, pensei:
“– Será que dá pra ser mais raso que isso?”
Essa polarização é tão artificial quanto tecladinho de bichinhos da fazenda: de um lado, os “revolucionários” que ensinam a sentir o caminho da música como uma jornada fluida, livre, quase espiritual. Do outro, os “dinossauros” que supostamente aprisionam os alunos em cada nota, cada dedo, cada movimento.
É como se alguém perguntasse:
“– Para dançar bem, você precisa conhecer os passos OU sentir o ritmo da música?”
A resposta óbvia é:
Você precisa dos dois, seu besta!
(ok, me exaltei… respirando…)
Veja bem:
O olhar musical que podemos chamar de “global” (aquele que vê o todo, o caminho, o fluxo), não é revolucionário.
O velho e rabugento Beethoven pensava assim…
Mozart já pensava assim…
Bach já pensava assim…
E todos os músicos de todos os tempos e lugares.
Esse olhar te dá unidade musical e, sim, mais agilidade.
Mas e o olhar “local” (aquele que foca em nota, em posição, em movimento)?
Esse não é antiquado.
Músicos atuais usam isso o tempo todo…
Inclusive na música pop, na guitarra, na flauta, na gaita etc.
Esse olhar dá profundidade e, principalmente, clareza.
A pergunta não é qual abordagem é melhor.
A pergunta é:
Quando usar cada uma?
Quando você está resolvendo problemas, provavelmente o olhar local é seu melhor amigo. Quando você já pegou os movimentos e quer dar vida à música, o olhar global provavelmente é a melhor estratégia. Às vezes, você precisa alternar entre os dois constantemente.
É como respirar:
Você não escolhe entre inspirar OU expirar.
Você faz os dois, no momento certo.
A música precisa de clareza?
Sim.
A música precisa de fluidez?
Também.
E quem decide quando priorizar cada aspecto?
Você.
Aquela pessoa sentada no banquinho, com as mãos no teclado, a verdadeira responsavel por dar vida às notas.
Bem, eu já aprendi uma coisa:
Sempre que algum guru do piano disser que encontrou o método revolucionário que dispensa um desses olhares…
Imediatamente clico em “Não me recomendar este canal”.
Pra aprender a desenvolver tanto o olhar global quanto o local, com exercícios práticos que realmente funcionam, entre para o curso “Do Zero à Pour Elise” aqui:




