Pense comigo:
Um lutador de boxe deve treinar tão intensamente quanto uma luta real de boxe?
Um piloto de fórmula 1 deve fazer algo semelhante?
E uma bailarina?
A resposta:
Nem mesmo se eles quisessem poderia ser “tão intensamente”.
Mas o fato é:
Eles nem querem.
O boxeador não quer se machucar antes da luta.
O piloto não quer destruir o carro antes da corrida.
A bailarina não quer o desgaste inteiro da apresentação em um ensaio.
E não só isso:
Mesmo que o boxeador, totalmente fora de si, arrumasse um parceiro de treino pra boxear como se fosse uma luta real, nem que o piloto colocasse vários adversários falsos pra treinar uma corrida, e mesmo que a bailarina colocasse o cenário e o figurino inteiro pra dançar do começo ao fim, mesmo assim nada disso seria suficiente para reproduzir a real “pressão” do dia da luta, da corrida, ou da apresentação.
Aí chegamos no ponto crucial:
Então basta que o pianista faça o mesmo, não é?
É praticar Sonatina e tocar Liszt.
Não!
A analogia com o boxeador, o piloto, e a bailarina ficou incompleta.
Eles não querem a intensidade do dia “oficial” ao praticarem.
Mas tecnicamente falando, ao praticar, eles estão um degrau acima.
O boxeador treina esquivas mais exageradas do que precisa.
A bailarina força aberturas por mais tempo do que no grande dia.
E o piloto não sei o que faz, mas aposto que é algo semelhante.
Nos detalhes técnicos, sua prática está um degrau acima…
E no dia da “pressão real” todo o nervosismo e as vozes fantasmagóricas de que “você não consegue” se desfazem ao se deparar com o domínio técnico que realmente conseguiu desenvolver na prática. O domínio fica tão evidente, que faz desvanecer qualquer nervosismo.
É isso que o pianista faz.
No seu modo de “prática”, ele está tecnicamente um degrau acima.
No seu modo “tocar”, ele está preservado pela “reserva técnica” que acumulou em prática e, portanto, pode tocar com tranquilidade e realmente dar vida à música.
Quer saber exatamente o que você faz dia a dia para estar um “degrau acima” do seu nível atual?
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