Cinco toneladas e meia
Elefantes de circo pesam em torno de cinco toneladas e meia. Isso mesmo: cinco toneladas e meia!
E ficam parados, presos por uma corrente fininha amarrada numa estaca de madeira fincada no chão.
Isso não faz o menor sentido físico.
Com um movimento de pata, qualquer um desses animais arrancaria a estaca, a corrente e provavelmente levaria a tenda do circo junto.
Mas eles não fazem isso.
Por quê?
Porque quando eram filhotes, essa mesma corrente era suficiente para segurá-los. Tentaram, tentaram, tentaram escapar. Não conseguiram. Machucaram a pata. Aprenderam que era inútil.
E nunca mais esqueceram.
Cresceram. Ficaram enormes. Mas a memória da corrente ficou maior do que a corrente em si.
Você já ouviu a expressão “memória de elefante”, não? Pois parece que eles não se esquecem nunca mesmo. Locais onde foram maltratados, pessoas que os machucaram — fica tudo guardado.
O elefante adulto continua se comportando como se a corrente da infância ainda fosse capaz de segurá-lo.
Mas nós também somos um pouco assim, um pouco elefantes.
Algumas coisas a gente não esquece mais.
Às vezes foi uma experiência real: a aula que não fez sentido, o professor que te deixou sem rumo, a sensação de que todo mundo progredia menos você.
Mas às vezes a corrente nunca chegou a ser testada. Alguém simplesmente te disse como as coisas são e você acreditou.
“Piano é coisa de quem começa criança.” “Você precisa ter talento para isso.” “Depois de certa idade o cérebro já não aprende mais.” “Não tenho jeito para música.”
Não importa de onde veio. A crença ficou. E passou a parecer um fato.
Mas não é.
A dificuldade, na maioria dos casos, estava em um método mal aplicado, na falta de orientação adequada ou em uma crença que alguém plantou cedo demais.
O elefante não era fraco. Era filhote. Estava sujeito a qualquer correntinha.
Depois que cresceu, nunca ninguém chegou perto dele e mostrou que a corrente era fina demais para ele — e que com a orientação certa ela se desfaz.
Uma boa orientação é o empurrão que faz o elefante testar a corrente pela primeira vez de verdade. Alguém que chega perto e diz: tenta. E o elefante tenta. E a estaca sai.
Será que você já testou se essa corrente ainda tem força para te prender?
Se você sente que chegou a hora de experimentar, o caminho começa aqui:
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A biblioteca que nunca li
Tenho no computador uma coleção impressionante de PDFs.
(não vou falar sobre os livros que compro neste post porque estou com vergonha)
Música, filosofia, história, religião, biografias, uns três livros sobre culinária japonesa que não sei bem como foram parar ali e sabe-se lá mais o quê.
Cada um deles foi baixado num momento de entusiasmo total. Eu li o título, li a sinopse, pensei “preciso ler isso” e cliquei em baixar com a satisfação de quem já leu.
Muitas vezes o livro baixado me deu um trabalhão doido para conseguir.
A sensação de baixar um livro é muito boa.
Parece que você já deu o passo e que o conhecimento está ali, ao seu alcance, praticamente seu. A distância entre baixar e ler parece pequena demais para se preocupar com ela agora.
Só que essa distância a gente sabe bem que é um abismo.
No piano acontece a mesma coisa, obviamente.
A pessoa encontra uma peça que a emociona. Salva a partitura. Assiste um vídeo explicando como tocar. Talvez até compre um curso. E sente, honestamente, que começou.
Mas sentar, estudar aquela passagem difícil, repetir lentamente, errar, corrigir, voltar ao começo… isso não tem a mesma sensação boa de baixar o arquivo.
Isso é o livro aberto na página um.
E a maioria das partituras salvas, ou dos cursos iniciados, tem a tendência de não passar desse ponto. Ficam pairando numa espécie de sonho esquecido e postergado.
Falta de consistência é o maior problema que todo mundo enfrenta em qualquer empreendimento na vida.
Mas existem coisas que um professor pode transmitir e que ajudam a ser mais consistente: começando por saber exatamente o que você tem que fazer e não se sentir perdido para continuar algo que começou.
Se você quer aprender a tocar através de um método que te faça passar naturalmente da página um:
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Conquistei a América e fiz uma menina chorar
Na primeira vez na minha vida em que fiz uma viagem internacional, fui para os Estados Unidos, Nova York.
Eu estava sonhando em estudar ali e queria conhecer as escolas de música da cidade. Cheguei ao hotel, deixei as malas e saí imediatamente para visitar a famosa Juilliard School.
Eita que chique!
Cheguei lá e pude entrar na escola sem problemas, fui passando pela segurança como se fosse um estudante dali.
Minha sensação era que eu não precisaria mais ser aceito na escola, eu a estava invadindo na marra. Dali não sairia.
Encontrei uma sala de estudo aberta com um piano dentro.
E o que um turista, que acabou de chegar em uma terra estranha, viajando pela primeira vez para mais longe, tipicamente faz?
Estuda piano, claro! Óbvio!
Pois me pus a tocar um pouco.
Não deu 10 minutos, bateu uma moça na porta e disse que precisaria de pianista para uma prova que iria acontecer imediatamente e perguntou se eu seria capaz de acompanhá-la, disse que me ouviu um pouco do outro lado e que eu soava bem.
Pronto! “Conquistei a América”, foi o que eu pensei.
Nem Cristóvão Colombo foi tão eficiente!
E não levou mais do que 10 minutos.
Que feito histórico!
Que gênio mesmo que eu sou!
Fui com a moça para a sua prova como se fosse um veterano da escola. Confiança máxima.
Não parei para pensar que eu deveria ler à primeira vista, na frente de um júri, sem prática nenhuma de acompanhar cantores e ler rápido desse jeito.
Achei que era um chamado divino.
O chamado não era Dele exatamente.
Li tudo errado.
Foi um desastre.
A menina chorando quando acabou a prova.
Saí dali e fui para o hotel… e não lembro de mais nada daquele dia.
Aprendi da pior forma possível o que nenhum professor me havia dito com tanta clareza.
Demorou anos para conseguir lembrar essa história sem ficar automaticamente deprimido.
Não se faz algo para o qual não se está preparado ao piano — para não falar em nada na vida.
Não se ponha a tocar coisas que você não absorveu muito bem.
Não se ponha em situações de exposição fazendo algo que você não fez inúmeras vezes sozinho e pelo menos algumas vezes diante de pessoas próximas.
Quer aprender sem colocar o carro na frente dos bois?
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Música verde não dá!
Existe um erro que aparece em 99,93% dos alunos de piano. Do iniciante até o avançado.
Não importa há quanto tempo está tocando.
Ele aparece assim:
A pessoa aprende mais ou menos as notas da peça.
Entende o ritmo de maneira geral.
E aí… vruuuummm… sai acelerando tudo.
Quer tocar no andamento “de verdade”. No andamento do YouTube, do Spotify, da gravação que ela tanto admira.
E eu entendo.
Quando você ouve uma música e ela te arrepia, o que você quer é reproduzir exatamente aquilo. Aquela velocidade, aquela fluidez, aquele impacto. A gente não vê a hora de sentir esse resultado saindo de nós mesmos.
E o pior é que todo mundo já sabe: TEM QUE ESTUDAR DEVAGAR! Mas ninguém se aguenta.
O problema é que música é igual fruta:
Não dá pra comer verde, “ripeness is all”.
E aí fica todo mundo preocupado em conseguir tocar rápido achando que tem algum problema com velocidade de maneira geral ao piano.
Só que não existe isso.
Velocidade é a consequência de um hábito repetido lento muitas vezes.
Sempre o que é para ser tocado rápido é um tipo de padrão repetitivo porque não seria possível tocar rápido algo que é aleatório e não obedece um padrão.
Portanto, vou aqui insistir mais uma vez:
O segredo para tocar rápido é tocar lentamente, muito bem, muitas vezes.
Quer aprender de uma forma que a velocidade aparece naturalmente, se você seguir os passos indicados?
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O problema da primeira impressão
Por acaso você sai de um filme de guerra querendo jogar bomba nos outros?
Quando somos crianças, a reação costuma ser quase essa.
Eu me lembro de sair de Karate Kid repetindo em casa os movimentos do Sr. Miyagi, como se fosse precisar me defender de alguém a qualquer momento.
Isso é natural. É a primeira camada de contato com uma narrativa: se imaginar ali dentro e viver o que ela propõe.
Mas existe um outro nível de percepção, e muitas vezes ele é tão ou mais interessante do que a própria história.
Estou falando da harmonia interna da obra. Da coerência do que está sendo mostrado. Da maneira como as partes se organizam. Da pergunta mais profunda: isso tudo faz sentido por dentro?
No caso de um filme, por exemplo, você pode observar se a história avança de modo compreensível ou se tudo parece apenas confuso. E, se parece confuso, é um caos que instiga ou um caos que incomoda? Os atores convencem ou parecem apenas exagerar o tempo todo? As cores ajudam a formar uma unidade ou estão ali sem função clara?
Poderíamos listar muitas coisas.
E eu sei que isso parece papo de crítico ou de especialista.
Mas na verdade é um assunto que deveria ser muito mais comum.
É assunto de alguém atento. De alguém presente. De alguém capaz de perceber que uma obra não se reduz ao seu impacto mais imediato.
Na música, isso acontece o tempo todo.
Às vezes a pessoa ouve algo triste e para ali. Como se essa primeira impressão já esgotasse a experiência. Mas justamente atrás dessa aparência inicial existe outra coisa, muitas vezes mais rica.
Uma peça de Chopin pode soar melancólica, mas por trás dessa melancolia existe nobreza. Existe proporção. Existe inteligência na condução das ideias. Existe sensibilidade na escolha do acorde certo, no momento certo.
A apreciação artística verdadeira inclui tudo isso.
Não basta ficar apenas na primeira camada e tratá-la como se fosse a obra inteira.
Seria como julgar uma pessoa apenas pela aparência, ignorando a unidade viva de tudo o que ela é.
Uma grande obra de arte nunca se revela por completo numa percepção primária.
Ela pede mais presença.
E também recompensa isso.
Quer aprender tendo acesso às diversas camadas do que está tocando?
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IA X professores de piano
Minha avó paterna foi uma pessoa muito importante para toda a família. Todo mundo se unia em torno dela e sua maneira de ser e seu senso de humor, tipicamente italiano, ensinavam e divertiam ao mesmo tempo.
Uma vez por ano ela fazia um prato que acabou virando uma tradição familiar: um polvo ao molho de tomate.
Não vou aqui passar a receita porque é segredo controlado pela CIA e pela NASA, mas só posso dizer que era algo fora deste mundo.
Depois que ela faleceu, outros familiares procuraram reproduzir o polvo dela, com relativo sucesso (destaque para a minha mãe aqui). Mas não é a mesma coisa.
Minha avó se adaptava de acordo com os ingredientes e a receita passava por sutis alterações para que mantivesse o seu objetivo.
Hoje existe muita tecnologia e talvez a IA pudesse me ajudar a reproduzir o polvo que minha avó fazia.
Dá para a IA listar os ingredientes?
Claro!
Dá para a IA organizar as ações de acordo com a quantidade de comida e o número de pessoas que vão comer?
Com certeza!
E isso consegue reproduzir o que minha avó fazia?
Não.
E por que não?
Porque um ser humano tem a capacidade de observar sua situação concreta e readaptar seus meios para que correspondam à realidade. O ser humano pode perceber a verdade de algo.
Minha avó reconstruía a sua receita a cada passo de acordo com a resposta do próprio polvo.
Ela se adaptava à “verdade” que o polvo contava a cada momento para ela.
Tá! Mas e no caso do professor de piano?
Tudo aquilo que está escrito na partitura, a IA pode ser capaz de te descrever e até dar sugestões de caminho para praticar.
Mas tem uma coisa que a IA não vai fazer nunca.
O que ela não consegue fazer é te ensinar a perceber.
Um professor que passou anos tocando não te diz só o que corrigir — ele te desenvolve o ouvido para que você mesmo identifique quando algo está no lugar certo e quando não está. Isso é o que separa quem depende eternamente de instruções de quem começa a se conduzir sozinho.
Em suma, a IA não te ensina a sentir o que está acontecendo e ressignificar o caminho para atingir o mesmo fim. Ela não percebe a verdade. Ela só repete.
Só repetir não basta.
Para fazer um bom polvo com molho de tomate é preciso aprender a perceber a realidade.
Da mesma forma, é preciso aprender a perceber a realidade para tocar piano.
Se quiser aprender com assistência pessoal minha, mandando seus vídeos por WhatsApp sempre que quiser:
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O dogue alemão e a iluminação da consciência
Na última vez que nos mudamos, há mais ou menos um ano, foi necessário contratar um serviço de transporte para o piano – porque aqui eu tenho um Bechstein de meia cauda que pesa meia tonelada.
Transportar esse piano é sempre uma novela. Mas até que essa vez foi mais simples do que outras.
Equipe de transporte profissional mesmo.
Os caras empacotaram o meu piano mais rápido do que eu mesmo me empacotei para sair na rua no meio da neve que estava aqui em Bucareste.
Lembrei de quando consegui ter meu primeiro piano de cauda.
Foi tanta alegria que prometi para mim mesmo que nunca mais teria um piano que não fosse de cauda.
O piano de cauda tem muitas diferenças em relação ao piano vertical e uma das que mais fazem diferença para o pianista é a velocidade maior com que as teclas voltam para cima depois que você as soltou.
É uma sensação muito boa, uma sensação de agilidade, de liberdade.
Então vim pra cá com meu piano grande e ele entrou fácil no quarto onde está. Não cabe mais muita coisa no quarto além do piano, eu e a minha esposa (que é quem filma os vídeos que faço).
Depois de alguns dias da nossa mudança para cá eu estava ali na entrada do prédio aguardando um uber e vi chegando uma senhora, uma vizinha daqui do prédio. Ela estava acompanhada de seu delicado cachorro, que parecia ser um cruzamento de dogue alemão com tiranossauro rex. Era realmente um cachorro quase girafa.
Eu olhei para aquela senhora acompanhada do seu gigante e pensei: “Mas veja só… como é que pode um negócio desses?… Neste prédio?… Os apartamentos têm tamanho médio e alguns até pequeno…que loucura é essa?!”
De repente me veio a iluminação:
Aquela senhora era eu e o dogue alemão, o meu piano.
Ter um piano de cauda é uma maravilha de fato. Não me entenda mal. Mas, é a coisa mais sensata ter um piano desse tamanho em um prédio de apartamentos como esse?
Para a maioria das pessoas, provavelmente não.
Mesmo sendo a minha profissão, seria possível realizar muita coisa com um piano menor. Mas o que agora está claro pra mim, era antes uma ideia insuportável: “Não fale mal do meu piano de cauda!”
Você vê então que coisa que é a nossa cabeça, né?
A gente põe uma ideia ali e depois para tirar é preciso realizar uma verdadeira cesariana cerebral, porque não sai de jeito nenhum.
Nem todo mundo que tem cachorro tem necessariamente um dogue alemão e mesmo assim é muito feliz com seu bichinho.
É preciso ter um piano de cauda ou mesmo um piano vertical, para aprender, estudar e evoluir?
É uma coisa maravilhosa sim, mas é claro que não é necessário!
Você pode começar com um teclado menor que se acomode melhor à sua circunstância e ao espaço que você tem.
Bom, dito isso, para terminar o email, não estou resistindo e preciso confessar: Meu piano de cauda não sai daqui, não, viu?!
Quer começar a aprender e já “por no bolso” uma coleção de peças que ficam bonitas tanto no piano quanto no teclado?
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Os músicos não gostam de admitir
Sempre que eu falo o que vou dizer aqui, tem gente que fica revoltada.
O pior é que não é nenhuma novidade e está longe de ser uma opinião exclusiva minha.
Mas aqui vai a “bomba”:
A voz humana é a referência máxima para qualquer instrumento musical!
O pessoal fica nervoso justamente porque não tem nada de “revolucionário” nessa ideia e parece uma limitação.
Mas a verdade é que a voz é o ideal de todo instrumento fabricado por mãos humanas.
Em que sentido?
Quanto mais alguém, ao tocar um instrumento, parecer uma voz cantando, melhor está tocando.
Da mesma forma – e não seria de se estranhar – a relação da música com a palavra é também direta.
Podemos dizer que a música “veste” as palavras, completa o seu significado.
Então esse email é para dar a você duas informações:
a) Quer saber como tocar piano melhor?
Procure imaginar como um cantor faria aquela melodia da mão direita e tente inclusive cantarolar para você mesmo a passagem.
Em seguida, imite ao piano o que você imaginou ou cantou.
Ali vai estar a chave mestra.
b) Não aceite tão fácil a ideia de que a música não pode ser explicada com palavras, como muita gente diz (principalmente músicos).
Essas duas coisas sempre andaram juntas e qualquer professor de música, quando vê que um aluno não está entendendo o que fazer em um trecho, usa automaticamente palavras e analogias para retratar o que aquela música expressa.
Então pode-se dizer muita coisa a respeito de uma peça musical com palavras. Mais do que a maioria dos músicos gostaria de admitir.
E se você quer aprender a tocar piano, tendo palavras e referências ao canto para entender melhor o que fazer:
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A lei que governa tudo (inclusive o seu piano)
Para conseguir melhorar um pouco como pessoa a cada dia, é um esforço enorme. Tem que ter uma atenção grande, se corrigir pra caramba… subir de nível assim dá trabalho.
Agora, pra descer de nível é uma coisa simples, né? Fazer besteira a gente faz relaxadamente:
Ficou desatento com alguém do seu convívio, ou com a circunstância comum da vida, pode estar certo que alguma bobagem sai.
Descer de nível é moleza.
E olha só: subir uma montanha é cansativo também. Precisa de mais força.
Dependendo da montanha exige até preparação. Subir fisicamente é mais duro e precisa de um esforço maior.
Já para desceeeer… apesar de não poder relaxar totalmente — para não rolar montanha abaixo —, pode-se dizer que está mais ligado a relaxar. Você não aplica o mesmo tipo de esforço.
Da mesma forma, quando um cantor precisa cantar uma nota bem aguda, ele precisa de mais força e acaba às vezes se espremendo inteiro para alcançar a nota. Fica todo vermelho.
Porém, para cantar mais grave ele precisa relaxar as cordas vocais, o aparelho fonador como um todo.
Cantar mais leve é obrigatório para conseguir chegar em certas notas mais graves.
Deu para pegar a ideia, né?
Subir = esforço. Descer = relaxamento.
Daí vem o conselho tradicional que você vai aplicar ao piano: para dar expressividade à música — depois de saber bem as notas — vá aumentando a intensidade à medida que a melodia sobe, e diminuindo à medida que ela desce.
Eu batizei esse recurso de regra da montanha.
Não é uma regra universal, que se aplica a absolutamente todas as situações musicais.
Mas é um conselho prático que funciona na maioria das vezes.
E melhora substancialmente o resultado que você consegue no piano.
Quer aprender do zero e saber como e quando aplicar direitinho a regra da montanha?
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O elefante na sala
Qualquer pessoa que já tentou aprender piano conhece essa cena:
O professor ouve você tocar, aponta o que está errado, corrige a nota, ajusta o ritmo, pede mais leveza aqui, mais força ali.
E no final da aula:
“Estuda tudo isso até a semana que vem. Um abraço!”
O aluno sai satisfeito.
Sabe o que precisa melhorar. Tem um plano.
Mas passam-se dois dias e o que acontece? (sendo bem otimista)
O aluno senta ao piano e simplesmente trava.
Ele percebe que não sabe o que fazer:
“Repito com as mãos separadas?”
“Faço bem devagar? A música toda ou só os trechos difíceis?”
“Faço rápido para desenvolver agilidade ou no passo de tartaruga mesmo?”
“Metrônomo? Deus me livre. Acho que não vou por não.”
O sujeito fica perdidinho e não sabe muito bem por quê.
Mas isso acontece porque ninguém ensinou, no fundo, a coisa mais importante:
COMO estudar.
Parece um detalhe tão bobo.
Mas não é não.
Saber onde colocar a atenção, quanto tempo repetir, o que resolver primeiro, o que deixar para depois… são essas coisas que fazem o progresso acontecer. Quase inteiramente.
Com frequência paro para conversar com os alunos sobre como eles estão estudando. E quase sempre é o “elefante na sala”.
Nos meus cursos online, o foco está em exatamente isso: que você nunca saia de uma aula sem saber o que fazer na próxima vez que sentar ao piano.
Quer aprender sem ficar perdido entre as aulas?
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