5 dicas ESSENCIAIS para aprender piano SEM VÍCIOS
Muito bem… então você decidiu aprender piano!!!
Está louco para tocar as músicas que você gosta e impressionar a sua família e amigos, certo?
… aposto que você já se imagina tocando o coração das pessoas com a sua música!
Mas, preciso ser sincero com você, todos esses vídeos sobre como tocar piano disponíveis no Youtube (e até muitos professores de escolas conceituadas), só vão ensinar uma coisa: VÍCIOS.
E qual o problema dos VÍCIOS?
São 3 principais problemas:
- Impedem o desenvolvimento do seu aprendizado;
- Deixam a execução da música horrível;
- Causam problemas de saúde.
Prometo que num conteúdo futuro eu explico melhor quais são os piores vícios.
Por enquanto você precisa agir rápido e aprender a se proteger de picaretas e desavisados.
Abaixo está o meu vídeo com as 5 DICAS ESSENCIAIS PARA APRENDER PIANO SEM VÍCIOS.
Assista e compartilhe!
(Nota: Quer aprender piano da maneira correta? Cadastre-se no minicurso de piano para iniciantes e obtenha resultados práticos em apenas 4 lições! Cadastre-se aqui.)
Entendendo as teclas do piano e a postura correta ao tocar
Senhoras e senhores, apresento-vos O Instrumento!!!
Vou falar aqui a quem precisa receber e entender as PRIMEIRAS INFORMAÇÕES a respeito do nosso caríssimo e amantíssimo piano, aqueles que mal tiveram um pianinho ou tecladinho na infância.
Essas informações são do tipo “ah, que bom, acho que é possível entender esse negócio”; com isso você olha para as teclas e não fica perdido, achando que aquele primo que toca atirei o pau no gato tem um talento especial.
Elas vão te dizer como o piano está organizado, o quê está por trás daquele monte de teclas iguais (ou muito parecidas, já que as diferenças de cor e posição são evidentes).
Outra coisa importante, que por falta de boa instrução gera muitos vícios, é a ABORDAGEM CERTA AO PIANO, ou seja, a posição correta da coluna, das pernas, dos braços, das mãos e dos dedos.
Se você desde o princípio souber como deve se comportar ao tocar, vai começar melhor do que eu, que sofri reprimendas dignas dos mestres japoneses de karatê que moram no topo de colinas e meditam embaixo de cachoeiras às cinco da manhã.
Comecemos do começo:
“Façam-se os pianos. E os pianos se fizeram, com teclas brancas e pretas.”
Sim! Você vai ficar sabendo algo das teclas pretas! Essas que os professores deixam para depois e os alunos desconfiam que servem para pouca coisa.
Em primeiro lugar, o tamanho maior das teclas brancas realmente significa a maior importância delas, porque são elas que vão soar as notas naturais: Dó, Ré, Mi, Fa, Sol, La, Si.
As pretas sempre vão soar as notas alteradas ou acidentes (sustenido ou bemol), ou seja, as notas que estão no meio do caminho sonoro entre duas naturais.
Entre um Dó e um Ré, por exemplo, existe um caminho longo. Mas exatamente no meio desse caminho está uma nota que é soada pela tecla preta situada no meio das teclas Dó e Ré (chamá-la de sustenido ou bemol vai depender do “trajeto” que a música está tomando).
Para não ficar difícil de acompanhar, vamos olhar o teclado e misturar essas informações com outras, sem perder o fio da meada.

Destaque em um conjunto de notas brancas (naturais) e pretas (acidentes)
Como você já sabe, as teclas brancas fazem soar as notas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, La, Si.
“Mas estou vendo pelo menos umas 50 teclas, por acaso a seqüência das notas naturais se repete?“, você pode perguntar.
E eu vou responder: Bravo, bravissimo!! Você já está usando o que sabe para encontrar o que não sabe. As teclas brancas vão repetir as 7 notas naturais muitas vezes, e para saber qual tecla soa qual nota vamos nos basear nas teclas pretas.
Perceba que ao longo do teclado temos DUPLAS e TRIOS de teclas pretas. Isso forma um padrão de 5 teclas. O grupo de teclas brancas logo abaixo dessas 5 teclas pretas – isto é, desde a branca anterior à dupla de pretas até a branca posterior ao trio de pretas – forma o conjunto Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, La, Si.
Esse conjunto de 7 teclas brancas com 5 cinco teclas pretas compõe uma unidade que se repete várias vezes no instrumento. A diferença entre as unidades está na altura sonora de cada uma, sendo que da esquerda para a direita há uma subida de mais grave para mais agudo.
Reconhecendo essa unidade de 12 teclas, você já é capaz de encontrar todas as notas naturais no seu piano, certo?
Isso porque todas as teclas brancas imediatamente anteriores à dupla de pretas soam a nota Dó, e partindo do Dó encontramos o Ré, Mi, Fá, Sol, La, Si.

Tecla branca à esquerda do conjunto de duas teclas pretas: sempre nota DÓ.
Ufa! Vamos dar uma respiradinha… … … … Isso, agora, sem parar de respirar, continuemos 😉
Você lembra que as teclas pretas são o meio do caminho sonoro entre duas brancas vizinhas? Ok.
Por que então existem teclas brancas sem uma tecla preta entre elas?
Para responder essa questão temos de falar um pouquinho de TOM.
A “subida” de um Dó para um Ré é de UM tom. A tecla preta entre eles é MEIO-TOM mais aguda que o Dó e meio-tom mais grave que o Ré. Sendo assim, subimos de meio-tom em meio-tom se atacarmos uma tecla branca, depois uma preta, depois outra branca, depois outra preta, depois ainda outra branca (todas vizinhas, claro).
Como a primeira branca era Dó, a primeira preta será Dó sustenido, a segunda branca será Ré, a segunda preta será Ré sustenido e a terceira branca será Mi. Isso significa que entre o Ré e o Mi a subida também é de um tom, como entre o Dó e o Ré.
Repare que entre o Mi e o Fá não tem nenhuma tecla preta.
A coisa é assim porque entre o Mi e o Fá a subida é só de meio-tom.
Agora você é capaz de me responder: por que não há uma tecla preta entre o Si (última nota da série de 7) e o Dó (primeira nota da série seguinte)?
Seria porque entre eles a subida é de meio-tom?
Essa foi na bunda da mosca!!!
No quadro abaixo você encontra a subida de tom/meio-tom entre as notas naturais:

Distância de TONS entre as notas brancas (naturais)
Mas antes que você comece a impressionar sua mãe com esses conhecimentos todos, vamos falar do seu corpo, para que ele seja um peso visual que argumente a favor da sua genialidade.
Você já viu um pianista em ação?
Ótimo.
Os grandes pianistas possuem muitas características próprias quanto aos movimentos e postura do corpo.
Mas em geral os fundamentos são os mesmos.
A altura do banquinho deve ser regulada de maneira que o antebraço fique paralelo ao teclado. Com isso o cotovelo não fica nem acima nem abaixo das teclas, mas na mesma linha.
Depois de acertar esse detalhe, você deve se sentar deixando as pernas livres; ou seja, não sente muito para trás no banco, sente no meio dele, quase na ponta. Essa é uma posição de prontidão, da qual seria muito fácil levantar sem usar as mãos. É como estar de pé, mas sentado 😀 .
A coluna é sempre reta, mas não enrijecida. Sempre, sempre, sempre. Aliás, duvido que alguma instrução na história inteira da humanidade foi dada no sentido de solicitar uma corcunda. A não ser nas escolas secretas de bruxas.
Chegamos, enfim, às mãos.
Partindo do polegar, em ambas as mãos, os dedos são numerados em 1, 2, 3, 4 e 5.

Números dos dedos
E para posicioná-los sobre as teclas a mão deve estar o mais natural possível, com o pulso na linha do braço, permitindo que os dedos fiquem curvados e suas pontas toquem as teclas (mas não as unhas), sem quebrar as falanges.
Muito bem.
Aqui abaixo deixo o vídeo com mais algumas instruções para você executar a sua primeira música e colocar todo esse conhecimento em prática:
(Nota: Cadastre-se, sem nenhum custo, no meu Minicurso para iniciantes e tenha acesso às lições essenciais. Cadastre-se aqui.)
Como conquistar a coordenação e a independência das mãos (o terror dos iniciantes ao piano)
Por algum motivo, você decidiu aprender a tocar piano. Talvez tenha visto alguém tocando e ficou encantado; talvez seja um sonho antigo que você nem sabe mais a origem; até mesmo uma música especial, que é tocada ao piano, pode ter despertado o interesse no instrumento.
As razões são muitas.
O fato é que você sentiu que pode tocar piano.
Acredite, já vi isso dezenas de vezes: o iniciante começa muito empolgado o estudo, mas logo que precisa tocar notas diferentes em cada mão, e ainda em tempos diferentes, todo o sonho encantado de tocar piano cai por terra.
A quantidade de alunos que desistem por sentir que é impossível tocar 7 notas musicais com apenas 5 dedos, e ainda utilizando as 2 mãos, é enorme.
E a proporção de desistências para alunos que aprendem pela internet, é ainda maior.
Por isso, afirmo categoricamente…
A coordenação das mãos é o primeiro terror dos iniciantes
Claro, o terror é potencializado porque o iniciante, na maioria das vezes, imagina que basta aprender qual é a tecla certa para cada nota e está tudo resolvido.
Apesar dessa enorme vontade de tocar piano ter sido o motor que levou o iniciante a procurar algumas aulas, essa mesma vontade pode ser o principal vilão, aquele que joga um balde de água fria nas suas expectativas, tão logo encontre um desafio.
Aliás, esse descompasso entre a expectativa e a realidade das coisas, é um fator universal em praticamente todas as áreas de atuação humana.
Saber lidar com isso é uma das marcas da maturidade.

Iniciante ao piano com problemas de coordenação das mãos — haha!
Tenho alunos que tocaram suas primeiras músicas completas em menos de 2 meses, outros em 6 meses, e até alguns que levaram 1 ano.
A semelhança entre esses alunos que conseguiram conquistar os seus objetivos, é que eles usaram a expectativa como ferramenta e não como bússola do seu aprendizado.
O estudante sério precisa transformar a sua vontade de tocar piano em DETERMINAÇÃO.
Parece que estou dizendo que você precisa de um esforço monstro para resolver esse problema inicial, mas a verdade é que…
Conquistar a coordenação é mais fácil do que você pensa
Antes de mostrar o que você precisa fazer, e de passar o acesso ao vídeo demonstrativo, é necessário que você entenda uma coisa:
Não existe uma técnica mágica ou exercício milagroso para cada problema que você enfrenta ao piano.
O que existe são FERRAMENTAS que vão lhe ajudar a conquistar um objetivo mais facilmente do que se você NÃO utilizasse essa ferramenta.
É como um martelo: você poderia utilizar a própria mão (ai!) para pregar, ou uma pedra, mas um martelo fará o trabalho mais rápido e melhor — e, claro, um pregador pneumático pode fazer o trabalho ainda mais rápido, :D.
Um professor vai te mostrar QUANDO e COMO utilizar a ferramenta, mas cabe a você colocar tudo em prática.
O que você precisa fazer
Enumero aqui os passos, mais abaixo mostro cada item detalhadamente:
- 1: Encontre um professor confiável;
- 2: Controle a ansiedade;
- 3: Esqueça que você precisa dividir seu cérebro em dois;
- 4: Isole um pedaço pequeno de uma melodia;
- 5: Toque lentamente as notas corretas com a mão direita;
- 6: Repare quando a mão esquerda deve tocar junto com a direita;
- 7: Toque com a mão esquerda no momento exato em que as notas são tocadas juntas;
- 8: Se necessário, isole um trecho ainda menor;
- 9: Repita esse procedimento várias vezes;
- 10: Crie uma rotina de estudos com várias melodias.
Aí está! É como uma receita de bolo: os passos e os ingredientes estão listados, mas é a prática constante que percorre o caminho para a excelência.
Vamos aos detalhes de cada passo.
Estou aqui especialmente para resolver o passo 1, :D.
Para o passo 2, basta que você entenda os passos seguintes e crie micro-objetivos para cumpri-los.
Para os demais passos, que constituem o treino diretamente ao piano, gravei um vídeo explicando o que você precisa fazer.
Para ter acesso ao vídeo explicativo, basta clicar aqui. É um vídeo rápido de 15 minutos em que você aprenderá o exercício básico para conquistar coordenação e independência.
Além disso, na parte final do vídeo, você tem a chance de participar de um treinamento especial, que criei para que você economize tempo e tenha certeza de executar cada passo corretamente. Clique aqui e assista ao vídeo.
Para entender os passos descritos neste artigo, assista ao vídeo explicativo, clicando no link abaixo
Como conquistar a coordenação e a independência das mãos
Entenda os passos necessários e tenha oportunidade de participar de um treinamento especial
Aprender Piano: A 1ª Etapa Essencial…
Já expliquei como funciona a Pirâmide do Aprendizado Musical e como ela é o mapa ideal para um aprendizado sólido ao piano.
Neste artigo, vamos conversar em mais detalhes sobre o processo de IMITAÇÃO e, em primeiro lugar, precisamos entender o que NÃO é a boa imitação.
Se você utiliza vídeos do Youtube apenas como guia para as teclas a serem tocadas, não está tirando o proveito máximo da imitação. Vídeos típicos de guia de teclas são aqueles em que a câmera grava de cima apenas os dedos do pianista.
Utilizo vídeos de guia de teclas em alguns treinamentos, mas não é esse o papel da imitação.

Imitação: parte fundamental do aprendizado de piano
A postura e o modo de atacar as teclas
Para os alunos totalmente iniciantes, a imitação deve ser feita tanto da postura corporal do professor quanto dos movimentos feitos pelos braços e mãos para atacar as teclas.
Isso é importante pois a postura e o movimento dos membros influenciam diretamente a construção do fraseado musical na velocidade correta.
Então, preste muita atenção em todo o movimento corporal feito pelo professor e procure imitá-lo, pois o seu corpo também precisa participar da execução musical.
Imitando o resultado musical
Parar de se preocupar apenas com as teclas corretas e buscar se aproximar o máximo possível do resultado musical apresentado pelo professor, é o ponto mais importante da imitação.
Poderíamos até dissecar o que é esse “RESULTADO MUSICAL”, mas isso não teria muita utilidade.
Imagine o seguinte: Alguém se propõe a imitar a voz do Lula. Você consegue perceber se a imitação está mais ou menos fiel ao original, certo? E mais ainda, caso você mesmo tente imitar, não precisará entender cientificamente qual é a posição certa da língua, quanto de ar é necessário controlar, qual o tom exato da voz…
Você se lembra da voz que pretende imitar e a imita. Simples assim!
É exatamente esse o comportamento que você deve ter ao imitar um professor de piano.
Para imitar com mais perfeição, sugiro que você grave alguns vídeos da sua execução para ter uma visão externa e, assim, corrigir algum trecho mal imitado.
Só para exemplificar um fator que está no resultado musical, vamos entender melhor a…
…Exatidão rítmica
Basicamente, ritmo é a divisão padronizada do tempo na música.
Na partitura existem várias formas de representar as sutilezas rítmicas e uma ferramenta indispensável para alcançar a exatidão é o metrônomo.
Mas, como sempre tenho explicado, as representações na escrita musical fazem parte de um estudo mais abstrato e se por acaso você não possuir alguma experiência musical, estará como que fazendo a digestão com o estômago vazio.
Além disso, um parâmetro essencial para alcançar a exatidão rítmica é o SENSO CORPORAL DO RITMO, algo que você adquire conforme estuda o instrumento.
A imitação é essencial para a criação desse senso, pois você estará tomando como base um professor de piano que já o possui — pelo menos deveria possuir — e assim terá segurança quanto a imitação de um resultado musical de qualidade.
Outras coisitas
Para compreender mais alguns aspectos da imitação, assista ao vídeo abaixo.
(Nota: Cadastre-se, sem nenhum custo, no meu Minicurso para iniciantes e tenha acesso às lições essenciais baseadas na imitação. Cadastre-se aqui.)
O pior vício ensinado pelos professores de piano
Já aconteceu de você passar por um problema e, com uma dica simples, conseguir resolver esse problema?
Vejo isso acontecendo com muitos estudantes que já tocam piano e que me pedem alguma orientação de como melhorar o controle do som ou a exatidão rítmica.
A origem do problema é sempre o desconhecimento de alguns princípios que devem ser seguidos para um aprendizado de qualidade.
Esse desconhecimento é muito comum em alunos autodidatas, mas é impressionante a quantidade de professores que desconhecem os princípios básicos. Basta você dar uma olhadela nos professores de piano do Youtube, para constatar por si mesmo.
A insistência contínua em tocar piano de maneira incorreta, acarretando em uma porção de problemas e dificuldades, mesmo que de modo inconsciente, é o que eu chamo de VÍCIO.
E por que “vício”?
Simples!
Vamos utilizar uma definição dicionarizada para entender melhor:
Vício é um mau hábito adquirido.
Isso quer dizer que o estudante está tocando errado de modo contínuo, ou seja, mesmo sem perceber, está cometendo um deslize todas as vezes em que toca piano.
Embora não saiba que está com um vício, o estudante percebe que algo o está impedindo de cumprir com os objetivos de uma boa execução, sejam eles a exatidão rítmica, o controle do som, a velocidade adequada etc.
Acho que a explicação sobre a existência desses vícios ficou clara, certo?
Agora eu gostaria de comentar um pouco sobre…
O vício campeão
Sem pensar duas vezes, digo que o pior vício de todos é QUEBRAR AS FALANGES dos dedos.
(Talvez o mais correto seria dizer “dobrar”, mas “quebrar” é muito mais impactante, :P)
Já falei sobre esse vício em outras ocasiões, agora vamos entender melhor porque ele é um problema.

Posição dos dedos
Para quem toca em um piano acústico o problema é óbvio, pois a quebra das falanges influencia diretamente na produção do som do instrumento.
Mas existem outros problemas que afetam tanto quem toca em um piano acústico, quanto quem toca em um teclado eletrônico.
O problema básico é que a própria precisão para acertar as teclas é prejudicada, se você não manter os dedos firmes.
Mas o problema mais sério é o seguinte:
Enquanto você for iniciante e estiver tocando apenas melodias simples, não sentirá nenhum problema, porém quando você passar a estudar músicas mais ágeis, que não são apenas alguns acordes com notas próximas, perceberá que não está controlando os dedos na velocidade certa.
Esse é o principal problema desse vício: a falta de controle real dos dedos, para que eles executem exatamente aquilo que é necessário.
Vários alunos experientes chegam para ter aula comigo, repletos de efeitos colaterais causados por essa falta de controle dos dedos.
Um efeito colateral mais difícil de explicar, é a falta de absorção corporal da música, causando a sensação de que não sabemos realmente o que estamos tocando. Tudo isso porque não temos a profundidade de toque proporcionada pelos dedos firmes.
Como corrigir esse vício?
Bom, a correção é muito simples (aqui está a dica simples para corrigir um problema sério).
Mantenha os dedos firmes, mas nunca rígidos. O relaxamento das mãos e dos braços também são pontos importantes.
Para dar algumas dicas práticas, além de mostrar alguns detalhes a mais sobre esse vício, gravei o vídeo abaixo. Assista com atenção!
(Nota: Se você é iniciante, o correto é começar pela imitação da postura de um professor. Essas e outras noções você pode aprender no meu Minicurso de piano para iniciantes. Cadastre-se aqui.)
O que você deve estudar para aprender piano
Se você está aprendendo piano, ou pelo menos tentando, é porque tem um destes objetivos:
- tocar música popular
- tocar música clássica
- tocar música popular e música clássica, 😀
Em nome da brevidade, vamos definir o seguinte:
Música popular é o gênero que abrange o Jazz, Rock, MPB, hits que tocam no rádio, música gospel etc.
Música clássica ou erudita são as obras de Bach, Mozart, Beethoven, Chopin etc.
Esclarecido isso, você fatalmente pensará: “Então, se eu quero tocar música popular, devo estudar com quem ensina música popular e, se quero tocar música clássica, devo estudar com quem ensina música clássica“.
Esse é um raciocínio perfeitamente lógico, mas que esconde um problema…
Não existe um método para a música popular!
ATENÇÃO!
Agora começo um assunto polêmico e que será mal compreendido, mas, como foi um dos estopins para eu ter criado o Aprendendo Piano, vamos lá!
Imagine que você queira muito tocar Elvis Presley no seu teclado. Conforme definimos acima, Elvis se encaixa na família “música popular”.
Você começa a procurar algumas aulinhas de teclado no Youtube. Percebe que estudar muita teoria é desanimador e procura algum vídeo que ensine direto a música que você quer. E, que sorte!, muita gente mostra como tocar as músicas do Rei do Rock.
É muito melhor começar estudando aquelas músicas que você ama, certo? Você está no caminho certo! O próximo passo é prestar muita atenção no vídeo-guia para saber quais teclas exatamente precisam ser atacadas.
Ficar indo e voltando o vídeo é um pouco chato, mas você é persistente e consegue tocar alguma coisa.
Excelente! Você alcançou algum resultado! Para se libertar desse vai e volta dos vídeos, você resolve aprender alguma teoria e começa a ouvir falar sobre ACORDES, ESCALAS, RITMO, CIFRAS, DÓ MAIOR, INVERSÃO, ARPEJO, COORDENAÇÃO, FÁ SUSTENIDO MENOR, ACOMPANHAMENTO, HARMONIA e por aí vai…
Agora as coisas começam a complicar e, desculpe a insistência, isso acontece porque…
Não existe um método para a música popular!
Ora, se não existe um método para música popular, então como pode existir um monte de gente tocando nas igrejas, nos bares, nas rádios?
Explicando de forma bem breve: cada professor de música popular possui seu próprio “estilo” de tocar, o seu jeito de “levar” a música. Ele utiliza o seu “feeling” para executar as cifras.
E como ele ensina o aluno? Basicamente, ele vai instruindo o aluno a IMITAR o seu estilo e qualquer necessidade mais técnica…
Precisa recorrer as soluções dadas pelo estudo da música erudita
Olha, não tenho nada contra a IMITAÇÃO.
A imitação é uma ferramenta necessária e indispensável para o aprendizado. Já expliquei, em outro lugar, como utilizo a imitação em um método de ensino.
O problema é que se você trocar de professor 3 vezes, então, você terá que aprender 3 formas diferentes de “feeling” musical. Esse é o motivo de tantos alunos escreverem depoimentos como este do Samuel Kun:
“Hoje fiz a melhor coisa desde o primeiro dia que começei a estudar teclado/piano, que foi sair do meu curso particular e começar a fazer essa vídeo aula com você, Felipe. Meu antigo professor estava me ensinando até a passagem dos dedos errado e isso estava dificuldando bastante minha velocidade enquanto estava tocando o instrumento. Não só por mim, mas, com certeza, por milhões de pessoas que estão aprendendo com você, agradeço por estar reservando um pouquinho do seu tempo para repassar esse seu conhecimento musical.”
Os professores por aí estão preocupados em transmitir o próprio “feeling” musical e acabam relaxando no estudo teórico mais sério e embasado, deixando muito a desejar no conhecimento de ferramentas para resolver objetivamente os problemas de técnica no instrumento.
Ok, então, qual o repertório deve ser estudado para aprender piano?
Antes de falar sobre o repertório erudito, deixa eu esclarecer uma coisa:
- Você está contente com o ensino do seu professor?
- Você mesmo é um professor ou músico e só está procurando alguém que te ensine uma tecnicazinha nova?
- O seu objetivo é simplesmente IMPRESSIONAR as pessoas com música e NÃO, necessariamente, ser um instrumento para a BELEZA?
Se você respondeu sim para alguma dessas perguntas, então você não é a pessoa que busco ensinar no Aprendedo Piano. Fique à vontade para aproveitar todo o material que disponibilizo, mas, de verdade, você nunca entenderá direito do que estou falando.
Dito isso, vamos ao que interessa!
A mensagem é simples:
Não existe outra maneira de aprender a parte técnica e a base teórica necessárias para tocar com DESTREZA e DOMÍNIO, sem estudar música clássica.
É na música clássica que todos os fundamentos musicais se desenvolveram e todo músico PRECISA aprendê-los, MESMO o de música popular.
(Nota: No minicurso de piano para iniciantes, utilizo o repertório clássico. Cadastre-se aqui.)
Para você ter uma referência do método clássico/erudito, procure os autores Czerny, Clementi e Cortot, são os melhores em demonstrar a técnica do instrumento. Claro, não conheço ninguém que aprendeu simplesmente lendo a teoria, sem um professor, mas ali está tudo sistematizado.
O que acontece se você não estudar o método erudito
É impossível você NÃO estudar pelo método erudito, já que as soluções técnicas estão todas nele. O que pode acontecer é um estudo MISTO: algumas convenções da música popular misturadas com técnicas eruditas.
Posso testemunhar, depois de vários anos como professor, depois de receber centenas de perguntas por meio da internet, que se não buscar a CLAREZA dada pelo método erudito, você sempre ficará confuso sobre os detalhes da execução musical.
Sua busca sempre será por uma “sacada”, por um “novo jeito”, porque nunca conseguiu realmente conquistar independência criativa o suficiente.
E por quê?
Porque a criatividade VERDADEIRA só existe utilizando como base um repertório dado pelos grandes estudiosos do assunto.
Um dos desejos mais comuns de quem já estuda piano e chega até mim, é esse expressado pela aluna Maria de Lourdes:
“Estudei piano alguns anos, mas gostaria de ter mais conhecimento de teoria e de exercicios que me dessem mais segurança e desenvoltura.”
SEGURANÇA e DESENVOLTURA: é exatamente isso que o repertório clássico proporciona.
Resumo da conversa
Mesmo que você queira tocar um repertório popular, em algum momento dos seus estudos você precisará recorrer ao método que foi construído pelo estudo erudito.
Se não fizer isso, você criará uma dependência exagerada de um professor e da imitação.
Minha sugestão é que você comece pelo minicurso de piano para iniciantes. Muitas sutilezas são reveladas nessas aulas e tenho certeza que você entenderá melhor o que expliquei neste artigo.
Talvez o próximo passo a explicar, sejam os VÍCIOS mais escabrosos que a MAIORIA dos professores de piano ensinam aos seus alunos indefesos. Esse assunto não tem nada a ver com repertório, então deixemos isso para um outro artigo.
Como escolher o instrumento (piano ou teclado) correto
Aviso prévio: não recomendarei nenhum modelo específico de instrumento — quero apenas esclarecer alguns pontos que serão úteis para você mesmo escolher um piano ou teclado.
Como você já deve imaginar, os parâmetros principais para escolher um instrumento são o OBJETIVO (por que você quer tocar piano) e o ORÇAMENTO (quanto dinheiro você pode gastar).
Vamos começar explicando os 3 tipos básicos de instrumento…
O Piano Acústico
Olha, sou pianista a mais de 30 anos e tenho experiência para dizer: em nenhum outro tipo de piano é possível alcançar a liberdade e o controle de som, proporcionado por um piano acústico.
Mesmo que você nunca tenha ido a um concerto, já deve ter visto um piano de cauda ou piano vertical na TV.

Esse tipo de piano tem uma estrutura especial de madeira, cordas (horizontais ou verticais) e os martelos que atingem as cordas para produzir o som. É essa estrutura toda mecânica que proporciona um controle incrível e um som maravilhoso.
Com certeza é o tipo de instrumento mais caro, e não se encaixa na maioria dos interessados em aprender, mas, enquanto eu viver, recomendarei esse tipo de instrumento (claro, é para quem quer e pode).
Se você tiver paciência para procurar, pode encontrar pianos acústicos usados na mesma faixa de preço de um piano digital.
O Piano Digital
Esse tipo de piano tenta simular ao máximo o comportamento de um piano acústico e, devo dizer, é muito competente no que se propõe.
Sei que alguns defendem que o piano digital tem um som superior ao piano acústico, mas isso não é verdade e estou disposto a aceitar um duelo com quem insistir nisso, 😀 .

Normalmente, quem tem o objetivo de tocar em um piano acústico adquire um piano digital e obtêm ótimos resultados. Como a maioria dos iniciantes não tem o objetivo de ser um pianista profissional, esse é o tipo que mais indico.
É possível encontrar modelos entre R$ 2.500,00 e R$ 3.000,00.
O Teclado Eletrônico
Esse é o tipo mais comum de instrumento. Muitos herdaram um tecladinho do irmão, da tia, do pai ou, é bem verdade, é o único tipo de instrumento que pode comprar.
Agora você deve estar pensando: “Eu não quero ser um pianista profissional, só quero tocar algumas canções para os amigos, para a minha família, tocar na igreja…“.
E eu concordo com você! Para a maioria dos interessados, um teclado eletrônico já é suficiente.
Eu mesmo comecei com esse tipo de teclado.
Mesmo àqueles que pretendem avançar no estudo, seguindo para um repertório que seja necessário mais controle da produção de som, podem utilizar um teclado eletrônico durante todo o primeiro ano de estudo.
(Nota: Todo o conteúdo do meu minicurso de piano, pode ser estudado com um simples teclado eletrônico. Cadastre-se aqui.)
No fim das contas, a característica mais importante é…
O número de teclas
Todos os pianos acústicos atuais possuem 88 teclas e esse é o número necessário para executar um repertório completo. Alguns pianos digitais possuem 64 teclas, mas sugiro sempre um instrumento de 8 oitavas (88 teclas).
O maior problema com o número de teclas está no teclado eletrônico. Os mais baratos possuem apenas 4 oitavas, ou 3, ou 2…
Se por acaso você já tem um teclado de 4 oitavas, tudo bem, ele pode resistir por algum tempo, mas, se você for comprar um novo e estiver com o orçamento apertado, comece com um teclado de 5 oitavas (61 teclas).
Outra característica importante é…
A sensibilidade ao toque
… ou touch response.
O piano acústico e o piano digital respondem a uma força diferenciada de toque: se você atacar a tecla com força, obterá uma resposta do instrumento, se modular a força, obterá outra resposta.
É isso que se chama dinâmica, sensibilidade ao toque ou touch response.
Sempre dê preferência a instrumentos com essa característica.
Não resisti…
Falei que não ia recomendar um modelo específico, mas vou quebrar metade dessa promessa!
Se você está quase falido, está só no cheque especial, está morando de favor na casa do cunhado e precisa de um modelo mais em conta possível, eu diria para você adquirir um teclado eletrônico de 5 oitavas (61 teclas) com sensibilidade ao toque.
A Casio e a Yamaha possuem modelos com essas características, com valor entre R$ 600,00 e R$ 800,00.
Depois de toda essa explicação, quero dizer que, a menos que você tenha um tecladinho daqueles de criança que fazem sons da fazenda, você pode começar com o tipo de instrumento que estiver a mão.
Nunca coloque a culpa na falta de um instrumento melhor: COMECE AGORA!
Assista ao vídeo em que explico um pouco mais o assunto:
Comece o aprendizado de piano por aqui
Finalmente você encontrou este artigo!
Considero esta página uma das mais importantes do Aprendendo Piano, pois é aqui que explico a estrutura de aprendizado que utilizo nos meus cursos. É um conteúdo especial para aqueles que não estão familiarizados com o meu método, mas também serve para os veteranos que desejam relembrar os fundamentos.
Melhor do que isso: tudo que está explicado aqui, você pode utilizar no seu estudo de piano ou teclado, sendo ou não meu aluno. O objetivo é justamente que os iniciantes tomem consciência de quais etapas precisam percorrer.
Em suma, esta página foi criada para que você vislumbre a caminhada de aprendizado que está na sua frente.
Chega de papo furado! Vamos começar falando sobre…
A Pirâmide
Não inventei totalmente uma estrutura de aprendizado, o que fiz foi adaptar o método tradicional, utilizado em música erudita, para ser ensinado por meio da internet.
Na internet, você encontrará sempre dois tipos de abordagens:
- DECOREBA: Toque uns acordes básicos (alguém te explica o que é um acorde?), faça alguns exercícios e, assim que possível, decore uma listinha de 1.000 (MIL) acordes.
- TEOREBA: Estude uma teoria pesada e, ao mesmo tempo, entre numa briga consigo mesmo para transformar a teoria em prática.
Desse jeito, é inevitável que você desanime e acabe pensando que precisa de algum talento especial para tocar piano.
A forma que utilizo é o que eu chamo de Pirâmide do Aprendizado Musical:

(Ok, isso daí é um triângulo e não uma pirâmide, conto com sua compreensão e imaginação…)
Observe que a base da pirâmide é formada pela IMITAÇÃO e TÉCNICA com a LEITURA MUSICAL completando o topo. Veremos cada uma dessas partes.
Imitação — a pérola atirada aos porcos
Esta é uma etapa do aprendizado muito mal aproveitada!
Quem quer bancar o inovador, fala mal da imitação, pois quer dar a entender que possui um método em que a imitação não tem lugar.
Quem utiliza APENAS a imitação, está só querendo se passar por professor de piano.
E qual o lugar certo da imitação?
Bom, o objetivo é chegar ao topo, na leitura musical. Mas a leitura e a escrita são as partes mais abstratas do processo, um monte de outras habilidades podem e devem ser desenvolvidas em primeiro lugar.
O papel da imitação é capacitar o aluno a…
- formar uma postura saudável
- atacar as teclas da maneira correta
- se preocupar com a produção musical de qualidade
- desenvolver coordenação e agilidade
- criar um acompanhamento rítmico corporal
- etc…
Além disso, a imitação de um professor revela ao aluno dificuldades que ele jamais entenderia sem ter colocado as mãos na massa.
(Nota: Se você quer começar pela imitação de maneira correta, faça a sua inscrição no minicurso de piano para iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Por isso a imitação é mal utilizada: normalmente os alunos querem apenas copiar as teclas que o professor ataca, sem tirar proveito máximo disso.
Isso nos leva a…
Técnica — o refúgio dos desesperados
Bastou ficar preso 5 minutos em um problema que o aluno corre para o professor: “— Pelo amor de Deus, me dê alguma técnica para resolver a minha dificuldade…“.
Agindo assim estamos mais uma vez utilizando incorretamente uma etapa do aprendizado. Houve pianistas que nunca utilizaram exercícios de técnica…
… mas, como somos meros mortais, precisamos sim de algum exercício técnico. No entanto, saiba que os exercícios não têm esse poder mágico que o iniciante acha que tem.
O papel do treino de técnica é…
- isolar dificuldades recorrentes
- estimular a concentração em cada trecho imitado
- desenvolver a memória, relaxamento e força muscular
- compor um arsenal de possibilidades para a criatividade
Os exercícios de técnica, combinados com a imitação, são perfeitos para desenvolver a destreza no teclado, além de fornecer armas para vencer as dificuldades que parecem intransponíveis para o iniciante.
Conquistadas essas etapas, o aluno está pronto para a…
Leitura Musical
O objetivo é ler partituras o mais fielmente possível, executando os detalhes de ritmo, dinâmica e velocidade de maneira bela e consistente.
É possível aprender a leitura e execução sem passar pelas outras etapas?
Sim, mas você terá que adquirir as habilidades dadas pela imitação e pela técnica ENQUANTO aprende a leitura, o que é muito mais trabalhoso.
A leitura é a parte mais abstrata do aprendizado — e isso não somente em música: uma criança primeiro aprende a falar imitando os pais, para depois partir para a leitura e a escrita. Por isso a IMITAÇÃO e a TÉCNICA compõem a base da pirâmide, portanto a parte mais “gorda” dos estudos.
A leitura é a cereja do bolo, completando o topo da pirâmide: pela leitura, o estudo vai se refinando do mesmo jeito que o topo da pirâmide se torna mais fino.
E depois disso?
Não sei se você tem essa expectativa, mas sei que vários alunos estão ansiosos para sair tocando piano ou teclado, livres de partituras e cifras, criando melodias e acompanhamentos um atrás do outro, como se fosse uma fábrica de música.
Não duvido que existam pessoas com um talento extraordinário e precoce desse jeito e, se você é uma dessas pessoas, o que está fazendo lendo o meu blog? 😀
Para conquistar a capacidade criativa VERDADEIRAMENTE bela e impactante, você precisa conquistar em algum nível as habilidades dadas pela pirâmide. Tenha paciência consigo mesmo e, se quer uma sugestão, comece pelo meu minicurso que já é um bom material para imitação.
Mais explicações…
Muita coisa ainda pode ser dita para os iniciantes, mas, se você entendeu bem como funciona a Pirâmide do Aprendizado Musical, já deu um primeiro passo importante.
Os próximos assuntos que prentendo explicar, são os seguintes:
- qual o melhor instrumento para começar
- qual repertório deve ser estudado
- quais os piores vícios que precisam ser evitados
- como vencer as dificuldades iniciais mais desanimadoras
Aguarde que ainda tenho muito conteúdo para publicar!






