As mãos de esqueleto do laboratório de ciências
Isso aconteceu há muitos invernos, quando eu tinha 12 anos (ainda um pequeno marechalzinho sem patente):
Nas aulas de ciências, eu e meus colegas, aproveitando a ausência do professor, circulávamos com aquele esqueleto de laboratório escolar, imitando a voz do Esqueleto do He-man.
Um imitava a voz e os outros balançavam o braço do esqueleto.
E como tinha as mãos moles, o braço levantava e a mão caía.
Essa mãozinha caída de esqueleto, é recorrente em muitos estudantes de piano.
Principalmente aqueles que não são meus alunos 😛
O efeito a longo prazo são as dores nos punhos…
E o efeito imediato é não ter controle pra atacar as teclas corretas, principalmente as teclas pretas, e não conseguir desenvolver a noção espacial para os saltos.
É pra favorecer a precisão de teclas e de salto que se toca com as mãos alinhadas ao antebraço.
Além de evitar dores musculares.
(E de favorecer o controle de som, como mostrei no vídeo de vício do punho)
E não existe maneira dos cabeças-de-pudim inveterados resolver esse problema.
Primeiro porque exige o diagnóstico.
Segundo porque é necessário reservar um tempo na rotina de estudos para, com consciência plena, se dedicar a contornar esse problema, tocando algum exercício ou música com os punhos baixos.
Duvido muito que um cabeça-de-pudim do tipo esqueleto de laboratório tenha alguma “rotina de estudo”.
Esses nem entendem o que isso significa.
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A síndrome de Van Damme
Sou um grande fã dos filmes de Jean-Claude Van Damme (JCVD daqui pra frente)…
Minha opinião cinematográfica é que ninguém faz filmes ruins tão bons quanto ele.
JCVD é um grande mestre dos meus momentos cabeça-de-pudim.
E existe uma porção de estudantes de piano que não apenas apreciam os filmes dele, mas até copiam seu estilo no piano (o que é uma coisa horrível), criando a espantosa síndrome de Van Damme.
Aqui está o cerne da questão:
JCVD treinou Karatê por muito tempo e, como também sou apreciador de artes marciais, sei que o essencial dessa arte é encontrar o golpe definitivo e único, ou seja, o golpe perfeito. Por isso, em luta de grandes mestres, os oponentes podem ficar um tempão sem atacar, somente esperando a oportunidade para o golpe perfeito.
Acontece que JCVD transformou o golpe perfeito de Karatê, no golpe esteticamente perfeito.
O golpe perfeito nos filmes dele, são os golpes bonitos.
Rapare bem…
Em quase todos os filmes, JCVD apanha feito um cachorro até o momento culminante:
Ele dá um golpe que é na verdade uma pintura…
Uma foto…
Algo plástico de cinema.
Mas, como arte marcial, não é uma coisa séria.
Ele mesmo admite que aqueles giros e chutes tem mais a ver com ballet do que com luta.
(Aliás, ele treinou ballet por anos)
E o que muitos muitos muitos estudantes de piano fazem?
Eles criam algo na cabeça deles que chamam de “perfeccionismo”.
Mas é o perfeccionismo dos giros e chutes do Van Damme:
Servem pra passar no cinema.
E o cinema, no caso do estudante de piano, é a cabeça dele.
Mas fora desse cinema, na vida real, aquilo é uma piada.
Em todos os casos de “perfeccionismo” que tive oportunidade de lidar, a coisa não passou de invenção que ou pode prejudicar seriamente o aluno, ou o impede de realmente alcançar o resultado necessário pra se desenvolver. Quem quer começar a se livrar disso, comece substituindo o seu “perfeccionismo” por alguma outra meta mais objetiva.
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Nunca é demais assassinar novamente um pré-conceito estúpido
Nunca é demais insistir neste assunto:
Quando comecei meu trabalho na internet, e de cara comecei falando sobre “imitação”, eu tinha alguma noção do problema que estava arrumando.
As palavras aceitas automaticamente hoje em dia são “inovação”, “criação”, “invenção” etc.
E usar a palavra “imitação” parecia um tiro no pé.
Já contei em outro lugar:
Meus primeiros meses de experiência com o trabalho virtual foram de luta contra o pré-conceito de que fazer música é sentar no piano e largar qualquer coisa que venha na cabeça (mesmo que a pessoa em questão não tenha nada que preste na cachola).
E contra a idéia de que professor é quem ensina esse “largar qualquer coisa”.
Nesta semana eu conversava com um aluno particular, que me contou a seguinte história:
Quando ele se interessou por piano, tinha justamente essa idéia de sentar e largar a máquina de música.
Não que alguém tivesse lhe dito que era assim.
Mas era a impressão que tinha quando via alguém tocar piano.
Ele passou então algum tempo trocando de professor, sempre insatisfeito.
Estudava harmonia, partitura, treinava o ouvido, improvisação, repertório etc etc.
Mas nunca chegava a virar a máquina de música.
Estava sempre repetindo os estudos e tentando entender o que outras pessoas já haviam feito.
Segundo conta, foi um choque quando finalmente percebeu que “estudar” é estudar o passado.
Hoje em dia ele afirma que todos os músicos e professores falam muito sobre “liberdade” na música, sobre a “expressão musical”, mas que tudo não passa de uma confusão de quem ouve. Isso é óbvio, pois se um médico falar algo sobre sua profissão, ele vai contar sobre as cirurgias e sobre os diagnósticos exatos e quase milagrosos que fez, mas não vai contar quanto tempo precisou se dedicar pra isso acontecer.
Por isso insisto tanto que os interessados coloquem a mão na massa.
Que parem de apenas sonhar.
Assim logo podem saber se estão ou não dispostos a aprender.
Que comecem logo a fazer seu pão musical.
Pois é necessário absorver repertório.
É necessário abusar da repetição.
É necessário estudar teoria.
Aguentar tudo isso, foi um dos sentidos pra “vocação” que usei em outro texto:
É a capacidade de aguentar esse trabalho.
Nada disso quer dizer que o trabalho precise ser enfadonho.
Nem obsessivo.
Apenas quer dizer que entender esse cenário vai ajudar você a não desanimar, pois se existe ou existiu alguém que não teve de passar por isso, é apenas exceção que confirma a regra.
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2 dicas pra desenrolar seu estudo de piano
Quem está meio confuso de como desenrolar a rotina de estudos…
Pode seguir 2 dicas dadas abaixo.
As dicas não são minhas, são da minha aluna Iana Evane.
Eis:
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Uma coisa que me ajudou muito agora no início de junho foi adotar a agenda de estudos escrita mesmo, onde eu coloco o que desejo estudar no próximo dia, dividindo a primeira meia hora em exercícios de técnica, e em seguida as peças. No dia do estudo eu coloco o aproveitamento e agendo novamente aquele ponto que não ficou tão bom para o dia seguinte caso seja necessário. Isso ajudou a parar de me boicotar rsrs
Professor eu leio todos os seus emails, e vejo todos os vídeos do youtube, além do curso pago, tudo isso somado tem me ajudado muito a não ter “ilusões pianísticas”, mas encarar como algo concreto que precisa de paixão pra impulsionar a fazer, mas precisa de razão para executar. Realmente o estudo tem feito a diferença até mesmo na minha vida! Tenho refletido em meio às dificuldades: o que é mais difícil, tocar aquela peça ou enfrentar esse problema? (por exemplo um problema no trabalho) Percebi que tocar é bem mais difícil, mas com o método certo e cercada de pessoas boas, tudo pode dar certo.
Outra coisa que me ajudou foi começar a postar pequenos vídeos no meu instagram (esse foi o conselho de um amigo), pra perder a vergonha, de repente pelo fato de saber que meus amigos estão vendo =D
Então percebi que isso me motiva a aprender e postar sempre um vídeo melhor da próxima vez.
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Veja só:
1) Utilizar uma agenda de verdade pra traçar metas.
2) Gravar pequenos vídeos e publicar para os amigos.
Esses são princípios que já recomendei antes…
O princípio de manter a consciência do objetivo de cada estudo feito e o de tocar pra alguém, de sair da corrida atrás do próprio rabo que é o “tocar pra mim mesmo”.
Achei espetacular essa solução de utilizar uma agenda.
É como se o aluno firmasse um compromisso consigo mesmo.
Se tem alguém aí que está com dificuldade de se organizar, já tem dicas de onde começar.
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Quando uma aula particular de piano é proveitosa?
Marlei Vilela me pergunta:
(parafraseando)
“Nunca tive aulas particulares, mas encontrei um professor que pareceu confiável. Como saber se a aula foi proveitosa?”
Seguinte:
Comecei a aprender piano nessas escolas bem caseiras de bairro.
Logo um amigo da família percebeu que meu desenvolvimento estava meio esquisito…
E resolveu ele mesmo me dar aulas.
Nossa, foi fantástico!
Aprendi muito muito sobre música com esse professor.
Além de ele ser muito simpático.
Mas, apesar disso, mesmo percebendo que meu conhecimento teórico e intelectual do universo musical estava aumentando, minha capacidade de tocar o piano mesmo, de colocar a mão na massa, estava meio estagnado. Eu percebia isso, e até comentava com o professor. Algumas peças ficavam pelo caminho pois eu não conseguia resolver elas tecnicamente falando.
Esse comportamento começou a ser recorrente.
Mesmo sabendo qual deveria ser o resultado final, esse professor não sabia como me guiar até ele.
Só percebi isso claramente depois de mudar de professor.
Isso quase 1 ano depois.
Puxa, e encontrar um professor que sabia o que estava fazendo, que sabia como guiar, foi como encontrar um professor que sabia tirar os problemas com a mão.
Por isso entendo perfeitamente a pergunta do Marlei.
Muitos professores parecem ter intimidade com a música, mas isso não quer dizer necessariamente que saibam guiar um aprendiz no instrumento.
Por isso minha resposta definitiva é:
Para os iniciantes e intermediários, uma aula proveitosa é aquela na qual o professor ensina como estudar.
Não basta dizer o que está ruim, ou em comentar sobre o resultado final.
É preciso mostrar o caminho pra acertar as coisas.
Os alunos não podem ouvir uma lista de coisas a melhorar e chegar em casa sem saber como realizar esse trabalho.
Acho possível que quem acompanha meu trabalho pelo Youtube, tem um bom modelo de como é possível abordar os problemas no piano e, por analogia, pode comparar com um professor particular.
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Às vezes só a confusão é ordenada
Vez ou outra alguém me pergunta:
“Qual a ordem dos seus vídeos no Youtube?”
Ou:
“Por que você não faz playlists pra dividir os assuntos e níveis?”
Resposta:
Não existem ordem.
Jamais farei playlists.
Aqui está o motivo:
Já expliquei que pela internet não vi eficácia em seguir uma estrutura rígida de níveis.
E que a solução mais proveitosa foi atacar o aprendizado por problemas.
Pois bem, a esmagadora maioria dos meus vídeos falam sobre problemas.
E pra resolver problemas não existem níveis.
Minha pretensão é que o aluno entre em contato com esse caos de vídeos do meu canal e se torne íntimo dele. Assim esse mesmo aluno vai, internamente, criando uma ordem. É o que o professor Olavo de Carvalho chama de “confusão luminosa”.
Quem olha de fora não encontra por onde começar.
Mas quem entra e se mantém atento por tempo suficiente, começa a criar uma ordem particular, algo que para o próprio aluno apresenta uma lógica pessoal.
É como se fosse obrigar o interessado a colocar a inteligência pra funcionar.
Isso tem uma vantagem adicional:
Tem coisa que afasta mais os cabeças-de-pudim do que isso?
Algo que os irrite mais do que obrigá-los a pensar?
Quem acha que tenho a obrigação de resolver todos os tipos de dúvida de um total desconhecido e tenho que fazer isso em 5 minutos, realmente nunca vai compreender meu trabalho.
Em outras palavras:
Não sou um Youtuber.
Não estou interessado em bater recordes de visualização.
Se tiver que passar a usar outra plataforma, sem problemas.
Mas vou continuar sendo o mesmo professor.
E tenho meu jeito de instigar os alunos.
A “confusão luminosa” no canal do Youtube é um desses jeitos.
Enfim, resumindo:
Os vídeos do meu canal do Youtube servem pra ser estudados (não são dicas ocas, mas algo a ser colocado em uma rotina), então é primordial que o interessado tenha uma boa noção do que está publicado ali.
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A embriaguez musical
Alguns conhecem a divisão que faço entre pão e vinho musical.
Sobre como o pão é necessário pra adquirir a capacidade de produzir vinho.
Vamos resumir:
Pão é o trabalho contínuo, técnico e repetitivo…
É um pouco seco e sem gosto (é possível aprender a apreciá-lo).
Vinho musical é o estudo de como a música age no ouvinte, é entender sua expressividade, entender como a parte mecânica toma vida.
Vinho é saboroso e revelador.
Relevador do quê?
Quem abusa do vinho, ingerindo sem moderação, revela aos outros as consequências simbolizadas nesta lenda judaica:
Quando Noé preparava o terreno pra plantar a primeira vinha, o diabo em pessoa se ofereceu pra ajudá-lo. Noé concordou e passou a tarefa de irrigar o terreno ao coisa-ruim.
O tinhoso, em toda sua maldade, espalhou o sangue de 4 animais no lugar da plantação.
Por isso todos que abusam do vinho viram 4 tipos de animais:
* Cordeiro: sonolentos e inofensivos.
* Leão: irritados e brutais.
* Porco: estúpidos e depravados.
* Macaco: tolos e travessos.
É possível encontrar esses 4 tipos de consequência em cada música.
Ou no caráter do próprio músico.
O músico sem a barriga cheia de pão, não consegue temperar esses efeitos…
E cai na breguice, porque busca somente o efeito, sem entender as causas.
Tive um professor que incluía entre as pré-condições do estudo musical, ter uma personalidade forte. Hoje entendo isso, entre outras coisas, como sendo alguém possuidor de uma personalidade que não se deixe seduzir por esses efeitos da música.
Alguém que saiba as usar e não ser usado por elas.
Quem quiser pode fazer esta experiência:
Escute uma música por vários dias e vá notando como ela movimenta seu mundo interior.
Assim pode-se começar a perceber o que é esse vinho.
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3 tipos de vocação obrigatórios pra aprender piano
Não é necessário nascer sabendo piano pra tocar piano.
Isso é óbvio.
Também não é necessário ter um dom extraordinário e sobrenatural.
Isso é meio óbvio.
Acontece que é necessário sim alguma vocação, mas uma vocação diferente desse tipo mágico que as pessoas pensam. Aliás, a maioria dos pianistas que eu conheço não encara aquele “Nossa! Você tem um dom!” como elogio, pois dá a entender que ele recebeu algo de graça, sem dedicação.
Conheço 3 tipos de vocação que são obrigatórios, caso alguém queria aprender piano ou teclado.
As duas últimas aprendi com professores diferentes.
1) Vocação é um chamado.
Esse é o sentido preferido dos palestrantes de auto-ajuda:
Vocação deriva do latim “vocare” (chamado), portanto é uma inclinação muito forte que você sente pelo objeto em questão, quase como uma voz interna que te indica aquela direção.
Nem sempre esse chamado é algo claro.
Muitas pessoas só sentem essa inclinação depois de ter algum contato com o instrumento.
E sem os dois tipos de vocação seguintes, esse chamado vira canto da sereia.
2) Vocação é uma resistência pessoal.
Pense bem:
Se não é necessário dom sobrenatural e o chamado inicial pode enfraquecer, o que mais pode significar vocação?
Ela é uma resistência pessoal em passar pelas dificuldades sem muitos abalos.
Não importa o quanto seja necessário batalhar…
Aquele que tem vocação musical está disposto a enfrentar.
3) Vocação é uma capacidade de transformar o abstrato ou teórico em prática.
Mesmo que tenha sido chamado, mesmo que mantenha disposição, algumas pessoas são incapazes de transformar aquilo que um professor disse (ou que está escrito em um texto) em ação.
Não sei direito quais são as razões disso.
Muitas vezes o professor pode ser o culpado.
(Por isso é necessário experimentar professores)
Mas o fato é que algumas pessoas não conseguem avançar muito na prática.
E não é preguiça.
Percebo que é um problema de imaginação.
Enfim, sabendo desses 3 níveis de vocação, muitos podem saber se tem o que é necessário.
(Nota: Se você nunca encostou em um piano e deseja começar a entender o que precisa fazer, então cadastre-se no Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Uma última observação muito importante
Um grande mestre tentando explicar os princípios da sua arte, pode ser um desperdício inacreditável.
Qualquer pequeno detalhe dito de passagem pode ser mais importante do que 90% da explicação.
Não temos outra alternativa senão manter a atenção.
Veja o que diz Carl Czerny, quase como quem comenta sobre o clima:
“Permita-me fazer uma última observação importante: o mais instantâneo reconhecimento das notas em uma partitura valerá de muito pouco, se, ao mesmo tempo, os dedos não tiverem a agilidade de atacar as teclas para tocar.”
Não sei se ficou clara a importância disso.
99% dos aplicativos de música relacionam a “leitura à primeira vista” com o reconhecimento das notas na pauta.
E, devo dizer, a maioria dos professores também acha isso.
Perceba como isso é capaz de travar seu estudo.
Uma pessoa pode organizar todo seu estudo, baseado nessa premissa falsa.
E é questão de tempo para que essa pessoa percorra todas as caixas de comentários da internet, implorando pelo pulo do gato pra ler partituras, porque ela já decorou as posições e ainda não consegue sair do lugar.
Claro, ela poderia ter encontrado ali como “última observação importante” do maestro Czerny:
(parafraseando)
“O reconhecimentos das notas valerá pouco sem a agilidade de tocar essas notas”
Então não importa o quanto alguém já saiba de teoria musical…
Se o objetivo é tocar um instrumento, o corpo precisa aprender a fazê-lo.
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Música é como uma cebola (sem as lágrimas)
Preste atenção nestas palavras da minha aluna Regina Oliveira:
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Nos últimos dias descobri que essa nova maneira de estudar está influenciando muito na maneira de eu OUVIR música. É até difícil de explicar (e eu espero que você não ache que eu sou louca haha) mas músicas que eu conhecia a anos estão diferentes ao meu ouvido, parece que eu estou conseguindo ouvir mais “camadas” das mesmas músicas, sutilezas que eu não ouvia no piano ou outros instrumentos, e não só com músicas eruditas, vai do clássico ao rock ! 🙂 Parece que quanto mais atenção eu tenho com o que eu toco se reflete no entendimento do que eu ouço, é engraçado porque causa uma sensação até meio assustadora, parece realmente como uma porta que se abre para um lugar novo ao mesmo tempo desconhecido, mas que eu quero ir ! Como eu não gosto de dar bola pra medo então vou em frente 🙂
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A impressão da Regina está certíssima:
Música é feita de camadas.
E, assim como as cebolas e os ogros, a primeira camada que vemos pode não ser lá muito animadora…
Ou pode parecer simples demais.
Mas a medida que as camadas vão se revelando, algo que não parecia existir em um primeiro momento, é que percebemos como aquele objeto é frutífero.
Cada camada apresenta uma textura diferente.
E diferente das cebolas, ao penetrar nessas camadas, nossos olhos não ardem exigindo lágrimas.
Bem, até pode haver lágrimas, mas são de emoção.
O nome desse processo é “educação”.
A pessoa sai de um estado de trevas para um estado mais iluminado…
Em que percebe melhor as coisas.
Não sou petulante e arrogante o suficiente pra dizer que meus treinamentos trazem esse resultado automaticamente. Isso é balela do gênios criadores de fórmulas mágicas.
Mas seguir os princípios que ensino, criam o cenário ideal para o aluno penetrar nessas camadas.
Assim espero contribuir para que o ensino de piano e teclado saia desse “bater acordes” em que se transformou.
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