Tirando o máximo proveito dos truques de piano

Quando disse que a “experiência” é a coisa mais importante e esquecida ao estudar piano, claro que não é apenas “porque sim”.

Existem motivos.

Um dos mais importantes é que a experiência faz o estudante enxergar o que não enxergava.

Faz cair escamas dos olhos.

O aluno se torna capaz de perceber que ensinamentos que pareciam “dicas”, “detalhes”, etc, na verdade são essenciais para o seu desenvolvimento.

O aluno realmente aprende o que fazer com os truques.

Meu aluno Leandro Vieira confirma:

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Caro Felipe,

quero relatar um pouco da minha experiência com o seu método. Sou seu aluno desde o ano passado, e venho percebendo que estou progredindo num processo que não é rápido, mas que é consistente. Decidi confiar no seu método pelo simples fato de você não prometer mundos e fundos para seus alunos. Particularmente, tenho muita antipatia por frases de efeito e clichês tipo: aprenda a tocar em 1 mês, aprenda com o método revolucionário, blá blá blá. Enfim, estou estudando com você, primeiro porque me identifiquei muito com o instrumento (piano), porque não gosto de ser iludido por promessas e linguagens de marketing e porque seu método me passou uma ideia de aprendizado consistente.

Bom, falando especificamente sobre o processo, venho trabalhando nas escalas, tanto que já até decorei a ordem dos sustenidos e dos bemóis. Contudo, depois de assistir um vídeo em que você fala da importância da articulação dos dedos (algo que não havia dado muita bola até então) eu resolvi experimentar. Para minha surpresa, descobri uma série de imprecisões que eu não sabia que ainda tinha. Pude ver que estava acentuando algumas notas e tocando fraco outras. Resultado, passei a articular bem os dedos no estudo das escalas e já estou notando melhora.

Outra informação providencial que você passou foi a de não tocar com as unhas. Pude ver que meus dedos estavam muito encolhidos e, assim, tive que reposicionar os dedos no teclado. Eu vinha observando há algum tempo alguns pianistas tocando e verificava que meus dedos não ficavam como os deles, mas não conseguia saber a razão. O seu vídeo me fez ver que era exatamente isto, os dedos não estavam relaxados, mas encolhidos demais. Eu já venho observando melhora na execução, até a plástica dos movimentos está mais bonita.

Ah, não posso me esquecer do vídeo em que você fala em não ficar preso a somente uma peça e não estudar sempre igualzinho todos os dias. Ao diversificar mais a ordem dos estudos, estudar mais de uma peça, verifiquei que o estudo ficou mais interessante, pois não tenho como negar que por vezes me senti entediado. Eu tenho facilidade com rotina, por isso, mesmo entediado estudava, mas ao diversificar, fiquei bem mais interessado. Enfim, o que tenho a dizer é que o seu método tem me feito avançar e agradeço por isso.

Abraço,

Leandro Vieira

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A coisa mais esquecida no aprendizado de piano

Acompanhe esta lista:

– Escalas

– Fraseado

– Exercícios

– Ritmo

– Técnica

– Partitura

– Harmonia

– Solfejo

– Teoria

– Qualquer outra coisa que qualquer professor (incluindo eu) possa falar sobre aprendizado e estudo de música e de piano.

É uma boa lista genérica.

Dá uma boa visão do que compõe a vida de um estudante.

Falta apenas a coisa mais importante de todas.

Não sei bem o motivo de não incluirmos essa coisa.

Provavelmente porque essa coisa não é exatamente musical. E como professores e amantes de música, queremos falar de coisas musicais. Imagine que um aluno chega em uma escola de música querendo saber mais como tudo funciona, empolgado pra se transformar em alguém capaz de produzir música, e a primeira coisa que o professor fala é sobre essa coisa. 99% dos interessados sairiam correndo.

Tem também aqueles professores que querem dar a entender que possuem algum segredo.

“O segredo dos exercícios…”

“O segredo da harmonia…”

“O segredo das partituras…”

E não dá pra enganar dizendo que tem o segredo se não for algo especificamente musical.

Ok, chega de suspense.

Me refiro a “experiência”.

Contato constante com música.

Tocar por muito tempo.

Básico, não?

Quem fez faculdade e foi arrumar um emprego sabe do que estou falando.

Não existe nada melhor do que dois anos de mão na massa em alguma função pra bater qualquer estudo acadêmico.

Mãe de primeira viagem também sabe disso.

Depois que a criança completa 2 anos, não há nada que ela não saiba resolver para o filho.

Então, mesmo que você veja um monte de professores, instrutores, métodos, blá-blá-blá, falando sobre algum parâmetro ou qualquer coisa musical, nunca esqueça que, sim, é verdade, essa coisa musical é importante, você precisa estudar essas coisas e, mais importante ainda, precisa TOCAR.

E-x-p-e-r-i-ê-n-c-i-a.

Não troque um parâmetro musical qualquer por isso.

Então, sem mais perda de tempo, mãos à obra!

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Siga exatamente esse meu exemplo, mas ao contrário

Me perguntaram em qual ocasião fui um aluno pé-no-saco.

Lembrar disso me dá um pouco de tristeza, mas vale a pena.

Eu deveria ter uns 15 anos… ou quem sabe 16? Enfim, há muitos muitos invernos, uma professora de teoria musical estava me preparando para os estudos de harmonia. E era uma tremenda de uma professora. Ainda hoje, vez ou outra, tento imaginar como ela abordaria certos tópicos, isso me ajuda a encontrar o tom certo nas explicações.

Um dia ela interrompe a aula e pergunta:

“– Felipe, você está absolutamente convicto que vai se dedicar à música?”

Apenas respondi:

“– Sim, estou”

E ela:

“– Você nunca pensou em seguir qualquer outra carreira mais normal e manter a música como uma atividade secundária?”

Hoje enxergo claramente o que ela estava fazendo.

Ali estava um jovem que precisava saber claramente as opções disponíveis.

Ela estava cumprindo o papel de mostrá-las.

(Ou pelo menos de tocar no assunto de alguma maneira)

Quem sabe poderia pedir que ela explicasse melhor…

Ou ela esperava que eu dissesse:

“– Já pensei nisso e estou absolutamente convicto que meu lugar é na música…”

Ou:

“– Ehhh professora, tenho pensado muito em engenharia civil ultimamente…”

Enfim, algo que continuasse o diálogo.

Mas, infelizmente, só pensei na hora que ela estava meio que dizendo que eu não tinha vocação pra música. Fiquei totalmente na defensiva. Nem lembro realmente o que falei na hora, mas me senti desafiado. Lembro claramente que para as aulas seguintes, estudei como um louco o livro Teoria Elementar da Música, de Osvaldo Lacerda, somente pra encontrar erros nos ensinamentos da professora.

Já não estava mais interessado em aprender.

Mas em desafiar.

Como tive a impressão de ser desafiado (já que ninguém tinha me perguntado isso antes), minha única reação foi tentar provar que ela estava errada. O modo que encontrei pra fazer isso, foi mostrar que ela era um professora ruim.

Depois de mais 3 ou 4 aulas desisti de frequentar as lições.

Sei que perdi uma oportunidade de aprender com quem realmente sabia.

Felizmente não mantive por muito tempo essa atitude.

E muito do estilo dela tornou-se o meu.

Essa atitude de jogar limpo, mostrar como o jogo é jogado, de não tentar encobrir as coisas… de quando alguém chega “– Ah, como amo piano, piano me faz sonhar, me sinto pisando nas nuvens”… minha resposta é algo do tipo “– Então desça da nuvem, coloque a bunda no banquinho e comece o trabalho. O instrumento é teimoso e só entrega o melhor de si pra quem se mostra digno”.

Se não é um aventureiro, o aluno deve pensar “Quero me tornar digno”.

Era esse tipo de decisão que minha antiga professora buscava obter.

Assim como eu aqui.

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Como ser um pé-no-saco profissional

Algumas vezes já comentei por aqui os problemas que tive com professores ruins.

Acho que ainda não comentei nada sobre quando o problema era comigo.

Sabe como é, quando nos tornamos alunos de alguém, é fácil entrar no modo de pensamento “direito do consumidor”, no qual podemos falar do jeito que quisermos, perguntar qualquer coisa que vem na cabeça, não importa, é “obrigação do professor responder qualquer coisa”. Ainda mais que nas últimas décadas a autoridade do professor foi massacrada.

Não existe mais professor, existe “facilitador”.

No máximo, “instrutor”.

(Aos pedagogos moderninhos: “facilitador” é o abridor de lata, não o professor)

Bem, já fui possuidor dessa mentalidade de consumidor, e me relacionei mal com muitos professores.

Digamos que eu era um aluno pé-no-saco profissional.

Eu realmente achava que o professor tinha de “provar” as coisas.

Tinha de argumentar, no mesmo sentido que um advogado tem de fazer.

E era com essa intenção que eu fazia as perguntas.

Olhando pra trás, vejo que com dois professores (que eram excelentes) não pude tirar o proveito necessário por causa desse comportamento. Ainda bem que essa fase não durou muito. Quando comecei a dar aulas, pude enxergar melhor o papel do professor. Assim, sem precisar pensar muito no assunto, me tornei mais “aluno” e menos “pé-no-saco”.

Mas foi apenas recentemente que enxerguei a diferença definitiva entre os comportamentos.

Quem me explicou foi o professor de filosofia Luiz Gonzaga de Carvalho neto.

A diferença está entre ser “inquiridor” ou ser “contestador”.

Pra entender melhor, basta a definição dada no dicionário…

Inquiridor: “Aquele que investiga para apurar a verdade”.

Contestador: “Aquele que nega a verdade de um fato”.

Assim a diferença fica evidente.

Quem sabe algum problema que você passou não foi por contestar ao invés de investigar?

Espero poder falar mais sobre isso futuramente.

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Pela persistência, o inimigo é derrotado

Nenhum barco zarpa enquanto o tempo não estiver favorável.

Se o vento estiver forte, as ondas furiosas e as nuvens carregadas, poucas embarcações sairão do porto pra fazer qualquer viagem que seja.

Quando tudo estiver calmo, os barcos poderão zarpar.

Mas não existem muitas garantias de que o vento não mude durante o caminho.

Se a viagem for longa, uma tormenta pode se formar.

Então pode ser que o barco seja jogado pelas ondas.

Em uma situação dessa, é muito difícil controlar a embarcação.

Eventualmente os ventos acalmam e é preciso colocar-se em direção ao destino novamente.

Calcular os danos e ver o que é possível fazer com o que restou.

Pense bem na situação da tripulação de um barco que passou por essa situação: não existe uma opção de voltar atrás. Não existe opção de ter o tempo bom novamente. Pular do barco na maioria das vezes não é uma opção sensata. Só resta persistir. Resta apenas fazer aquilo que se tem treinado para essas situações e mais nada.

Essa é uma bela imagem de quem decide aprender piano.

Todo mundo começa bem empolgado.

Cheio de expectativas e disposto a seguir o caminho até o final.

Ninguém zarpa em tempo ruim.

Mas é quase inevitável que se formem as tempestades.

Diferente da tripulação do barco, o estudante de piano tem a opção de desistir de tudo. Abandonar os estudos devido uma dificuldade qualquer. Mas quem persistir, vence o inimigo. E com a experiência acumulada, cada nova tempestade é vencida com mais segurança. E a volta ao curso normal é retomada com mais rapidez.

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Condenados ao reformatório

Estudantes com mais de 5 anos de contato com o piano reclamam bastante de dores nos ombros e no antebraço. É o típico problema de tensão que nenhum iniciante dá bola, somente depois que as dores aparecem. O vídeo abaixo serve para os veteranos aprenderem um modo de estudar que ajuda a resolver esses problemas de tensão (ou pelo menos ajuda a começar a resolver).

Não tem jeito, é preciso passar pelo reformatório!

Confira aqui:

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5 princípios para o aprendizado autodidata de piano

Já expliquei isto antes:

O ensino online está entre o aprendizado guiado e o aprendizado autodidata.

Portanto existem problemas que são os mesmos dos autodidatas.

Abaixo deixo uma lista com 5 princípios pra se sair bem nesse tipo de aprendizado.

“Princípios” não são simples regras teóricas.

São elementos fundamentais que servem de sustentação, exatamente como o fundamento que sustenta uma casa: sem esse fundamento a casa estará frágil e, muito provavelmente, não será possível nem mesmo terminar de construí-la. Tire a sustentação de algo e veja que não importa a qualidade do material utilizado ou os adornos, tudo virá abaixo.

Eis os princípios:

1) Não tenha autopiedade e não faça drama

Normalmente o estudante sem professor começa a sentir pensa de si mesmo.

É fatal.

A autopiedade é a porta de entrada pra abandonar os demais princípios.

2) Encare o aprendizado por problemas, não por níveis

Não adianta fazer de conta que você saberá se auto-avaliar.

Não confie que sabe “onde está”.

Siga entendendo suas dificuldades e as resolvendo com diligência.

3) Não crie uma rotina fácil demais

Criar uma rotina fácil demais é um clássico pra manter a ilusão de que está avançando.

4) Seja fiel ao núcleo principal de estudos, mas preencha o resto com o que preferir

Nunca inverta a ordem do núcleo de estudos que o mantém avançando e outro estudo que é despertado por seus interesses e pela curiosidade.

Uma coisa complementa a outra.

Mas existe uma ordem na hierarquia.

5) Manter-se motivado é entender o processo pra alcançar o resultado desejado

Outro clássico pra manter a ilusão de que está avançando é mudar o caminho a toda hora, sempre achando que “agora descobri o pulo do gato”. Na verdade você deve entender como usar as ferramentas existentes e onde cada caminho leva. É esse conhecimento que dá a liberdade pra chegar até o ponto desejado.

É esse conhecimento que reforça a segurança e irriga a motivação.

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Adoro o cheiro de perguntas frescas para o almoço

Nada como o cheiro de perguntas frescas em uma noite de quinta-feira.

Junto abaixo algumas e que sirvam pra esclarecer algo pra alguém :D.

(Não repare na gramática das perguntas, eu simplesmente copiei e colei).

Vamos lá:

1) “Quantas horas por dia pode se realizar os exercícios visando ter uma melhora nos respectivos dedos a curto / médio prazo?”

A resposta depende da sua rotina.

Você pode fazer 70/30 entre músicas e exercícios.

Ou 80/20.

Ou escolher alguns dias somente pra exercícios.

A melhora vem em poucos dias, desde que se mantenha a continuidade.

2) “N sei se tem algo a ver, mas , eu toco violão e guitarra a 5 anos, isso pode me ajudar com o piano?”

Pode.

Mas não do jeito que se pensa.

O principal ganho não é em desemprenho mecânico, mas na prévia intimidade com música.

Mas, fora isso, a ajuda é pequena.

Violão é UM instrumento, piano são onze :P.

3) “Já ouvi falar que pra afinar um piano é algo bastante complexo, quase uma arte em si. Isso é verdade, eu ficaria dependente de terceiros pra afinar meu piano?”

Sim, é um arte em sim.

Algumas semanas atrás fiz vários testes de afinação no meu piano.

Existem várias relações que só quem está dedicado nesse trabalho pode entender e resolver.

Geralmente as pessoas pensam que um iniciante desafina mais um piano acústico, mas isso não é verdade. O modo de estudar de um iniciante exige menos do instrumento, portanto ele perde menos sua afinação. Se o instrumento estiver em boas condições, uma afinação anual já é o suficiente.

4) “olá Felipe eu estou começando a tocar agora, mas eu estou começando a ter dores no tendão dos dedos mínimo e anelar. o que posso fazer para tocar direito e sem me machucar ???”

Se as suas dores forem algo fora de um simples cansaço, procure um médico.

Fora isso, faça o exercício que passei durante menos tempo e de maneira mais leve.

Pode ser que a musculatura das suas mãos esteja estranhando esse novo tipo de trabalho.

Com o tempo você entende melhor seus limites.

Mas precisa insistir no treino pra que seu corpo se acostume.

5) “A única maneira de aprender o ritmo é através do metrônomo?”

O metrônomo não serve pra aprender ritmo.

Serve para conferir se estamos fazendo certo.

Deve-se saber contar os tempos e conhecer a proporção entre os diferentes valores de nota. Isso é aprender ritmo. Uma grande ajuda pra isso é seguir um treinamento de solfejo rítmico.

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Minha opinião não solicitada sobre pobreza

Acabei de voltar de uma viagem de algumas semanas pela Romênia.

Um conjunto de experiências serviu pra consolidar e alterar algumas opiniões minhas.

Ninguém me perguntou, mas digo do mesmo jeito…

Quatro coisas me impressionaram demais nessa viajem:

1) A burocracia romena

Acostumado com países burocráticos como Brasil, Itália e França, jamais achei que a quantidade de papéis e regulamentos pudesse me surpreender, mas, acredite, a Romênia conquistou o primeiro lugar disparado em burocracia. E a julgar pelas opiniões das pessoas que conversei, os escândalos de corrupção e desvios de verba também acontecem a torto e a direito.

Segundo me disseram, é a “herança do comunismo”.

2) A pobreza romena

Quem algum dia disser que o Brasil é um país pobre, só pode estar comparando com o Qatar.

Muito do que um brasileiro chama de “qualidade de vida” não existe por lá.

E não adianta dizer que existe uma diferença entre regiões.

Visitei cidades grandes, médias e pequenas.

3) A segurança romena

As pessoas não andam por lá como se os outros fossem assaltantes.

Um funcionário do correio anda com uma bolsa cheia de dinheiro pela cidade, distribuindo a aposentadoria das senhoras, de casa em casa, sem que ninguém o incomode por isso. Estou falando da capital do país e não de uma cidadezinha pequena.

Acabei de verificar a taxa de homicídios de lá.

Enquanto o Brasil tem uma taxa absurda de 21 homicídios por 100.00 habitantes, lá a taxa é de 2.

4) O conhecimento musical do povo

A Romênia é tão ou mais corrupta que o Brasil.

Também é tão ou mais pobre.

Mas ninguém esperou um milagre acontecer, ninguém esperou que o “futuro chegasse” pra envolver a família em educação musical. A verdade é que não escutei ninguém reclamando em nada da pobreza e das dificuldades, mas somente encontrei pessoas dispostas a conversar sobre as coisas boas e belas.

Não encontrei em lugar nenhum do mundo uma intimidade tão grande com a música.

E não me refiro a funk.

Estou falando de música sacra, música folclórica e música clássica.

Músicas que causa boa inspiração, e não que são postas como fundo do churrascão.

Realmente é algo que está no sangue deles.

Minha conclusão é:

Quem der a desculpa de “pobreza” pra qualquer coisa, não vai mais me enganar tão facilmente.

(Aguardo as mensagens enfezadas dos sociólogos de escritório)

No Brasil infelizmente não temos como esperar que alguém nos dê essa tradição.

Nós mesmos temos de desbravar e conquistar individualmente esse conhecimento.

Espero que meu trabalho online contribua um pouco pra isso.

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A ignorância como fonte de sabedoria

Minha aluna Lúcia Ermetice fez um comentário referente ao vídeo do último Sábado:

“O que as pessoas têm contra o estudo da parte técnica (ou física, mecânica)? Será que imaginam conseguir correr sem antes aprender a andar?”

Vamos entender porque tanta gente faz beicinho para os exercícios técnicos.

Simples:

Ignorância.

Existe uma constante na opinião de quem é contra o treino mecânico:

Todos se referem a uma “técnica moderna”…

Ou a um “estudo cientifico atualizado”…

Ou a “novas compreensões fisiológicas”…

A impressão que dá é que existe um laboratório ultra-avançado fazendo vários testes no corpo humano e descobrindo como tocar piano da maneira mais eficiente que existe, e que essa é a fonte da tal “técnica moderna”. Essa impressão ou qualquer variação dela é falsa. Não existe tal coisa. Lembra-se de quando falei que não existe uma ONU do ensino de piano? Então, também não existe uma NASA do piano.

E, pasme, a tal da “técnica moderna” tem mais de 100 anos.

É facilmente rastreável até o século 19 essas opiniões de que não precisamos mais desenvolver o corpo.

Que pensar em trabalhos mecânicos repetitivos é coisa de homem das cavernas…

Enfim, esse discurso pseudo-científico baseado em fazer de conta que sabe do que está falando.

Uma verdadeira sabedoria baseada na ignorância.

Coisa típica de quem é acadêmico demais, sem nenhuma ligação com a realidade.

A verdade é que as escolas que se mantiveram longe disso, prosperaram.

Bem, o que eu gostaria de comentar em específico da mensagem da Lúcia, é que a comparação dela entre andar e correr é muito interessante. Primeiro andamos, depois corremos. O andar prepara fundamentalmente nosso corpo, tanto na questão de força e equilíbrio, quanto na capacidade de lidar com obstáculos enquanto estamos em movimento.

Depois dessa base, nos tornamos capazes de correr.

Mas, repare uma coisa:

Aumentar a velocidade do caminhar não resulta em uma corrida.

O movimento da corrida é completamente diferente.

Repare apenas em uma diferença específica:

Correr exige um pé na frente do outro.

Andar exige um desalinhamento dos pés.

(A não ser que você queria rebolar como a Gisele Bündchen)

O ponto de equilíbrio é outro.

Então, a formação de base dada pelo caminhar é necessária, mas não resulta em corrida.

Isso tem uma analogia muita grande com o aprendizado de piano.

Por isso, quem é meu aluno, não esqueça de seguir as lições como recomendo.

Com o tempo, a base formada por essas lições, mostra seu motivo de existir.

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