2 regras para a liberdade rítmica
Alguns dias atrás me perguntaram como funciona a liberdade rítmica na música clássica. É um assunto tão proveitoso que serve para um vídeo no Youtube. E, por coincidência, tenho um canal no Youtube. E, por coincidência das coincidências, abaixo está o vídeo publicado no Youtube pra falar sobre 2 regras bem gerais pra entender a liberdade rítmica na música clássica.
Assista aqui:
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Como acertar uma tecla com posição relativa
Provavelmente você já me ouviu falando sobre “preparar” o salto antes de tocar.
É simples:
Ao invés de chegar sentando a mão nas teclas, apenas posicione os dedos corretamente em cima das teclas.
Faça isso muitas vezes.
Faça isso com posições diferentes da mão.
É assim que se aprende a dar saltos com precisão.
Mas não devemos parar por aí, dessa habilidade de dar saltos no piano, podemos continuar a desenvolver mais outras habilidades. Como, por exemplo, acertar uma tecla a partir de uma posição relativa.
Na maioria das vezes os saltos estão relacionados com oitavas.
Então rapidinho temos o formato de “oitava” definido.
Ao abrir a mão, o formato de oitava surge automaticamente.
(Digamos que é um efeito colateral excelente da preparação de saltos)
No caso de termos de acertar uma nota isolada com o dedo 5, aí a coisa muda de figura.
Ficamos meio sem referência pra acertar essa nota isolada.
Por isso o jeito certo de fazer é o posicionamento relativo:
Você arma uma oitava com as mãos e ataca as teclas “mirando” a oitava daquela tecla que você precisa acertar com o dedo 5, mas, ao invés de tocar em oitava, você apenas toca com o dedo 5. E assim você desenvolve a capacidade de precisão baseada em uma posição relativa.
Talvez tenha sido difícil de visualizar o que estou explicando.
Sabemos que uma imagem vale por mil palavras…
E um vídeo vale por mil imagens…
Então largue a preguiça, vá até o meu canal do Youtube e procure por este vídeo:
“Dica para salto e deslocamento das mãos no piano”
Obrigado, de nada!
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3 maneiras de perder tempo no piano
Um homem estava observando seu piano, decidindo se estudaria ou não.
Do nada ele escutou uma voz que disse:
“– Venha! Vou lhe mostrar os modos de estudar errado este instrumento!”
O homem se levantou e seguiu a voz.
A voz o guiou até uma floresta onde um jovem cortava lenha, formando uma grande pilha. A pilha realmente estava grande, encaixada cuidadosamente em um carrinho-de-mão. Logo o jovem largou seu machado e com toda a força possível, tentou levantar e empurrar o carrinho. O trabalho foi em vão, o carrinho sequer saiu do lugar.
Mas, ao invés de aliviar a carga, o jovem cortou mais lenha.
E deixou a pilha ainda maior.
A voz então conduziu o homem um pouco mais à frente.
Ali ele viu um pequeno lago.
Nas margens uma mulher tirava um pouco de água do lago e colocava em um vaso rachado.
Ela despejava água e a água saia toda pelos buracos do vaso.
Então a voz disse:
“– Venha! Vou lhe mostrar mais uma coisa!”
Então o homem foi conduzido até a frente de um castelo imenso e magnífico.
Acontece que a porta de entrada deste castelo era bem estreita.
E nessa porta dois homens montados a cavalos tentavam passar ao mesmo tempo.
Nenhum deles iria recuar, então nenhum deles jamais conseguiria entrar.
Como não aguentava mais de curiosidade, o homem perguntou:
“– O que esses três eventos tem a ver com o estudo de piano?”
E a voz respondeu:
“– O jovem que cortava e empilhava lenha é aquele que estuda de qualquer jeito. Ele vai até o piano, segue exercícios, lições, métodos, mas não consegue sair do lugar porque não tem objetivo e nem tenta entender como fazer pra obter o resultado. Simplesmente faz por fazer.”
A voz continuou:
“– A mulher no lago é como aquele estudante que não tem disciplina. Só vai até o instrumento uma vez na vida e outra na morte. Assim fica impossível de desenvolver as habilidades. Tudo o que podia ser aprendido é perdido por falta de continuidade.”
“– E os dois homens no castelo?”, perguntou o homem.
E a voz:
“– Esses dois homens representam duas forças internas: teimosia e afobação. A primeira nunca dá ouvidos às lições e está sempre procurando um pulo do gato, uma artimanha, algum atalho tosco. A segunda força quer tudo pra ontem, não está disposta a fazer as coisas com seriedade e quer chegar no destino sem percorrer o caminho. O estudante vê o mundo musical a sua frente (o castelo), mas não consegue usufruir por teimosia e afobação.”
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O diabo está nos detalhes
Na mensagem que enviei sobre o vídeo de dicas de respiração, escrevi que “indicar algo genericamente é difícil”.
Me referia a indicar algo pra controlar a respiração.
Ninguém perguntou, mas explico assim mesmo o motivo de ser difícil.
Das três dicas dadas no vídeo, apenas uma era relacionada diretamente com respiração.
As outras duas se referiam a algo indireto.
O fato é o seguinte:
É simples entender que é preciso encontrar as frases musicais e, a partir delas, controlar os pontos de respiração. Também é simples fazer isso bem devagar. É simples você conseguir controlar a respiração nas três primeiras frases da música. Até aí, sem problemas.
O diabo está em fazer isso com continuidade.
Em começar e terminar uma música toda.
Por isso as duas outras dicas do vídeo são importantes.
Elas indicam que não é preciso fazer mais do mesmo.
É preciso uma mudança de vida.
No caso, estudar a técnica e praticar alguma outra atividade física.
Aí sim a pessoa será capaz de controlar a respiração mesmo.
Pensando bem, isso se aplica em um sentido mais amplo:
Não é tão difícil copiar um tutorial por aí.
(Se fosse, não existiriam tantos viciados em tutoriais)
Encontrar as teclas mais ou menos certas e fazer a imaginação trabalhar pra considerar que o trabalho está bom, é uma coisa fácil. Difícil mesmo é polir mais um pouco a execução pra que alcance um nível de beleza aceitável.
Difícil é desenvolver a capacidade de conseguir tocar aquela música com um pouco mais de velocidade.
E pra isso não tem milagre.
Precisa daquela mudança na vida…
Que, nesse caso, chama-se “estudo”, ou melhor, rotina de estudo.
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Vamos falar de carreira por um segundo…
Não comecei este trabalho pela internet pra ajudar pessoas na sua carreira musical.
O motivo é simples:
Não sei nada sobre como criar uma carreira.
(“Não sei nada” é eufemismo pra “não quero saber desse assunto” :P)
No sentido normal do termo “carreira”, algo como um percurso profissional que cria uma rede de contatos e atuações a serem tratados como um ofício, já desisti de ter uma faz tempo. A necessidade de tapinhas nas costas, sorrisinhos amarelos e alianças políticas que a “rede de contatos” exige pra manter-se no percurso profissional, me fez desistir.
O que não quer dizer que eu tenha desistido das atuações.
Como sempre falo, “música pra si mesmo” não é música.
Toquei nesse assunto não apenas porque existem vários jovens que me perguntam sobre esse assunto, já que estão interessados em saber “quanto vão ganhar pra ser músico”, mas também porque recentemente uma aluna VIP me fez exatamente esta pergunta:
“Qual caminho seguir pra atuar no meio musical?”
Essa pergunta me fez lembrar da minha própria história.
E repito aqui (mais ou menos) a resposta que dei pra ela:
Há alguns anos meu foco era a “carreira”.
(No sentido normal que dei acima).
Estava tocando com alguma frequência em salas importantes no Brasil e na Europa.
Mas sempre é possível deixar tudo mais sólido.
Em uma das conversas com o grande Nelson Freire, tomei a liberdade de perguntar o que deveria fazer pra conseguir atuar mais. Achava que ele ia me dar uma solução genial ou passar algum contato importante, mas tudo que ele me disse foi:
“Você precisa é estudar! Aprender de verdade. Está com a cabeça na carreira, mas cadê a MÚSICA? Você precisa tocar melhor”
Ele estava certíssimo!
Eu pensava obstinadamente em carreira e a música estava cumprindo o papel de trampolim pra que eu realizasse o sonho de ser famoso.
Ganhar dinheiro…
(Ou pelo menos pagar as minhas contas hehe)
Ser culto…
Atuar no meio de pessoas interessantes…
Fazer sempre algo tão lindo assim etc etc…
A verdade é que todas essas coisas são periféricas, e muitas delas completamente ilusórias.
O que entendi do que o Nelson me falou é que tudo o que vai ditar o poder de atuação é a REAL capacidade.
Foi aí que comecei a perceber que realmente não me interessava pela parte “política” da carreira.
Sei que tem gente que consegue passar por ela sem afetar-se.
Mas não é o meu caso.
O que posso recomendar mesmo é:
Estude! Estude muito! Escute música com frequência, grave-se, leia sobre música, pesquise. Coloque toda a energia de ação, que está querendo correr atrás de carreira, no estudo. Troque o foco. Só assim sua possibilidade de atuar vai se tornar mais clara. E pode ter certeza de que vai ficar bem clara!
Digo isso porque foi o que aconteceu comigo.
Assim que esqueci a definição normal de “carreira”, outras possibilidades se abriram.
Possibilidades que se encaixam muito melhor na minha personalidade.
Enfim, eu não queria falar nada sobre “carreira”, mas acho que até saiu alguma coisa.
Espero que sirva pra alguém.
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Evitando a morte ao tocar piano
Muitos alunos têm dificuldade de controlar a respiração enquanto tocam e isso pode ser a causa não apenas de morte por asfixia, mas, pior do que isso, pode arruinar com a execução musical. Relutei um pouco pra falar sobre isso, já que indicar algo genericamente é difícil.
Abaixo está um vídeo dando algumas dicas.
Confira aqui:
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5 indicações da partitura que o quase-intermediário deve dar atenção
Existe um momento nos estudos de partitura que a decodificação não é mais um problema.
Normalmente isso indica que o estudante está entrando em um novo mundo.
É o mundo inexplorado de todas as partituras existentes.
Agora é questão de explorar esse mundo.
Mas ainda é preciso fazer as coisas com calma. Provavelmente o estudante ainda está longe de poder olhar a partitura como um todo. Ainda falta aquele olhar da experiência que não deixa confundir uma coisa pela outra.
Por isso aqui vão 5 indicações, em sequência, que esse estudante deve dar atenção.
1) Armadura de clave
Se treinou escalas, não há muito segredo.
Ainda é comum deixar passar alguns sustenidos ou bemóis.
Então preste bastante atenção na armadura.
2) Fórmula de compasso
Por já ter estudado outras peças, embora não muitas, esse estudante já pode recorrer à memória pra identificar qual é a sensação rítmica que ela pretende.
Isso é muito útil.
3) Altura das notas
Existem grandes saltos ou sequências de notas que podem apresentar alguma dificuldade técnica?
Começar pelo que é mais problemático é uma ótima tática.
4) Ritmo
Alguma divisão rítmica desconhecida?
O solfejo pode ajudar a decifrar algo ainda obscuro.
5) Articulação e dinâmica
Em quais pontos as notas são mais ligadas?
E quais são menos?
Sabendo as indicações de articulação presentes na peça, e a intensidade geral utilizada, é possível pensar quais exercícios técnicos são mais proveitosos e eficazes pra favorecer o seu mecanismo a executá-la.
Enfim, esse é um tipo de sequência de estudo bem enxuto.
Outros tipos são possíveis.
Claro, não importa o nível do aluno, qualquer uma dessas indicações são importantes, mas o ponto é que, por falta de experiência, é melhor que o aluno quase-intermediário dê atenção especial pra essa sequência.
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Tratamento online de incompetência
Na mensagem em que falei sobre a constatação de que “incompetentes não percebem que são incompetentes”, meu aluno Claudemir Medeiros respondeu com uma distinção importantíssima:
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Bom dia Felipe, parabéns por mais um belo “lembrete”.
Certa vez lendo algo na internet vi uma divisão que colocava ainda dois níveis de competência, de maneira que existiriam competente consciente (aquele que é competente e é consciente da competência), o competente inconsciente (que é competente mas não tem consciência) e o mesmo se aplica para os incompetentes.
E eu acredito que o primeiro passo é tomar consciência da própria incompetência para então procurar o “tratamento”. Seus vídeos e textos me ajudam a tomar consciência dos mais variados itens onde sou incompetente e me torna em incompetente consciente. E, para os casos onde a incompetência é identificada, os vídeos com exercícios para tratá-los ajudam a resolver e passar do estágio de incompetência para o de competência.
Mais uma vez parabéns pelo trabalho e que continue nos tornando cada vez mais conscientes das incompetências e, melhor ainda, a sair do estágio de incompetência para o de competência.
Abraço.
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De fato!
Acho que não ficou claro na minha mensagem anterior:
Parece que existe um tipo de incompetência que é cega pra si mesmo.
Não me interessei em saber se os psicólogos acham se isso é irreversível ou não.
Mas o Claudemir tem toda razão…
A estratégia dele é a mais correta.
Em algum sentido meu trabalho por aqui trate-se de ajudar o aluno a se diagnosticar…
E, claro, encontrar o tratamento correto.
Um verdadeiro tratamento online de incompetência.
(Pelo menos da incompetência ao piano)
Então, ficar atento às mensagens e aos vídeos é essencial pra saúde pianística do aluno.
#ficadica
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Como resolver o vício de seguir o dedilhado e não a nota na partitura
Há três meses publiquei um vídeo orientando os iniciantes a como perder o vício de relacionar o dedilhado escrito na partitura com a altura da nota. Ontem uma nova aluna minha pediu alguma dica exatamente pra resolver esse problema. Qual seria a resposta padrão?
“Procure no meu canal, já tenho um vídeo publicado”
Mas hoje estou especialmente gentil.
Esqueci por um tempo que devo incentivar o aluno a ficar íntimo de todos os meus vídeos, e resolvi informar diretamente o link.
Aqui está:
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Você não é tão esperto quanto pensa
Uma das constatações mais úteis do livro “Você não é tão esperto quanto pensa”, de David MacRaney, é o efeito Dunning-Kruger.
A definição é simples:
Incompetentes não percebem que são incompetentes.
Digo que a constatação é útil, pois confirma um senso comum.
Não sou entusiasta de novidades científicas, ou que pareçam científicas, que contrariem o senso comum. Prefiro aguardar que o tempo diga o que a conclusão tinha de “novidade”, o que tinha de “científica” e, mais importante, o que tinha de verdadeira.
Mas o Efeito Dunning-Kruger está na consciência de quase todos.
Percebo isso nas muitas mensagens do tipo:
“Como ter certeza de que estou seguindo corretamente as lições online?”
Ou como esta do meu aluno Rubens Curi:
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Outro dia, ao terminar os estudos, fui impactado por uma percepção: poxa, estou tocando piano! Você acredita que eu ainda não havia me dado conta da evolução ocorrida do início até aqui? Foi uma emoção especial, acompanhada de vários obrigados direcionados à você.
Tenho acompanhado todos os seus e-mails e os vídeos. Divirto-me com seu humor e aproveito todas as orientações. Elas tem elucidado várias coisas no meio do caminho, ajudando efetivamente. Na medida em que me dou conta de um procedimento errado ou viciado, retomo, seguindo suas recomendações.
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Enfim, são interessados querendo saber como passarão por esse problema da incompetência inicial.
Ou alunos demonstrando que a confiança nas lições realmente dá frutos.
Demonstra a visão de que a falta de conhecimento dificulta uma conclusão confiável.
Isso é muito bom!
Essa cegueira na própria auto-avaliação pode ter vários níveis.
E, como sempre, não existe remédio mágico pra combatê-la.
Por isso minha didática nas lições online difere da presencial.
Os problemas são outros…
Então as soluções também tem de ser diferentes.
E quem é meu aluno, já recebeu ou ainda vai receber mais informações de como resolver esse problema da auto-avaliação de uma vez por todas.
Por isso, continue seguindo firme nas lições.
Pra quem tem superioridade ilusória em nível muito alto, não precisa dar atenção a nada do que eu digo. Afinal, esses tem certeza de que são tão espertos quanto pensam que são.
Quem não pensa assim, pode continuar estudando comigo.
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