Quebrar o celular é a melhor maneira de evoluir no piano
Minha esposa concordaria se alguém dissesse:
“– Tive a sorte de quebrar meu celular”
No meio de uma mudança de casa, você deixar cair esse aparelhinho que é sua ferramenta de trabalho, vendo ele se partir em alguns pedaços, não é agradável.
Gastar algumas centenas de dinheiros pra comprar outro, só piora a situação.
Equivale a você parar de inventar uma maneira de estudar piano.
É claro que desanima, pois você vai ter de deixar de fazer as coisas como estava acostumado…
Ou como imaginava que seriam.
Precisará fazer um investimento em dinheiro.
Apesar disso é certo que no fim você perceba que foi uma boa coisa.
Assim como quebrar a má-vontade de estudar piano de verdade é a solução pra alguns, quebrar o celular foi essencial pra melhorar a vida da minha esposa. Apesar de gastar um dinheirão no novo celular, o trabalho que minha esposa fazia leva metade do tempo no aparelho novo que é cheio de possibilidades que não eram acessíveis antes.
Foi um ganho na liberdade.
É o que acontece quando você resolve colocar minhas recomendações em prática.
Sei disso porque já vi acontecer dezenas de vezes.
Prestar atenção em certos detalhes pode ser desanimador em um primeiro momento.
Mas entender qual o melhor jeito de aprender algo no piano, que é responsabilidade do conhecimento técnico, fará você ganhar tempo e ter mais liberdade.
Não se trata de se dedicar em exercícios repetitivos ou em músicas…
Mas de entender o jeito certo de fazer os dois.
Mesmo quem acompanha o material aberto está tendo a possibilidade de entender isso, como a Angelica Abreu relatou mês passado:
“Aplicando em meus estudos tuas técnicas, tudo que vi até agora, assistindo aos teus vídeos também no YouTube, posso dizer com toda segurança que estou conseguindo evoluir muito, tocando novas peças, outras que antes já tocava agora com muito mais clareza, agilidade e o que é melhor, mantendo acesa a chama do amor pela música e por esse instrumento tão belo. Palavras não podem expressar o quanto me sinto grata, e não há nada que eu possa fazer para retribuir o grande bem que tens feito por meio do teu trabalho. Tenho divulgado-o a amigos e companheiros de estudo, que têm aplicado os ensinamentos e visto também já resultados muitíssimos positivos”
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
O que a psicologia pode dizer sobre os preguiçosos ao piano
Aqui está uma situação normal entre os iniciantes ao piano:
Assim como qualquer atividade não-profissional, a maioria desiste no 1º mês de estudo de piano.
Isso acontece em qualquer arte.
Desde pintura até arte marcial.
Acontece também com musculação, dietas, natação, etc…
Um bom professor ou instrutor pode com certeza diminuir muito o percentual de desistências, mas o fato de ser a maioria é inevitável.
Ok, isso é compreensível.
Mas existe um outro fenômeno bem curioso. Dependendo da habilidade natural e da dedicação, o estudante de piano atinge um nível básico de segurança em torno de 2 até 4 anos depois de começar os estudos. Esse tempo varia mesmo, pois as circunstâncias pra alcançar essa segurança básica são muitas. E aqui está a curiosidade: quando alcança esse nível, existe mais uma grande quantidade de pessoas que desiste.
Novamente isso pode variar de acordo com o professor.
Mas mesmo assim é normal acontecer.
E em quase todas as pessoas que atingem esse nível é possível perceber um corpo mole ou preguiça pra continuar avançando. Por isso perguntei pra um amigo psicólogo, se sua experiência em psicologia daria alguma explicação, fora aquelas que eu já tinha.
Ele deu várias explicações, quase todas doutrinais, já que não tinha um caso concreto pra analisar.
Aqui estão algumas causas interessantes:
* As pessoas tendem a supervalorizar o que já possuem.
Quando alcança esse nível de segurança, o estudante tende a se agarrar nele…
E não fica disposto a arriscar perdê-lo pra continuar avançando.
Se esse for realmente o motivo, não achei nada ruim, pode ser mesmo que a pessoa esteja satisfeita nesse nível. Fica ruim apenas se ela começa a reclamar que não consegue avançar, mas também não faz nada pra mudar esse quadro.
* As pessoas tendem a preferir o que já conhecem mais do que aquilo que desconhecem.
Isso é simples bom senso, certo?
Mas o que o estudante que alcançou certo nível de segurança evita, é ter de suspender mais uma vez a visão de onde pode chegar.
Ele fez isso quando começou a estudar…
Mas agora que chegou em algo seguro, não está disposto a passar por isso novamente.
É algo como ficar saturado em correr riscos.
* As pessoas tendem a se assustar perante uma mudança.
Esse parece estar ligado ao motivo anterior.
A diferença é que a pessoa não sente um desânimo em continuar, mas sim um medo.
“– E se eu não conseguir?”
“– E se eu perder o que já conquistei?”
Enfim, achei que esses motivos são bem possíveis de acontecer e que muita gente pode estar parado por causa deles e nem sabe.
É até possível que esses motivos se apliquem a quem nem começou a estudar.
(Nota: Se por acaso você não inicia os estudos por causa de algum desses inimigos, aqui está a arma pra começar a combatê-los: cadastre-se no Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Dúvidas aleatórias sobre piano assassinadas sumariamente
Hoje o dia está mágico…
Entre outras coisas, é um excelente dia pra assassinar sem misericórdia algumas dúvidas.
Vamos alinhá-las no paredão:
1) “Felipe, poderia comentar algo sobre o aspecto ‘redondo’ e ‘quadrado’ que você cita em algumas músicas?”
Pra isso seria necessário uma aula inteira, explicando vários pressupostos.
Mas aqui só queremos dar um tiro rápido…
Digamos que o ‘redondo’ são as divisões ternárias…
O ‘quadrado’ são as divisões binárias rítmicas.
Manter o ouvido atento vai ajudar a perceber isso antes de qualquer explicação mais detalhada.
2) “Professor, onde você adquire seus livros de partituras?”
Não tenho um lugar fixo.
Por onde ando e encontro uma loja, garimpo as partituras.
Algumas podem ser baixadas no imslp (google it).
3) “Já ouvi professores falando que não se deve usar polegar nem o mínimo em tecla preta, algo errado ou normal?”
Deve-se evitar os menores dedos em teclas pretas…
Mas às vezes é o único jeito de dar uma boa continuidade para as frases.
4) “Professor, comecei a tocar teclado ontem, tá difícil de encontrar as notas, será que eu devo colocar um adesivo ou algo do tipo?”
É fácil pegar vício se usar adesivos.
Procure meu vídeo de iniciante e comece por ali.
Logo você pega o jeito com a localização das notas.
5) “Existe uma orientação geral pra usar pedais em peças que não tem essa notação?”
De maneira geral, troque de acordo com a harmonia.
Quando a harmonia permanecer a mesma durante muito tempo, procure trocá-lo a cada 2 tempos que funcionará bem.
6) “Estou aprendendo piano, mas meus dedos são pequenos. Muitas das músicas que fui tentar tocar, em certas partes, não alcanço alguma nota. Você me recomenda tocá-las ignorando uma nota ou outra ou tocar músicas que conseguirei tocar 100%?”
Procure tocar coisas que não exigem grandes aberturas da mão.
Exercite-se muito com exercícios de técnica…
Assim sua mão vai ganhar muito elasticidade durante o seu desenvolvimento.
Intervalos distantes podem ser arpejados.
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O que tenho contra tocar piano com alma?
Estou aguardando o pessoal da transportadora analisar se é possível subir com o piano no apartamento que pretendo alugar…
E esse trabalho braçal de sobe, desce e mede espaço me recordou de uma conversa que tive ontem com um grupo de alunos.
Por enquanto quase todo meu trabalho online tem focado no desenvolvimento técnico.
Será que tenho algo contra tocar piano com alma?
Não tenho nada contra.
A música acontece primeiro no nosso mundo interior, mas é executada com seu corpo.
Se você se dedicar a entender o máximo possível sobre música (interpretação, harmonia, funções etc), isso ainda não te habilita a executar uma só música.
Assim como tornar-se o Arnold Shuazeneger dos dedos não torna ninguém músico.
A verdade é que existe uma divisão de trabalho.
Se seguir as orientações de estudo que indico nos treinamentos, você terá nas mãos as recomendações práticas de como fazer essa divisão. Agora, a experiência com dezenas de professores que já tive, é a de considerar a parte física como algo muito tosco.
Algo bárbaro.
Não civilizado.
(Pode ser que você tenha contato com alguma professora russa aí, como diz meu aluno Leonardo, lá a brincadeira é séria)
Enfim, parece que o importante é fazer carinha de sentimental enquanto toca.
Parece que o método de ensino é o “Faz assim ó”, mas nenhuma palavra em como entender e como se preparar.
Parece que todo mundo está contente em capinar com enxada cega.
A minha estratégia é esta:
Enfatizar aquilo que é esquecido.
Não dá pra fazer todo o trabalho necessário de uma só vez.
Então reduzi para aquilo que está desprezado.
Para o resto existem dezenas de propostas por aí.
Eu tenho ilusão de que este trabalho de padeiro será seguido por todos?
Não, não tenho.
Mas já estou feliz com os frutos.
Como este que na conversa de ontem meu aluno Edmilson relatou:
“Já evolui neste curso online mais do que aprendi ao longo de alguns anos com um sem número de professores que sempre diziam: Tem que tocar com a alma e nenhuma palavra sobre técnica.”
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Recomendação de um famoso mestre de como começar a aprender partitura
Ser discípulo de Beethoven e professor de Liszt já justificaria a fama de Carl Czerny.
Mas a popularidade e a eficiência do seu modo de ensino é o que preparou sua cama.
E ele tem uma opinião bem firme sobre como passar pela fase mais chata de ler partituras…
Que é aprender a olhar a altura da nota e encontrá-la no teclado.
Eis o que diz o mestre:
“O melhor remédio contra essa desagradável necessidade é esforçar-se para fixar esse assunto na sua memória da maneira mais profunda e rápida possível. Alguns alunos que desde o princípio manifestarem o desejo e amor pelo piano, e dedicarem racionalmente o uso da sua memória neste trabalho, atingirão um perfeito conhecimento das figuras e teclas em poucas semanas. Outros alunos, assustados com a aparente tediosidade do trabalho, perderão vários meses até alcançar o mesmo objetivo. Então, qual desses dois caminhos é o melhor?”
As lições contidas neste pequeno parágrafo são grandes pérolas.
A mais importante é aquela que nem está dita diretamente:
Sem ter essa relação das alturas de nota na partitura com sua referência no teclado, o trabalho de aprender a ler e executar partituras será um grande e tedioso trabalho, que provavelmente vai jogar um balde de água fria no seu entusiasmo.
Existem várias maneiras de começar esse trabalho.
No Youtube já publiquei vídeos de como começar a decorar as alturas de nota.
E também existem dezenas de aplicativos que ajudam nisso.
Sobre relacionar a altura com a tecla, poderemos conversar mais pra frente.
Agora, outras lições que o velho Czerny deu no parágrafo:
* Existe sim uma certa tediosidade nos estudos.
* Dizer que “ama” não basta, é preciso manifestar esse amor enfrentando essa tediosidade.
* “Dedicação” não basta, é preciso ser racional (eu nunca usaria essa palavra, mas também não ousaria mudar as palavras do mestre).
* A demasiada atenção à reações subjetivas é o que cavará a cova de alguns alunos.
* Nada melhor do que terminar um parágrafo com uma pergunta retórica que deixará os cabeças-de-pudim se batendo pra responder.
E assim estão vivos por quase 2 séculos os ensinamentos do mestre…
Sempre dizendo a verdade, sem medo de parecer desanimador.
E aqueles que estão se perguntando por onde começar na partitura, já tem uma luz.
(Nota: Se antes de começar com as partituras você precisa entender como desenvolver sua capacidade técnica, então cadastre-se no Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Como treinar os saltos entre oitavas no piano
Já que um aluno perguntou sobre saltos, aproveito pra citar o que se pode fazer errado.
Salto ou deslocamento é a habilidade de pular de uma oitava para outra com precisão.
O segredo é preparar o reflexo do salto antes de tocar.
Isso está exemplificado no vídeo que publiquei no Youtube.
Agora, existe uma porção de maneiras de se esquivar de realizar o exercício, ou de inventar uma desculpa, que eu simplesmente mostrar como é o certo a se fazer, pode não ser suficiente. Eis apenas umas poucas situações que podem acontecer:
O interessado assiste ao vídeo e acha que não é necessário esse treino.
Ou, ao invés de treinar o reflexo, ele tenta saltar e tocar as teclas direto.
Ou tenta fazer duas vezes e vê que não tem reflexo, então desiste.
(e o treino era justamente pra criar ou melhorar o reflexo)
Ou pratica por um ou dois dias e esquece.
Enfim, faltou compreensão e continuidade.
É por isso que você verá professores repetindo um monte a mesma coisa.
No vídeo adicional que publiquei sobre saltos, além de falar novamente sobre o treino do reflexo, comentei algo sobre a forma de oitava que é necessário ter nas mãos. É mais um motivo pra manter a continuidade.
E pode ainda aparecer outro engano comum:
Pode ser que o aluno se engane que esse aspecto da forma das mãos e de treino de reflexo vai atrasar seu desenvolvimento.
E se ele me ouvir falando que é necessário reduzir o trecho estudado, ao invés de tentar correr e disparar pela peça toda, então essa sensação de atraso pode ser ainda maior.
Mas é exatamente ao contrário que acontece.
Um estudo técnico se encaixa com outro e permite avançar mais rápido.
Foi o que constatou minha aluna Regina Oliveira:
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Reduzi várias vezes o tamanho do trecho a ser estudado para repeti-lo mais vezes e com atenção (lutando contra minha ansiedade em tirar a música logo, pois achava que assim demoraria mais). E aconteceu o contrário! Ao ficar a vontade com cada trecho, na verdade, a música foi se desenvolvendo mais, e melhor ainda, com mais segurança!
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Enfim, esse pão diário é o que nos permite consumir o vinho…
Sem nos fazer passar mal.
Mas precisa ser um pão bem feitinho, senão o efeito é contrário.
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A culpa é da dona Marisa
Não sei o que é pior:
Chegar ao cargo de presidente e dizer que não sabia de nada ao ser revelado um esquemão de corrupção…
Ou citar o nome da esposa falecida umas 409.394 vezes no depoimento sobre o triplex.
Agora todo brasileiro já sabe que a culpa é toda da dona Marisa.
E como nosso ex-presidente Lula também gostou de frisar várias vezes:
Não é possível mais esclarecer pessoalmente as coisas com ela.
Acho que essa é a maior dificuldade do ensino online:
Como fazer o aluno parar de colocar a culpa em outro lugar?
Como fazê-lo assumir a responsabilidade deixando a dona Maria em paz?
Veja bem: eu posso gravar um vídeo especial dizendo como estudar cada lição. Posso publicar um texto dando o passo-a-passo de como encarar as dificuldades. Posso continuar enviando uma mensagem atrás da outra, lembrando do que é preciso fazer. Mas o aluno pode olhar pra tudo isso e nem prestar atenção. Ou pior: pode arrumar alguma desculpa pra não fazer…
“Ahhh, não achei que era necessário…”
“Um outro professor disse que não precisava…”
“Penso que a música funciona de outro jeito, por isso, isso e isso…”
Enfim, a responsabilidade do aluno é muito maior do ensino virtual.
Se estivesse aqui do meu lado, eu poderia perceber os erros muito facilmente.
Não existe nada que eu possa fazer pra garantir isso no ensino online.
Qualquer ação minha pode ser burlada pelo aluno.
Por isso toda essa insistência em expulsar logo os cabeças-de-pudim.
Todos nós temos nossos momentos de cabeça-de-pudim, mas temos que ter consciência que esse não pode ser nosso estado padrão. Sempre que for estudar alguma lição, estude com lápis e papel na mão, anotando todos os princípios e informações importantes que são ensinadas. Siga as orientações até pelo menos sentir-se seguro em realizar o que a lição propõe.
E assim aos poucos você vai montando sua visão do aprendizado.
Vai sedimentando seu conhecimento.
Ou você pode dizer que não sabia de nada…
Que ninguém lhe avisou…
Que você é inocente…
Ok, novo Lula, me engana que eu gosto.
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Pare de ser orgulhoso
Bem, a preguiça me dominou hoje…
Deixarei que meu aluno Cleyton Rocha escreva o texto de hoje.
(está cheio de boas informações, pra quem souber ler)
Aqui está:
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Show de bola o texto Professor. Tenho acompanhado todos os seus e-mails 😀
Aproveitando o ensejo, ainda sobre música, eu estava lendo alguns artigos na Exame, quando me deparei com este:
“Quer ser mais produtivo? Esqueça os apps e aprenda música”:
“Segundo um número cada vez maior de estudos acadêmicos em todo o mundo, aprender um instrumento como piano, violão ou flauta pode ser muito mais benéfico para o seu desempenho mental do que a parafernália tecnológica que supostamente melhora funções cognitivas como memória e concentração.”
Eu li isso e concordei na hora e acrescentaria que não apenas aprender o instrumento em si, mas acredito que à metodologia do professor também conta muito.
Posso dizer que depois que comecei a fazer seu curso, senti uma melhora bem significativa tanto ao lidar com o instrumento como também em outras áreas de estudo, porque eu tenho costume de tentar assimilar bem o conteúdo e depois fazer uma analogia com outras atividades do meu cotidiano.
Atualmente eu estudo (como autodidata) pra ser compositor de trilhas sonoras TV & jogos e resolvi aprender piano/teclado justamente pra me ajudar nessa tarefa, eu era orgulhoso professor, eu não queria tocar musica dos outros, nem fazer cover, nem nada, queria criar as próprias musicas do zero de ouvido, ser o original/inovador, demorei pra cair na real que isso de certa forma é um erro…
Pois bem, com seu método de ensino, aquele da ‘piramide’ entre outras dicas que há no Youtube/Artigos, como p.e.: “focar nas nossas dificuldades, ao invés de ficar voltando toda vez do começo do estudo (eu fazia muito isso), tentar imitar os gestos, observar o que o outro esta fazendo, analisar e tentar reproduzir, prestar atenção na qualidade da produção musical e etc.”, eu comecei a trazer tanto para meus estudos de composição, como de língua estrangeira, computação e etc.
E é incrível como tem me dado resultado, por exemplo, a questão da “qualidade da produção musical e imitação” pode ser equiparada ao estudo de línguas como p.e. “se preocupar mais com a dicção e tentar imitar a forma que um nativo fala”, e sobre a crítica que o senhor faz, e com razão, “aprender 1000 acordes” que não ajudarão em nada e que muito provavelmente iremos esquecer, vejo que é o mesmo que aprendermos palavras de outras línguas e traduzi-las de forma isolada, se esquecendo da frase que daria o sentido, facilidade pra memorizar e a aplicação no dia a dia, ou seja, todo o contexto.
Uma das minhas preocupações quando comecei a fazer o curso era “isso vai me atrapalhar no estudo de teoria musical, composição, mixagem e etc.”.
E tem sido justamente ao contrário o curso + todos seus conselhos, me deu um boost e maior facilidade pra absorver e organizar os conteúdos teóricos, (pois acredite, antes eu fui inventar de estudar contraponto (por culpa do Bach, rs curto demais) antes de aprender os intervalos e não dava, não entendia nada kk).
E Isso porque eu nem terminei o curso de piano ainda, pois estou absorvendo o máximo que posso e estou bem contente com o progresso que estou tendo.
Bom, pra resumir, o que posso dizer é que estou me sentindo mais produtivo, e além disso, me sentindo ‘capaz’ de realizar coisas que eu achei que iria ficar atravancado por muito mais tempo tanto no piano/teclado como em outras atividades como mencionei acima e agora com esse artigo que li, me deu mais motivação ainda.
To bem feliz de ter encontrado o seu curso e me livrado dos “professores dos acordes” de youtube que tem por ai, no qual ensinam uma coisa e nos comentários várias pessoas dizendo que está errado, e nisso eu não sabia em quem acreditar, contigo é diferente, o senhor possui excelente didática, domina o instrumento e tem autoridade no assunto 🙂
Valeu Mestre Marechal Scagliusi, desculpa pelo textão, Deus o abençoe! rs
Abraço,
Cleyton Rocha
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(Nota: Tem interesse me começar a aprender piano? Então cadastre-se no Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
E agora as últimas notícias do Fantástico…
Não sei se o Fantástico continua com o seu quadro mais temível…
Todo Domingo, algo entre 22h e 23h (exatamente no horário que estou escrevendo este texto)…
O âncora da vez anunciava:
“– E agora as últimas notícias do Fantástico…”
Ainda hoje essa frase me dá arrepios. Na época da escola, esse era o sinal de que eu tinha passado o fim de semana inteiro brincando e não tinha feito nenhuma tarefa escolar. Não tinha começado a fazer o trabalho em cartolina pra ser apresentado na segunda-feira. Ou que não tinha estudado pra prova de Matemática. Era o sinal de que passaria a madrugada chorando e tentando recuperar o tempo perdido.
A verdade é que mesmo depois de tantos anos, às vezes acordo com a sensação de que não fiz a tarefa.
Talvez algum dia eu procure um psiquiatra pra resolver esse trauma 😛
Pensando bem, alguns dias eu penso: “ontem eu deveria ter estudado mais no piano”.
Pode ser que seja um resquício da exigência escolar.
Ou a constatação de que o treino diário é importante.
Mas existe uma solução pra não ficar com a consciência pesada.
Pra largar com pensamento de que poderia ter feito mais ontem.
A solução é focar os estudos e o treino naquilo que é uma dificuldade.
Isso serve pra qualquer um, mas é especialmente válido pra quem tem pouco tempo. Recomendo que você estude o material que tem acesso, e tente prestar atenção no que lhe parece mais difícil. Assim você já sabe qual é o pedaço do trabalho que deve dar mais atenção durante a semana.
Junte isso com pequenas metas semanais e…
Voilà…
Com pouco ou muito tempo, você se mantém avançando.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Os cabeças-de-pudim atacam novamente
Nesta semana um aluno me perguntou sobre um certo aplicativo americano pra aprendizado de piano.
Eu já conhecia esse aplicativo…
Ele utiliza o conceito de “gamification” na sua estrutura.
Ou seja, tudo é estruturado de modo a parecer um jogo.
O jogador realiza uma tarefa e ganha uma recompensa em pontos, se fizer com sucesso.
Com base nesse “incentivo”, dizem, o jogador aprende piano brincando.
Isso é apenas mais uma tentativa dos cabeças-de-pudim atacarem novamente. Um aplicativo como esse é uma espécie de “guia de teclas” (subterfúgio que evita ter de aprender a ler partituras). Eu também utilizo esse subterfúgio em alguns treinamentos, mas o conteúdo não se resume a isso. É realmente deprimente que o vídeo de apresentação do aplicativo junte uma família feliz, rindo sem parar, enquanto magicamente a filhinha pequena segue a telinha do aplicativo.
Eu sei que isso não funciona direito por dois motivos:
Existem mais professores ruins do que bons professores por aí.
E tive muito contato com professores ruins.
Sei que a maioria deles não passa de um “guia de teclas”:
Eles ensinam qual a tecla correta, ensinam um pouco de teoria, e você tem de passar o resto da vida sendo aluno dele se quiser continuar aprendendo música.
Não há verdadeiro aprendizado ali.
Você não está tomando posse de um conhecimento humano acumulado.
Está apenas sendo como um fantoche do professor.
Pois o aplicativo em questão faz exatamente a mesma coisa.
O aluno fica todo travado no instrumento, não tem nenhuma segurança no que está fazendo. Nem mesmo tem coragem de assumir que toca piano, pois sabe que seu aprendizado está cheio de buracos. Essa é a situação dos alunos que chegam até mim depois de passar por esses professores.
Existe algo mais cabeça-de-pudim do que isso?
Sim, existe.
O conceito de “gamification” (transformar tudo num jogo) ainda carrega um problema:
Ele aumenta a ansiedade do estudante.
Você fica obsessivo em terminar as missões.
E a auto-consciência que a música deveria desenvolver, vai por água baixo.
Tudo pra acumular alguns pontinhos no aplicativo.
Sei que provavelmente isso deve ter algum embasamento psicológico…
Alguma desculpa do tipo “é o jeito que nosso cérebro funciona”.
Não me importo com esse tipo de desculpinha científica.
Já tive experiência com “gamification” em outros tipos de estudo, e não é nada agradável.
Sabe, essa é a mesma tática usada pra treinar um cachorro: toda vez que ele faz uma ação correta, uma ação esperada pelo treinador, ele ganha um petisco. O cãozinho está sempre salivando, aguardando a próxima vez que ele será recompensado. Esta é a imagem perfeita de quem estuda por esse meio: um cãozinho salivando.
Nada pode ser mais cabeça-de-pudim do que isso.
Claro que não estou dizendo que todos os aplicativos são ruins.
Desde que você utilize ele como gente…
Sem problemas.
(Nota: Quer começar a aprender piano longe do modo cabeça-de-pudim? Então cadastre-se no Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)







