Aprender a tocar é a coisa mais fácil do aprendizado de piano
Situação praticamente diária:
Sento no piano pra estudar.
Aí lembro da conta de energia elétrica.
“Mas o vencimento está longe, então não preciso me preocupar.”
Toco as primeiras notas e percebo como o tempo está quente.
“Seria melhor se eu tivesse dinheiro pra comprar um condicionador de ar…”
“Porque o meu primo comprou um na semana passada…”
“E agora ele não fica todo suado e grudento quando estuda guitarra…”
“Claro, aí é fácil, o meu tio paga metade do aluguel dele…”
“Se fosse assim comigo, também teria instalado um refresco na sala…”
“Sem contar que o instrumento dele é muito mais barato…”
“Estou há anos economizando pra comprar um piano melhor e nunca consigo…”
“Talvez se eu jogar fora o cartão de crédito consiga economizar mais…”
“Mas esse não é o problema, nem tenho tanta despesa no cartão…”
“Acho que estou ficando velho…”
“Há 20 anos o clima não me incomodaria…”
“Depois de estudar aqui, vou precisar tomar um banho e tem aquele sorvete me esperando na geladeira…”
“Estudar???”
“É mesmo! Estou estudando…”
E bum!
Tenho de recuperar o fio da meada no piano.
Isso é sagrado. Não passa um dia sem que essas novelinhas passem na minha cabeça. Com você deve acontecer algo muito parecido. Pior é que esses dramas que inventamos, não são apenas pensamentos passageiros. Temos a fiel confiança que tudo seria diferente se pudéssemos ter outro instrumento. Ou se pudéssemos morar em outro lugar. Ou se tivéssemos mais tempo, ou menos idade, ou mais…
Enfim, o aprendizado propriamente dito de piano é fichinha, melzinho com açúcar, comparado com essas malditas novelinhas inventadas.
Tem gente que consegue sozinha se desvencilhar delas.
Aí basta seguir as lições e o aprendizado parece milagroso.
Outras são tão apegadas nessas crenças que são praticamente conduzidas por elas.
Só conheço uma cura:
Tente falar dessas opiniões com alguém.
Na hora que você verbaliza, já percebe como são ridículas.
Assim, mais da metade dos problemas de falta de rotina e continuidade dos estudos ficarão resolvidos.
E você terá um caminho praticamente livre.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Submetendo os fracos a um tratamento de choque
Uns meses atrás meu aluno Thiago Marcelli me relatou o seguinte:
(Resumo)
“Tenho uma dificuldade muito grande para seguir alguns dedilhados que são indicados para se fazer os acordes e seus respectivos arpejos. Meu maior problema consiste no uso do dedo 4 de ambas as mãos, quando se começa um arpejo pelo dedo 5 e a próxima nota é ataca usando o dedo 4. Não sei se é por que minha mão é pequena mas ao fazer alguns acordes (e também seus arpejos) onde a indicação é usar o dedo 5 e logo em seguida o dedo 4, eu tenho muita dificuldade e força muito a minha mão devido a grande abertura entre os dedos 5 e 4. A questão é que eu não sei se posso trocar o dedo 4 pelo 3, quando for mais confortável e natural para mim, ou se é errado fazer isso”
Essa é uma dificuldade comum.
Comecemos a resposta pelo princípio envolvido:
Devemos escolher um dedilhado que seja mais favorável.
Então, não existe problema em trocar o dedo 4 pelo 3.
Mas, um outro princípio envolvido é:
O estudante pode não saber o que é mais “favorável” (ou melhor).
Então a dúvida do Thiago é ótima e demonstra uma consciência afiada do problema.
O fato é que alguns dedilhados que inicialmente parecem estranhos, o pianista experiente já sabe que serão mais favoráveis. Além disso, na fase de desenvolvimento das habilidade básicas, é preciso trabalhar a abertura entre os dedos 4 e 5. Por serem mais fracos, esses dedos precisam de um tratamento de choque pra acordarem pra vida. Então minha principal recomendação ao Thiago foi:
Procure insistir praticando com o dedo 4 por enquanto.
Mas faça isso lentamente e sem tanta força nos dedos.
Existe um equilíbrio entre trabalhar o alongamento entre os dedos e não se machucar que só você pode encontrar.
Insista algum tempo definido (uma semana, duas semanas, três semanas…) trabalhando esse dedilhado problemático e vá notando sua evolução e a reação do seu mecanismo.
Isso vai melhorar com o tempo e com a disciplina.
E tenha paciência, pois todos têm a mesmíssima dificuldade.
Quem sabe você pode assistir o vídeo “Exercício para os dedos 4 e 5 (Anelar e Mínimo)”.
Está lá no meu canal do Youtube.
Bons estudos!
(Nota: Você já é intermediário ou avançado no piano? Sente que está empacado? Então cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)
3 ornamentos essenciais no piano
“Ornamento” é basicamente um enfeite que fazemos em torno de uma nota.
Por exemplo:
Pra receber alguns amigos em casa, você limpa a mesa de jantar e coloca uma toalha.
Qualquer toalha?
Não.
Uma que seja mais ou menos bonita.
Quem sabe pode até colocar um vaso de flor na mesa.
Assim os ornamentos ficam mais vistosos.
(Mas também podem ser vistosos demais e fora de lugar)
Enfim, acho que ninguém tem dúvidas sobre o que é um enfeite.
Então, continuando…
Os 3 tipos mais essenciais de ornamento são:
1) Trinado
A partir de uma nota base você combina com a nota de cima ou de baixo, oscilando entre elas.
Isso pode servir pra dar uma sensação de continuidade do som.
Mas o efeito é tão presente e brilhante, que fica fortemente marcado como um enfeite.
Como o lacinho na caixa de presente.
2) Apogiatura
É um apoio sobre uma nota.
Um nota que você só passa rapidamente pra chegar em outra.
Quando precisamos pular uma poça d’água muito grande e precisamos dar um salto no meio pra poder chegar do outro lado, temos de fazer esse salto intermediário bem leve e rápido pra causar o menor dano possível.
Enfim, mais ou menos isso.
3) Grupeto
É um giro de bailarina:
Encontre a nota alvo, comece tocando a de cima, passe pelo alvo, passe pela nota de baixo e volte para o alvo.
Ficou claro que é um giro?
Enfim, são vários ornamentos e cada um deles pode ser tocado de várias maneiras.
Desses que eu citei, com toda certeza o trinado é o mais utilizado.
Então vamos detalhá-lo mais.
Mas não por aqui.
Procure o vídeo no meu canal do Youtube:
“Como executar trinado no piano (Estudo de ornamentos)”
Lá pelo minuto 5:00 falo exclusivamente sobre a prática do trinado.
Bons estudos!
(Nota: Você já é intermediário ou avançado no piano? Sente que está empacado? Então cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)
Uma luz na variação de exercícios para piano
No vídeo abaixo, mostro um exercício pra coordenação das mãos voltado para o iniciante de piano. Mas é possível ir além do simples exercício. Mostro também algumas variações. Essa capacidade de variar exercícios é muito importante, principalmente para quase-intermediários e intermediários. Criar um exercício significa que o estudante está percebendo uma dificuldade e montando uma estratégia pra vencê-la.
Veja o vídeo aqui:
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
É preciso ser menos tático ao piano
Recebi hoje um email de um empresário que dizia que o mundo dos negócios precisa ser menos tático.
Isso se aplica facilmente ao mundo do piano.
Sempre digo que o aprendizado não deveria ser baseado em truques.
Claro que é mais fácil oferecer um livro ou um curso ou um treinamento, enfim, qualquer coisa que seja, em qualquer área que seja (piano, negócios, natação, pintura, domesticação de macacos-prego), se você diz que tem os truques necessários pra aprender essa tal coisa.
Exemplo:
Amanhã publicarei um vídeo com uma tática especial para uma dificuldade dos iniciantes.
Mas essa tática não pode estar isolada.
Táticas, exercícios, truques, macetes são importantes.
Mas nunca deixe esse tipo de coisa ser a base do seu desenvolvimento.
Ela nunca será a bala de prata que acaba com o problema.
É preciso de uma estratégia geral.
Alguns dias atrás, minha aluna Bernadete Moreira descreveu:
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Olá Professor,
Respondendo a pergunta ” como está o estudo das lições ?”
Desde que adquiri o Pianista Aprendiz no final de abril, tenho estudado praticamente todos os dias e fico sempre mais motivada a cada aprendizado, acabei de assimilar , e acho que meu ouvido também melhorou bastante pois percebo que tenho que polir em muitos trechos, mas isto é questão de tempo e estudo como você sempre fala. Agora estou mergulhando nas escalas e brevemente o grande desafio : a Sonata Facile que parece bem trabalhosa, mas quero muito aprender.
Considerando que a alguns meses as falanges de meus dedos “quebravam” ao tocar as teclas e minha prática de teclado era bem limitada (tinha estudado um pouco de teclado popular): a mão esquerda só fazia o acompanhamento com acordes parados, a direita é que fazia a melodia, mas sempre sem um acabamento e deixando a sensação de que não levava jeito e nem tinha mais idade pra aprender, sinto que dei um grande salto neste período e quero seguir adiante nesse caminho, pois penso que cada música quando bem tocada é uma conquista
Abraços e obrigada por suas aulas.
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O que conta mesmo é montar uma lógica coerente de desenvolvimento.
Que é o que a Bernadete tem acesso ao estudar as lições do treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Se você também quer aprender com solidez, pode fazer sua inscrição.
Aqui estão todos os detalhes:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
“Como saber se realmente aprendi uma peça ou se está apenas mecanizada?”
Hoje vamos falar do parâmetro mais importante para os iniciantes ao piano.
Não será uma explicação simples.
Mas quem está praticando piano entenderá muito facilmente.
A pergunta que chegou é a seguinte:
“Como saber se realmente aprendi uma peça ou se está apenas mecanizada?”
Pra responder direito, preciso recorrer a algo não musical.
No aprendizado de piano, lidamos com o treinamento do corpo, da vontade e da inteligência.
Se pararmos pra pensar por um instante, veremos que nenhuma dessas dimensões isolada é suficiente pra aprender algo complexo como tocar piano.
Assim:
1) O corpo não responderá às necessidades técnicas, se já não tiver sido “avisado”, pela inteligência, qual é o objetivo final e se esta, por meio da vontade, não tiver comandado nosso corpo na ação;
2) Mesma coisa pra inteligência: se apenas aprendemos teoricamente os princípios musicais, isso não nos habilita tecnicamente a tocar.
e 3) Se colocássemos apenas vontade nos estudos, sem a triagem da inteligência, contrairíamos vício atrás de vício e tudo ficaria mais difícil do que realmente é.
Enfim, onde quero chegar é o seguinte:
Nenhuma das três dimensões é o alvo central do aprendizado.
Isso quer dizer que existe algo por “baixo” delas que é o sujeito que aprende.
Vamos chamar esse sujeito de “eu”.
Esse “eu” utiliza as três dimensões como ferramenta pra ser penetrado pelo conhecimento. Qualquer pessoa que já toca um instrumento, testemunha que o ato de tocar é apenas uma resposta “automática”, a famosa “segunda natureza”, sem a necessidade de pensar e com imediata resposta corporal, ou seja, o “eu” já aprendeu a se utilizar das faculdades em tal tarefa com desenvoltura.
Por isso, não se preocupe se a execução está mecânica ou não.
Isso realmente não importa.
O que importa é que você esteja treinando suas três dimensões pra interiorizar cada vez mais o aprendizado e assim, algum dia, poder dizer “eu sei tocar”.
E Agora chegamos no cume da resposta…
Chegamos na coisa que mais deve preocupar o iniciante…
O parâmetro mais importante pra esse nível de estudante:
FLUÊNCIA.
Tocar as músicas com fluência, sem dar atenção demais à velocidade ou interpretação.
A “fluência” é o parâmetro unificador que garante que suas três dimensões estão trabalhando de maneira eficaz, em direção ao bom aprendizado.
(Nota: Você não é mais iniciante? Já é intermediário ou avançado no piano? Sente que está empacado? Então cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)
O fôlego final de 2017
No momento que estou publicando esta mensagem, falta menos de 100 dias para o fim de 2017.
Quando percebi isso, fiquei muito angustiado.
Normalmente não dou muita bola para os ciclos anuais. Simplesmente baixo minha cabeça e faço o que tenho de fazer. Mas esse ano foi anormalmente atropelado. Minha lista imaginária de “coisas a fazer” em 2017 não alcançou muito dos seus objetivos.
Isso é um pouco engraçado.
Quando criança, sempre ouvi falar que o tempo passava mais rápido a cada ano.
Naquela época a histeria do momento era que em 30 anos (no caso, 2010), não teríamos mais água potável.
E que o buraco na camada de ozônio fritaria a todos.
Realmente é assim.
Não a parte da água e da nossa fritura, mas a parte do tempo.
Aposto que se fosse perguntar pra vocês quais eram seus objetivos em 2017 e se eles realmente, com toda sinceridade, serão realizados, receberei uma avalanche de respostas de fracasso. Acho que o grande culpado disso é a velha mania de criar apenas objetivos irreais.
Mas, tudo bem, sem pânico.
Ainda temos quase 100 dias.
O que podemos fazer?
Em primeiro lugar: paciência e perdoe você mesmo.
Em segundo lugar: identifique uma ou duas coisas que ainda são possíveis de realizar em 2017.
É um grande erro já considerar 2017 um ano morto.
Se você colocar na cabeça que “já não dá mais tempo pra nada”, quando piscar os olhos, terão passados mais 30 anos.
Cumprindo mais um ou dois objetivos ainda este ano, você entra preparado pra 2018.
Não entra o ano novo fora de ritmo.
Então, esteja focado.
Se abandonou o estudo de piano ou teclado, recolha o material que tem, encontre alguma dificuldade e trace um plano pra vencê-la.
É o último gás pra entrar fervendo em 2018.
(Nota: Ainda não tem material pra estudar piano ou teclado e é totalmente iniciante? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Escala com mãos separadas, aceitar um desafio, memória e indo além
Rolei rapidamente pela página de comentários do Youtube e selecionei alguns.
Aposto que a resposta de algum deles será útil pra você.
Só lendo pra ter certeza:
1) “Posso fazer escalas com a mão direita com um dedilhado e depois tentar fazer com a esquerda?”
Bem, a verdade é que não entendi a pergunta.
Mas não tem problema.
Serve como gatilho pra isso:
Não se contente apenas em saber o nome das escalas, qual sua fórmula de compasso e forma estrutural de tons e semitons… PRATIQUE AS ESCALAS, conheça elas na ponta dos dedos. Comece praticando com mãos separadas, apenas uma oitava, mas PRATIQUE. Não fique apenas no conhecimento intelectual.
2) “Sei algumas músicas de forma simplificada mas me perco só de pensar em quais notas serão as próximas a ser tocadas. Às vezes acho até engraçado por parecer que as mãos é que estão tocando sozinhas.”
Para o iniciante isso é bem normal.
Ele ainda não conquistou a segurança própria dos níveis mais avançados.
Mas existe outro ponto:
Se você está fazendo um estudo autodidata, cuidado com as músicas simplificadas.
Nenhum conhecimento é assentado sem um desafio.
Então você precisa encontrar e aceitar (enfrentar) algum desafio.
Isso é obrigatório pra conquistar a segurança.
3) “Estou eu lá, com meu nervosismo de sempre rsrsrs, tocando uma peça. A questão é que se alguém faz um barulhinho qualquer, ou abre a porta da sala, já perco o fio da meada… isso é comum? O que fazer? Atrapalha muito!”
Ignorando o nervosismo, me parece problema de memória.
Sempre temos uma mão que funciona no piloto automático e geralmente é a direita.
Então estude muito e decore apenas a mão esquerda.
Isso deve ajudar.
4) “Gostaria de saber se o curso de piano serve também para quem está aprendendo no teclado, pois não tenho piano”
Sim, é perfeitamente possível estudar o treinamento “O Pianista Aprendiz” no teclado.
O objetivo do treinamento é dar liberdade técnica ao estudante iniciante ou intermediário.
Assim você não fica preso nas simplificações e segue uma sequência lógica de aprendizado.
Podendo ir além dos tutoriais.
Conheça todos os detalhes aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
“É um peladão com uma criança…”
Toda vez que algo assim acontece, penso:
“Onde está o inocente que fará a todos enxergar a roupa nova do rei?”
Não sei se você conhece o conto “A roupa nova do rei”…
É mais ou menos isto:
Um rei bem vaidoso e, devo dizer, meio estúpido, é enganado por dois vigaristas, que se dizem alfaiates. Eles dizem que aprenderam a fazer um tecido muito refinado e especial que possui uma característica única e inusitada: somente os inteligentes o podem ver.
O rei fica fascinado.
Encomenda uma vestimenta real com este tecido especial.
Depois de trabalhar arduamente pra fazer o tecido e costurar a roupa, os vigaristas entregam o pedido ao rei.
O rei, pelado na frente do espelho, chama toda corte pra apreciar o novo traje.
Todos ficam impressionados!
Como não ficariam?
Eram todos inteligentes!
Então conseguiam enxergar algo que um paspalho não conseguiria.
O rei então foi se exibir pra população.
Depois que se espalhou a notícia que apenas os inteligentes poderiam ver a tal roupa, a população ficou toda admirada.
“– Que linda roupa do rei!”
Mas, uma criança, com toda sua inocência, sem ter o rabo preso, nem tendo motivos pra querer parecer inteligente diz:
“– O rei está nu!”
Pronto…
Isso foi suficiente pra que todos (rei, corte e povo) percebessem que de fato ele estava nu.
Nada mais do que isso.
E que, bem, isso não se faz.
Não se fica nu andando por aí.
Então quando acontece o que aconteceu naquela exposição em São Paulo, aparece logo um lado defendendo a “arte” e solta uma verborragia fenomenal pra defender todo um conceito e blá-blá-blá, um monte de coisas de gente inteligente. E outro lado fica moralmente ofendido, e começam a gritar contra a pedofilia e contra a degradação dos bons costumes e tal-tal-tal…
Bem, eu não sei nada disso.
Só fico esperando algum inocente dizer:
“– Gente, é um peladão com uma criança…”
E, nos meus sonhos, bastaria pra todo mundo pensar que isso não se faz.
Não se mistura um peladão e uma criança.
Sem precisar de mais discussões.
Mas, fazer o quê!?!
As coisas não são como a gente gostaria.
O mundo da música também está desse jeito aí.
E da montanha de motivos que existem pra você se educar musicalmente, além do motivo “porque eu quero”, saiba que quanto mais estuda e se educa, sem ser do modo “ai como sou inteligente por estar estudando”, é mais provável que você não caia nessas armadilhas.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado e quer fugir dos peladões de hoje em dia? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Um vício ou um preconceito favorável?
Como toda arte ou técnica, tocar piano é um modo de conhecer, aceitar e incorporar uma porção de preconceitos.
Isso quer dizer que é necessário se adestrar em coisas que não sabemos o porquê.
Ou em modos de fazer que podem ser contraditos em outra ocasião.
Isso é muito, muito, MUITO diferente de um vício.
O preconceito correto é o preconceito que favorece o aprendizado.
Algumas semanas atrás eu gravava uma aula sobre um Noturno de Chopin, e uma das características de tal peça é que o compositor pretende que os finais de frase não sejam leves, mas que sejam bem marcados ou expressivos, assim a sensação de continuidade entre as frases é muito maior. E você já deve ter topado com algum vídeo meu em que digo o seguinte:
“– Faça o começo e o final das frases de maneira leve”
Essa é uma regra geral que sempre ensino.
Pois no momento em que fui executar as frases do Noturno, mesmo sabendo da intenção de Chopin, os finais saíram leves.
Se bem me lembro, digo até algo assim:
“– Olha aí o vício de fazer um final de frase leve quando não é pra fazer…”
Mas isso não é um vício.
É o bom e velho preconceito favorável.
Tudo bem que fica automatizado como um vício.
Mas a grande diferença é que o preconceito correto favorece o seu contrário.
Quem controla com leveza os finais de frase, já está 90% preparado pra fazer ao contrário.
Agora, vejamos um tipo de vício comum:
Colocar etiquetas nas teclas do piano.
Etiquetas que indicam a nota.
Isso é simplesmente adiar o inevitável.
E, como acontece com a maioria das pessoas, adquire-se o vício de tocar com as etiquetas.
Depois de tirar as etiquetas, grande parte dos alunos continua tão atrapalhada quanto teria ficado se tivesse insistido só um pouquinho no começo, e tentado lidar com as posições das teclas sem colocar etiquetas.
Ficou clara a diferença?
Existe uma porção de outros vícios por aí.
E a grande maioria dos “truques” que professores ou curiosos dizem ter inventado, não passa de vícios que na verdade prendem os estudantes cada vez mais, tornando-os viciados em cada vez mais truques.
Existe uma defesa contra isso:
Formar uma base sólida de preconceitos favoráveis.
(Nota: Você já é intermediário ou avançado no piano e deseja saber como formar (ou reformar) essa base? Então cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)







