A pior situação possível e como corrigi-la
Alguém me fez a seguinte pergunta:
“Felipe, realmente não sei qual meu objetivo com piano e não acho que tenho facilidade em aprender algum instrumento, o que devo fazer?”
Aqui temos uma situação muito ruim.
Não por causa do “não tenho facilidade”, mas por “não sei meu objetivo”.
Sem um objetivo, a pessoa depende apenas da empolgação.
E como todo adulto sabe, essa empolgação serve apenas até você encontrar um objetivo concreto.
(Se essa empolgação se mantiver, damos o nome de “paixão”, que, ao contrário do que dizem as novelas e os adeptos da auto-ajuda, não é uma coisa boa. “Paixão” é algo que te controla, algo que lhe deixa no “passivo”. Acho que não preciso dizer que isso não é coisa de gente)
Então ou a pessoa desiste de aprender, porque não tinha um interesse real…
Ou fica caindo nos picaretas, que tentam reacender essa empolgação, fazendo o interessado imaginar que vai impressionar todo mundo a sua volta, que os amigos vão achar ele o máximo, que a família vai amá-lo mais porque ele agora é um artista e todo esse blá-blá-blá que tenta convencer as pessoas pela vaidade.
Muito se engana quem pensa que isso é apenas coisa de iniciante.
Várias pessoas se mantém anos nesse vai e vem do aprendizado, mas sem muito objetivo.
Ok.
Essa é a problemática…
Vamos para a solucionática…
Isto serve tanto pra iniciantes quanto pra intermediários:
Escolha uma música que você queira tocar.
Comece analisando as mãos separadas dela.
Utilize o que for melhor pra isso, que seja a partitura (se já souber ler), um tutorial, qualquer coisa.
Depois tente trabalhar na coordenação.
A dificuldade vai depender da peça escolhida e do seu próprio nível.
Depois busque organizar essa música ritmicamente.
A contagem em voz alta é essencial, além do metrônomo e de ser capaz de captar as divisões rítmicas.
Neste ponto, você já tem que ter resolvido as questões mais técnicas.
Deve descobrir como resolver o problema da fluidez dos dedos.
Dos saltos.
Das notas duplas.
Assim você chega até a etapa da velocidade.
Se fez um bom trabalho técnico, pode aos poucos perseguir a velocidade ideal.
Um pouco cada dia, você pode subir as batidas do metrônomo.
Se tudo der certo, pode até ser que você não chegue na velocidade certa, mas alcance alguma satisfatória.
Então a missão está cumprida.
Peraí!
Eu disse “missão”?!?
Isso quer dizer que o trabalho todo foi guiado por um OBJETIVO.
Tocar uma música pode não ser o objetivo mais perfeito, mas é algum objetivo.
E foi esse objetivo que possibilitou a divisão do trabalho em pequenas etapas.
O problema agora é saber como realizar essas pequenas etapas corretamente, sem adquirir vícios, fazendo-as da maneira mais eficaz e que não impeça você de ampliar cada vez mais o objetivo, pra que não fique refém da simplicidade, como normalmente acontece.
(Nota: Quer entender como iniciar seus estudos de piano ou teclado sem vícios? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Menos mística, mais engenharia
Quando presenciamos alguém fazendo algo espetacular (pode ser em música, mas também pode ser nos esportes, nas artes marciais, etc)…
Nunca conseguimos imaginar o quanto de trabalho deu chegar naquele resultado.
Muitos simplesmente pensam que “pra essa pessoa é fácil…”
Existe ainda outro comportamento que é o “místico”.
Aquele que pensa que basta querer e pronto, magicamente vai conseguir.
Esse engano é mais problemático do que daqueles que pensam que é necessário um dom especial.
Os “místicos” são os que mais lotam minha caixa de e-mails.
Estão sempre querendo mostrar o quanto “sentem” e se “emocionam” com música…
Mas, estudar que é bom, que é o que quero que os alunos façam, neca peteca.
O professor Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, sempre diz para os artistas em geral:
“Menos mística, mais engenharia”.
E uma das mais essenciais engenharias na música, é saber lidar com ritmo.
É interiorizar a capacidade de fazer sua divisão corretamente.
Aqui os “místicos” são os primeiros a pular fora, já que uma das maneiras de fazer isso é contar os tempos em voz alta (e também mentalmente como recomenda o maestro Carl Czerny). Além disso, o solfejo rítmico bem feitinho desenvolve a intimidade com as divisões rítmicas possíveis.
Mas com certeza não é algo trivial conseguir contar os tempos.
É preciso paciência pra reduzir a velocidade de estudo e encaixar as coisas.
Além de insistir até conseguir coordenar a execução com a contagem.
Com toda certeza não é necessário um dom pra isso…
Mas também não se pode esperar que essa habilidade se desenvolva sozinha.
Quem faz o que recomendo, que é montar uma rotina de estudos, já está com meio caminho andado.
E sem pressa pra aprender as coisas!
(Nota: Quer entender como iniciar seus estudos de piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Movimento harmônico, empacada nas escalas, mindinho e mais…
Há alguns dias assisti o filme “Meu ódio será sua herança” e ainda estou no clima do filme.
Uma das frases mais marcantes é:
“– Se eles se mexerem, mate-os!”
Bom, algumas boas perguntas apareceram nos comentários do Youtube…
E como apareceram, merecem o tratamento mais cruel:
A morte…
Seguem abaixo as cenas cruéis:
1) “Oi, Felipe. No estudo da música, de uma peça, é necessário decorar o movimento harmônico da peça? Isso facilita a execução e a segurança do pianista? A gente canta as notas ou pensa no acorde base de cada compasso?”
(Vamos deixar a explicação de “movimento harmônico” pra outra hora)
Decorar o movimento harmônico ajuda demais.
Você não precisa ir pensando nele de maneira obcecada enquanto toca.
É muito útil também cantar a melodia mentalmente.
Mas o conhecimento da harmonia deve servir de apoio e, se a memória melódica falhar, é ele que deve estar ali para apoiar e assim conseguir dar continuidade à peça.
2) “Prof. Felipe, no meu caso, dei uma ‘empacada’ nas escalas. Com a mão direita vai bem, mas com as duas, :(, não está tão fácil! Abs”
Tática simples pra coordenação:
Comece devagar, na velocidade que for confortável pra você.
Meça essa velocidade no metrônomo.
Aumente essa velocidade em 2 batidas a cada dia.
Pronto!
Problema resolvido.
(A dúvida se mexeu, então morreu :P)
3) “Tenho tido um problema, às vezes um pouco doloroso, com o meu dedo mindinho (de ambas as mãos). A falange dele (não aquela mais comum de “quebrar”, na ponta do dedo, mas aquela do meio do dedo) quebra, deixando o dedo parecido com a letra L e impedindo que meu dedo fique curvo como você recomendou em vídeos anteriores. Isso é comum? Como posso resolver? Existe algum exercício para fortalecer essa outra falange? Um abraço e fique com Deus”
Tenho publicado no meu canal do Youtube um vídeo de exercícios para os dedos 4 e 5.
Assista-o e pratique todos os dias.
Procure estudar os movimentos e controlar pra que isso não aconteça.
Mas sem rotina, não tem como resolver.
4) “Qual é o nível de estudo para que se possa começar a estudar as Invenções a duas vozes? estudei diversos métodos como auto-didacta e comecei a estudar a primeira parte da Allemanda da suite francesa nº 3 BVW 814, mas procurei um professor e ele me disse que não estou pronto para essa peça; porém falou que já posso estudar o segundo movimento da Sonata Pathétique, adagio cantabile. Só que na minha cabeça a suite francesa soa mais fácil.”
A resposta certa seria:
Eu precisaria ver você tocando pra saber.
Mas que se dane a resposta certa 😛
A suite francesa é realmente mais difícil do que o segundo movimento da Patética de Beethoven porque implica em uma compreensão de frases mais sutis e nada está tão evidente como no caso da segunda. A dificuldade ali não é técnica, é interpretativa mesmo. Porém, se você está pronto para tocar esse movimento de Beethoven, você já tem nível para tocar as Invenções a duas vozes de Bach.
5) “Felipe, como faço pra aprender piano com você?”
Simples, inscreva-se no treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Saiba mais aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Falsificando o aprendizado com sucesso
Quando digo “imitação”, não me refiro a mímica.
Nem a agir como se estivesse em um espelho: quando o professor faz alguma coisa, você faz igual no mesmo momento. Não é nada disso.
Nem me refiro a um substituto revolucionário das partituras.
“Imitação” é, em primeiro lugar, uma maneira, ou melhor, um subterfúgio pra desenvolver o guia mais importante de todos quando estamos falando de música, obviamente que esse guia é o OUVIDO.
Quando você se propõe a imitar, você deve despertar os ouvidos.
Eles têm de captar a música com cuidado…
E depois tem de ser o guia do seu corpo pra reproduzir aquela melodia.
De novo:
Pra isso não é necessário comportar-se como num espelho.
Se você preferir escrever as notas em um papel, no computador, memorizar, utilizar a partitura, tatuar no braço… isso realmente não importa. O que importa é buscar o resultado musical, mesmo que seja em uma velocidade menor.
Aqui chegamos no conceito mais puro:
“Imitação” é imitar o resultado musical.
Acontece que isso pode ser difícil…
E com certeza é.
Muitas vezes o que fazemos não é “imitação”, mas sim falsificação.
Pode ser uma falsificação daquelas bem vagabundas…
Ou pode ser uma falsificação um pouco melhorzinha…
Mas isso realmente não importa.
O que importa é passar pelo processo.
Pra manter o seu desenvolvimento, esqueça um pouco o real valor do resultado e pense em perseguir o resultado.
Tornar-se um aprendiz é isso:
É se propor a aprender a perseguir um resultado.
E nada melhor do que a imitação pra fazer isso direito com lições virtuais.
(Nota: Quer entender como iniciar com a imitação? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Como descortinar o caminho para o aprendizado de piano
Assim que se cadastram no meu site algumas pessoas aproveitam pra perguntar tudo de uma vez…
Se apenas crianças conseguem aprender piano…
Qual instrumento recomendo…
O que estudar…
Se estudar pela internet funciona…
Enfim, querem saber o caminho que tem pelo frente.
E quem vai responder todas essas dúvidas é meu aluno Arthur Rogério.
Leia:
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Olá Prof. Felipe Scagliusi,
Meu nome é Arthur, tenho trinta anos, sou casado, pai do Lorenzo de 1 ano e 10 meses e servidor público.
Minha “trajetória” no piano começou há cerca de três meses, quando busquei cursos on-line e tive a grata oportunidade de conhecê-lo.
Logo em seguida, adquiri o piano digital P-115, pois tinha lido teu artigo que mencionava a qualidade dos pianos da linha “P” da Yamaha e “Privia” da Casio. Fiz meu cadastro no site “Aprendendo piano” e fiquei muito feliz com o conteúdo do material e da inegável coerência didática.
Confesso que fui seduzido pela tua proposta, pela inteligência das tuas colocações, pela tua sinceridade e transparência. Ademais, os vídeos do “YouTube” são sensacionais, as dicas são nota 10 e fica evidente que você é brilhante.
Atualmente, disponho de uma hora de estudos diários.
Em relação ao Módulo I, considero que estou tocando razoavelmente bem *CENSURADO*. No tocante à canção *CENSURADO* estou treinando tocar com a contagem em voz alta dos tempos “1, 2 e 3”.
No módulo II, assisti a todas as aulas e procuro alternar os exercícios antes de tocar as canções como forma de “aquecimento”. É bem interessante ver a evolução do dedilhado nas teclas!!!
Ah…Já passeei por alguns vídeos do módulo III e fiquei ansioso (risos).
Cada aula é um verdadeiro desafio. Num primeiro momento parece insuperável, mas com calma, dedicação e perseverança percebo que estou no caminho certo. As tuas orientações são muito precisas, “cirúrgicas”…eficazes. O caminho para o aprendizado do piano está se descortinando.
Posso dizer que estou realizado com que aprendi até o momento.
Por fim, gostaria de agradecê-lo pelos e-mails. Cada um deles é precioso e vai muito além do aprendizado do instrumento.
Você é sábio e compartilha ensinos valiosos.
Um grande abraço,
Arthur Rogério
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Se você quer trilhar o mesmo caminho do Arthur, faça sua inscrição no “O Pianista Aprendiz”.
Saiba todos os detalhes aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Alguém avisou que existia uma fossa musical?
Se tem algo que os professores cabeça-de-pudim jamais falam é que você passará por altos e baixos no estudo musical. Assim como tudo que vale a pena se dedicar. É uma regra do próprio desenvolvimento. E, por falar em regra, você deve conhecer a regra que cria o cenário pra sair do momentos de fossa…
Aqui está o vídeo que publiquei sobre isso:
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Largue os vícios e torne-se um aprendiz
Um dos principais inimigos do ensino de piano e teclado são os vícios.
É difícil um aluno que chegue totalmente cru.
No mínimo assistiu alguns vídeos por aí e já tentou fazer alguma coisa.
Isso quer dizer:
Já chega com vícios.
Mas não importa qual seja o caso, se totalmente iniciante, se quase-intermediário ou intermediário-meia-boca, a resposta pra largar os vícios é tornar-se um aprendiz. “Aprendiz” é quem estuda pra entender como vencer as principais dificuldades de tocar piano ou teclado, sem que a solução cause mais problemas posteriormente.
E só o treinamento “O Pianista Aprendiz” ensina como fazer isso.
Aqui estão todas as informações desse treinamento:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Quem tiver alguma dúvida sobre o treinamento, basta entrar em contato por e-mail.
Claro, antes de formular qualquer dúvida, por favor, leia a proposta aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Aguardo sua inscrição!
O fim dos tutoriais facilitados…
Eis o tipo de pergunta que chegou:
“Como o treinamento ‘O Pianista Aprendiz’
pode ajudar os estudantes intermediários?”
De fato não expliquei isso direito.
O objetivo é ensinar o QUE e o COMO do fundamento técnico.
Em um primeiro momento isso pode parecer apenas destinado a iniciantes.
Mas é grande a quantidade de estudantes intermediários que, mesmo depois de mais de 5 anos de estudo, mesmo já tendo uma grande experiência de repertório, dependem demais de tutoriais que facilitam trechos musicais e as vezes músicas completas.
Pra decretar o fim permanente desse tipo de recurso é preciso construir os fundamentos técnicos.
Parar de depender de músicas que a mão esquerda é praticamente parada…
Ou repetitiva demais.
Ou que a música inteira é um “acompanhamento” e não uma música de verdade.
Não sou besta de dizer que “O Pianista Aprendiz” é a bala de prata que resolve todos os problemas existentes.
Mas uma coisa é certa:
O estudante totalmente iniciante, quase-iniciante ou iniciante que quer garantir que não vai entrar no redemoinho dos tutoriais, das músicas repetitivas, da falta de liberdade técnica pra estudar o que quiser…
Ou o estudante quase-intermediário ou intermediário que deseja sair desse redemoinho…
Não encontrará online um material mais sério pra cumprir esse trabalho.
Poderíamos ir mais longe e dizer que a coisa também está feia nas escolas de piano.
Como disse minha aluna Rita de Cassia de Bem:
“Meu filho e eu fazemos aulas, ele no conservatório e eu numa escola de música. Mas ninguém nessa vida ensina como você…”
Ou a Iana Evane:
“Professor eu só tenho que lhe agradecer pela orientação, mesmo que seja virtual, mas o Sr ajuda muita gente mesmo. Não tem dinheiro que pague isso. Um ensino direcionado e realista, que ataca os problemas (e dá soluções). Mesmo já tendo professor particular, seu treinamento faz parte da minha rotina de estudos”
Enfim, continuem mandando dúvidas sobre o treinamento.
Se você não tiver mais dúvidas, faça de uma vez por todas sua inscrição no “O Pianista Aprendiz”.
Veja aqui todas as informações:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Não seja um macaco
História muito comum:
Meses atrás um aluno pediu um conjunto de aulas particulares pra sanar algumas dificuldades.
Ele se dizia “intermediário pra avançado” e queria recomendações diretas.
Quando alguém diz que é “intermediário” (ou “avançado”) já saco do meu “aham” cético.
E não deu outra, esse aluno é mais um daqueles que pula de galho em galho.
Assim que foi me mostrar o que conseguia fazer e onde estavam os problemas, sem brincadeira, ele tocou pelo menos umas 10 músicas diferentes, em torno de 40 segundos cada uma. Em cada um desses trechos ele descrevia um problema e tentava dar uma solução de como resolver, meio que querendo uma opinião sobre essa solução (ou que eu desse uma solução melhor).
A primeira coisa que eu disse foi:
“– Volte pra primeira música que você me mostrou e toque ela inteira”
Ele não conseguia.
“– Então tente a segunda…”
Nada ainda.
“– Então toque qualquer uma completa!”
E saiu uma tirada de um livro de iniciação musical.
Depois pedi pra ele me descrever como foi seu histórico de estudo.
O resumo é mais ou menos este:
Pulou de uma escola pra outra.
Comprou vários livros de iniciação…
Estudou um tempo o Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach…
(que é um livro excelente!)
Depois trocou de livro…
Estudou mais algumas coisas por Youtube…
E foram 4 ou 5 anos assim.
Minha proposta pra esse aluno foi esta: não poderia avaliá-lo como “intermediário”, muitos menos como “avançado”, já que não era possível analisar como ele lidava com o ritmo ao decorrer de uma peça, nem como estava seu domínio panorâmico, porque só haviam trechos soltos sem um discurso musical montado.
Então sugeri que trabalhássemos os fundamentos.
Que ele tornasse bem consciente o seu treino de coordenação…
Assim poderia despertar os dedos, as mãos e a capacidade de sincronização.
Depois disso começaríamos a organizar matematicamente a música.
Focaríamos em trechos técnicos que ele tem mais dificuldade.
Minha proposta foi de reconstrução de toda sua formação.
E o trabalho tem ido bem…
De vento em popa até agora.
Bastou que ele parecesse de macaquear o estudo de piano, e focasse no que mais desenvolve.
Quem puder, eu imploro, que faça o mesmo.
(Nota: Quer entender como iniciar seus estudos de piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Tocar piano é como andar de bicicleta
Não, não tem nada a ver com “uma vez que aprende nunca mais esquece”.
Com a bicicleta pode ser mais ou menos assim, mas não com o piano.
A semelhança está em outra parte.
É a seguinte:
Como estamos sem carro, ultimamente eu e minha esposa estamos utilizando bastante a bicicleta. Não é por ideologia ciclística, nem por um mundo melhor, nem por mais saúde, é apenas por necessidade. Se pudesse, continuaria utilizando um carro.
Enfim, voltando pra história:
Em uma de nossas pedaladas até o mercado, enquanto eu ia distraído, pensando na vida e tal, percebo por visão periférica que minha esposa está fazendo movimentos estranhos.
Quando viro a cabeça e olho pra ela, a cena é mais do que estranha:
A bicicleta já estava caída no chão e minha esposa, em pé, começa a esbravejar.
(Incrível sua habilidade de cair de bicicleta sem cair no chão)
Vi que estava tudo bem com ela.
Não havia um pneu furado ou corrente caída.
Nada.
A bike estava intacta.
(Nem sequer um novo arranhão)
Aí minha reação foi perguntar exatamente o que você está se perguntando agora:
“– O que aconteceu?”
E a resposta foi:
“– Não sei! Eu estava olhando pro pedal, tentando controlar o impulso da perna da frente e da perna de trás, quando perdi o equilíbrio!”
Pensei que pudesse ter sido um buraco ou algo assim e não pensei mais no assunto.
Montamos e seguimos o caminho.
No mercado, em um daqueles momentos epifânicos, uma hipótese surgiu.
E testei esta hipótese durante todo o caminho de volta:
Já falei várias vezes sobre “segurança” ao piano, que é uma visão um tanto diferente de “tocar” piano. Normalmente apenas os professores precisam saber dessa diferença, mas no ensino online, pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Segurança ao piano é quando você sabe que pode fazer as coisas meio que no automático. Quando, sem se confundir, pode antecipar tudo o que está por vir na música: dedilhados, ritmo, dinâmica etc.
É uma visão panorâmica.
Bem, é com essa visão panorâmica que se deve tocar piano.
Enquanto não faz isso, você está apenas treinando.
E se por um momento perder a visão panorâmica, tudo vai por água abaixo.
Foi exatamente o que aconteceu com minha esposa.
Enquanto ela estava pedalando, prestando atenção no conjunto do percurso, enfim, com uma visão ampla de tudo, tudo ia bem. Quando ela resolveu prestar atenção em um parâmetro único, prestar atenção na técnica de pedalar, aí o conjunto que ia bem se desfez. E ela perdeu o equilíbrio.
Se você está tocando uma música e começa a pensar:
“E agora, qual o ritmo…”
“Quais são as notas…”
“Qual é a próxima frase…”
“Como tenho de mexer o dedo aqui…”
A coisa começa a desandar e você fica paralisado.
Muitos acham que isso é um problema emocional, mas é falta de saber de verdade o que está fazendo.
E por não saber, pensar em cada coisa separada só piora.
Então se você quer saber o que um professor de piano faz, é isso:
Ele cria o cenário para o aluno desenvolver e treinar suas habilidades pra chegar no ponto de não pensar nessas habilidades e, enfim, poder dizer que “toca piano”.
Essa história foi meio longa, eu sei.
Mas é imprescindível que meus alunos entendam essa diferença de perspectiva.
“Tocar” um instrumento não é tão difícil.
Fazê-lo com segurança, que é a sensação que todos querem ter, já não é bem assim.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)







