3 sinais de que você pode passar pra próxima música
Quem começa a estudar alguma coisinha no piano e segue algumas lições com peças e músicas, logo faz a fatal pergunta:
“Como vou saber que posso passar pra próxima lição/peça/música?”
Bem, não existe uma reposta universalmente única.
Sem ver essa pessoa tocando e sem conhecer continuamente seu modo de estudar, só posso dizer que existem alguns sinais que podem (TALVEZ) indicar que você está pronto pra seguir em frente.
E os 3 sinais são:
1) Fluidez na execução
2) Execução de memória
3) Andamento estável (sem prejudicar a compreensão)
Já sei que vai chover mensagens perguntando sobre a “Execução de memória”.
(principalmente sobre “memória”)
(principalmente relatando que “não tenho boa memória”)
Mas deixemos a memória pra outro dia.
Agora a recomendação é em relação a “fluidez”.
Algo que recomendei a dois alunos nesta semana e pode ser útil pra outros.
É perfeitamente normal travar em algumas partes ou ter algum trecho que é particularmente desafiador e que avacalha com a fluidez geral.
Uma das estratégias pra conquistar a fluidez é regular o andamento:
Coloque a marcação bem lenta em um metrônomo, lenta de maneira que seja plenamente possível você olhar o teclado e realizar a mudança de trechos e seguimento da música sem esbarrar em outras notas. Pratique dessa maneira lenta por alguns dias (nunca esqueça a regra dos 3/7/10/etc dias) e aos poucos vá aumentando a velocidade.
Não dê bola para a aparência de que não está adiantando nada.
Coloque consciência e disciplina nisso.
O que é normal é o sujeito não saber quais lições seguir, o que fazer pra vencer dificuldades básicas, como fazer pra organizar a execução da música/lição de modo a poder manter bom ritmo e poder fazer tudo com fluidez.
Isso sim impossibilita totalmente alguém aprender e avançar no instrumento.
Mas quem é inscrito no treinamento “O Pianista Aprendiz” não tem esse problema.
É seguir o material com disciplina e desenvolver as habilidades.
Você também pode se inscrever aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Como enganar honestamente as pessoas: o cachorro-quente de 5 cents
Em Nova York fica a matriz do “Nathan’s Famous” especializado em cachorro-quente.
Nathan, o fundador, abriu sua primeira lanchonete em 1916 e sua principal estratégia era vender o cachorro-quente mais barato do mundo.
Seu concorrente vendia por 10 centavos.
Nathan cortou todos os gastos possíveis e começou a vender por 5.
Mas a coisa não funcionou.
Pelo menos não ocorreu o estouro que Nathan precisava.
Apesar do preço, o consumidor não se sentia confiante com aquele lanche.
Afinal:
Aquela carne processada pode ser feita de qualquer coisa.
Seria saudável?
Bem, a solução de Nathan foi a seguinte:
Contratar médicos falsos.
A descrição dada pelo The New York Times é a seguinte:
“Nathan contratou alguns jovens que, vestidos de jalecos brancos, ficavam em frente da lanchonete, consumindo seus cachorros-quentes. Isso trouxe os visitantes de ‘classe’. Eles decidiram que os lanches de Nathan ‘devem realmente ser bons porque todos os médicos estão comendo eles'”
Um simples truque pra quebrar uma objeção.
E a Nathan’s Famous decolou em vendas.
Ninguém morreu por consumir seus lanches.
O truque dos médicos falsos foi quase como um engano honesto.
(fui irônico no “engano honesto”)
E o que isso tem a ver com o aprendizado de piano?
Nada.
Tem apenas a ver com as perguntas que me fazem sobre tal e tal “método de 30 dias”, tal e tal “webinário matador e épico” ou sobre tal e tal “aplicativo revolucionário e mágico…”
Criem bom senso e leiam nas entrelinhas.
Se um truque pra convencer a comer um simples cachorro quente já não é lá uma coisa boa, imagina alguém que pretende ser um professor.
Tudo pode parecer inocente e um simples “engano honesto”, mas se tem alguém aqui que pretende seguir quem faz promessas mirabolantes cheias de letrinhas miúdas sobre o resultado, não tente buscar minha aprovação pra participar dessa decisão.
E acho que chega de falar sobre métodos mentirosos.
(pelo menos por enquanto)
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
A não é B e sim C
Se você aderiu ao aprendizado online ou qualquer variação em que você não tem um acompanhamento direto de um professor, você está dentro de uma modalidade de ensino autodidata.
Isso quer dizer que de alguma maneira você tem de ser o próprio professor.
A conclusão é que você precisa de algum conhecimento pedagógico.
Um dos mais importantes princípios pedagógicos que aprendi com o professor Olavo de Carvalho é:
“A não é B e sim C”
Confuso?
Vamos trocar em miúdos…
Inscrito aqui na minha lista, DAguimar Ribeiro fez a seguinte observação:
“A maioria das pessoas buscam uma forma mágica de aprender música! Poucos tem senso crítico e sabem discernir entre os que querem ensinar de verdade e os que tem outros objetivos e não se importam com ninguém só querem obter lucro das monetizacoes dos vídeos e vender e-books com dicionários de acordes sabendo que primeiro a pessoa precisa ter um preparo técnico para executar as progressões com ritmo e fluência.”
Comentário muito muito muito perspicaz.
Quando vamos aprender alguma coisa nova, queremos que alguém nos dê a fórmula mais simples possível.
Estamos procurando o ensinamento do tipo “A é C”.
Para o mundo do piano, estamos querendo algo assim:
“Aprender piano é colocar os dedos nas teclas certas”
Ou:
“Aprender piano é tocar escalas e improvisar”
Ou:
“Aprender piano é tocar acordes”
Ou:
“Aprender piano é ler partituras”
Ou:
“Aprender piano é copiar tutoriais”
Ou:
“Aprender piano é compra o curso tal”
Enfim, procuramos alguém que resuma o máximo possível.
É claro que música e o aprendizado de piano não podem ser resumidos nessas coisas.
Embora essas coisas façam parte da música e do aprendizado de piano de algum jeito.
Então, como uma espécie de anticorpo, o autodidata tem que ficar atento não apenas ao que é afirmado, mas também ao que é negado.
Como o DAguimar observou, se alguém está dizendo que basta você ter um dicionário de acordes, então está dizendo que não interessa como você toca esses acordes.
Por exemplo, é como se a fórmula do aprendizado fosse:
“Tocar piano é seguir o dicionário de acordes e não desenvolver seu ouvido ou sua sensibilidade de dinâmica”
Essa é a aplicação da fórmula “A não é B e sim C”.
É um jeito muito seguro de afinar seu senso crítico.
Claro que não é fácil aplicar essa fórmula em qualquer proposta de ensino.
Na maioria das vezes precisamos de tempo pra entender o que alguém está afirmando e o que está negando.
Mas essa é a vida dos autodidatas.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Os dois tipos de canais de Youtube pra piano
Quase não consegui escrever o texto de hoje, mas assim que as visitas foram embora, resolvi fazer um comentário adicional sobre o vídeo que publiquei no sábado.
Basicamente existem 2 canais de piano no Youtube:
1) Aqueles que baseiam seu conteúdo em tutoriais.
2) Aqueles que querem ensinar alguma coisa.
Como meu objetivo não é ter inscritos, nem bombar de visualizações, só me interesso em continuar ensinando alguma coisa.
O vídeo de sábado é um exemplo disso.
Várias vezes já comentei sobre isolar e praticar trechos separados das peças.
Isso é essencial pra que todos os recantos do seu ser sejam preenchidos com o aprendizado musical.
Mas o mundo não é perfeito.
Qualquer solução que encontramos pra um problema, acaba inevitavelmente gerando outro problema e assim temos uma cadeia interminável, com a ressalva de que um bom estudo de piano acaba resultando em problemas menos relevantes do que um estudo ruim.
Bem, o principal problema de estudar por trechos é que por vezes a junção desses trechos fica meio tosca.
E na maioria, não sabemos o que está acontecendo.
Então vá até o meu canal do Youtube e veja o vídeo “Encontrando e destruindo a nota vilã no piano”.
É claro que os tutorias que são simples guias de teclas não podem ajudar a solucionar isto.
Um último detalhe sobre o estudo por trechos:
Na medida que você avança, os problemas de junção vão diminuindo em número, mas apenas se você estudar com consciência do que está fazendo, pensando em quais problemas e dificuldades estão surgindo. E tentando resolvê-los.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Mister M em ação novamente
O novo vídeo publicado no Youtube mostra mais uma vez qual é o truque por trás da mágica de tocar piano.
O objetivo é encontrar e destruir os problemas ao juntar trechos estudados ao piano.
Confira aqui:
Uma das grandes opiniões erradas que tento combater com meu trabalho online é de que tocar piano trata-se de acertar as teclas corretas e que, portanto, estudar piano é apenas um estudo de qual tecla é preciso ser acertada.
Isso é uma simplificação enganadora.
Que mais atrapalha do que ajuda.
Uma das maneiras mais eficazes de encarar o estudo de piano é entender as dificuldades que aparecem e descobrir a melhor maneira de resolvê-las.
Assim é possível adquirir um canivete suíço de soluções.
E esse conjunto de soluções é o meio pelo qual você adquire a habilidade técnica de tocar piano.
Essa é a estrutura que forma o treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Pra saber mais sobre o treinamento e participar, leia esta página:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Existe uma correspondência entre andamento e batidas por minuto?
Se pensarmos estatisticamente, sim, deve existir uma faixa que equivalha mais ou menos a cada andamento.
Fabricantes de metrônomos adoram relacionar BPM com andamento.
E na internet você pode achar dezenas de bilhões de tabelas sobre essa relação.
Eu não dou a mínima pra isso.
Antes de explicar o porquê:
“Andamento” diz respeito a velocidade de uma música. Existe uma variedade de andamentos possíveis, dos mais lentos aos mais rápidos. Normalmente alunos iniciantes confundem “andamento” com ritmo, mas a divisão rítmica de uma música pode continuar a mesma enquanto sua velocidade pode ser alterada completamente. Podemos dizer os números 1 – 2 – 3 – 4 bem lentamente, levando uns 10 segundos pra dizer todos, ou podemos dizer rapidamente os mesmos números em apenas 1 segundo.
A divisão entre 1 – 2 – 3 – 4 está relacionada ao ritmo.
O “lentamente” e o “rapidamente” estão relacionados ao andamento.
Tradicionalmente existem nomes de andamentos, normalmente em italiano, como “adagio”, “andante”, “allegro”, “presto” etc etc etc.
E, como citei, foram criadas algumas tabelas pra relacionar esses nomes de andamentos com BPM (batidas por minuto).
Algo que possa marcar o andamento definido pra uma música, diretamente no metrônomo.
Então pode ser que você esbarre com tabelas por aí, do tipo:
“Adagio” é algo em torno 50 até 60 bpm.
“Andante” entre 70 e 100.
E assim por diante…
Agora vamos ao que interessa:
Quem é meu aluno ou acompanha meus vídeos públicos, já deve ter percebido que nunca, ou quase nunca, relaciono qualquer execução de música ou exercício com BPM, muito menos faço qualquer relação de andamento com BPM.
Na maioria das vezes, é até prejudicial ficar pensando em BPM.
Isso só cria mais um tipo esquisito:
O tarado por BPM.
Ao invés de se preocupar em criar um senso do sentido musical, esse tarado fica correndo atrás de velocidades do metrônomo.
Quando devia se preocupar em não desfigurar a música.
Claro, isso em termos de execução, porque em termos de estudo, é normal desfigurar, dividir, retalhar, desmembrar a música.
Então, apesar de ser estatisticamente possível criar uma tabela de andamentos e batidas, quando estamos falando de aprendizado e aquisição de habilidades musicais, acho no mínimo inútil se preocupar com isso.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Experimento pra confirmar que você se engana facilmente com música
Devo estar com febre, porque serei científico outra vez:
Vá até o Google e pesquise o primeiro vídeo para o termo “The McGurk Effect”.
Trata-se de um vídeo curto produzido pela BBC.
O que nos interessa começa mais ou menos em 0:30.
O resumo do que acontece é o seguinte:
É exibido um close na boca de um homem que repetidamente diz “– Bá, bá, bá”. Tudo parece certo porque os lábios dele realmente estão se mexendo da forma que um “Bá” exigiria. Muito bem. Logo após é feito uma pequena mudança: o som continua o mesmo (“bá, bá, bá”), mas o homem em questão começa a mexer os lábios em formato de “– Fá, fá, fá”. E o que acontece com a maioria dos que estão assistindo?
Elas realmente ouvem “Fá”.
É preciso enfatizar que não acontece com todos, mas com a maioria.
Bem, o vídeo continua suas explicações.
De leve é feita uma insinuação daquele dogma adolescente-nietzschiano-kantiano de que o mundo não tem sentido e tudo está na nossa cabeça.
Essa parte pode ser ignorada.
O dia que alguém falar “paralelepípedo” e eu ouvir “uva”, aí tudo bem, posso começar a duvidar da objetividade do mundo.
Mas enquanto a troca é entre “Bá” e “Fá”, tudo bem.
Ok, fugi do assunto, mas voltemos ao ponto…
Tenho desconfiado que alguns estudantes sofrem profundamente dessa ilusão.
Em um primeiro momento podemos dizer que apenas lhes falta sensibilidade, mas, em alguns casos, percebo que é algo mais sério do que isso. Normalmente acontece com aqueles alunos mais isolados, que nunca demonstram sua execução pra um professor ou pra amigos.
Já que estão com o instrumento e estão tocando piano, acabam imaginativamente considerando que o resultado está bom.
Mas não está.
E é bem óbvio que não tem nada a ver com sensibilidade.
Como eu sei disso?
Porque depois de se gravar ou de extraordinariamente se apresentar pra alguém, eles começam a perceber um monte de falhas.
A sensibilidade estava pronta.
O sujeito só não “queria” perceber.
E a mudança de cenário de uma gravação ou apresentação fez a ilusão se desfazer.
Por isso recomendo a todos os meus alunos a me enviarem a gravação.
E com “meus alunos”, me refiro aqueles que compraram meus treinamentos e estão estudando o material que disponibilizo. Não adianta ser apenas cadastrado na lista ou no canal do Youtube. Isto também não caracteriza ser meu aluno.
Também não adianta me mandar a gravação do Richard Clayderman, tem de ser o material estudado nas lições.
Para os meus alunos VIPs, basta publicar lá no grupo secreto.
Para os alunos de outros treinamentos, se ainda não receberam as instruções de como me enviar vídeos, não se preocupem que logo explico como fazer corretamente.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado e deseja evitar cair na ilusão de tocar piano? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Como se encher de bactérias apenas assistindo vídeos
Pra variar, serei um pouco científico:
Em 2006 pesquisadores americanos fizeram um teste pra confirmar ou negar aquele velho ditado de que se a comida cair no chão e for rapidamente recuperada, não existe nenhum perigo. Parece que não é bem assim.
Segundo os testes, já nos primeiros segundos 99% das bactérias aderem ao alimento.
Passei por situação parecida recentemente:
Um aluno particular não avançava nas coisas que eu passava.
Mas toda semana vinha com uma novidade do Youtube.
Era uma progressão revolucionária…
Era um novo método de virar mestre em 30 dias…
Era uma dica não sei da onde pra aprender por intuição e não por estudo…
(alguém sabe o que isso significa?)
Mas, claro, todas essas novidades vinham incompletas, então o cidadão tirava as dúvidas comigo.
O negócio funciona assim:
Nos vídeos de 2 ou 3 minutos desses métodos revolucionários os professores dizem coisas como “repita o processo até ficar confortável”, “comece devagar e faça variando o ritmo e a dinâmica”, “dedique-se por um tempinho e tudo vai dar certo”… enfim, um negócio simplesmente vago que dá a falsa idéia de que é necessário somente um pouco a mais do que aqueles 2 ou 3 minutos do vídeo pra que se alcance o sucesso.
E assim, vendo apenas um vídeo curto, o cidadão se enche de bactérias.
Do mesmo jeito que a comida fica infectada logo que cai no chão.
O que essas bactérias impedem o doente de enxergar é que “repetir o processo até ficar confortável” terá de enfrentar coisas como o dedinho do café…
Ou a necessidade da exatidão rítmica…
E, pra isso, você precisa contar os tempos…
E usar o metrônomo…
E se quiser aumentar a velocidade da execução precisará repensar o movimento…
Porque “começar devagar e fazer variando a dinâmica” são coisas bem distantes no tempo de estudo, que não é possível alcançar rapidamente.
Enfim, deixar se infectar desse jeito é uma auto-sabotagem.
Esse aluno em especial não conseguia avançar nem pelo método do vídeo de 2 ou 3 minutos, nem pelo meu, porque estava sempre pulando de nova promessa em nova promessa.
Esta semana dei a ele um ultimato:
Ou segue minhas orientações, ou procure quem queira ensinar ele de outro jeito.
O fato é o seguinte:
Quem quiser seguir a maneira que oriento nos estudos, basta ter o bom senso de não se deixar levar de corpo e alma por novas promessa mirabolantes. Não estou dizendo que não se pode pesquisar e estudar outras coisas. O que estou dizendo é que você não deve se contaminar voluntariamente.
Quem tem a disciplina pra isso pode aprender comigo.
(Nota: Você já é intermediário ou avançado no piano? Sente que está empacado? Então pode entender como funciona minha forma de desempacar os alunos: cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)
O que um amador tem de ter igual a um pianista profissional
Isso já aconteceu há mais de 10 anos:
Em algum lugar da Inglaterra, um homem foi encontrado andando na beira de uma rodovia, totalmente desorientado e sem se comunicar com clareza.
Logo foi levado para o hospital.
Por semanas a fio os médicos tentaram descobrir algo dele.
Fisiologicamente não havia nada errado.
Mas ele não conseguia responder perguntas simples, nem dizer quem era.
Até que alguém teve a brilhante idéia (com acento) de dar um papel e um lápis.
Adivinhe o que ele desenhou?
Adivinhou?
Sim, um piano de cauda.
Se bem lembro, recebeu até o apelido de “piano man”.
Depois disso alguém teve uma segunda idéia brilhante:
(essa foi tão brilhante que até merecia dois acentos)
Levar o desconhecido até o piano que ficava na capela do hospital.
E adivinhe outra vez?
O tal homem que nem sabia o próprio nome tocou piano sem titubear.
Dali por diante ele era deixado no instrumento e ficava por horas tocando.
Jamais soube o desfecho dessa história, mas o que nos interessa é o seguinte:
Mesmo sem saber se o “piano man” era um profissional ou um amador ao piano, mesmo sem saber se realmente tocava bem ou mal, se ele mantinha ou não o ritmo, se conseguia demonstrar bem a cor da música, nada disso importa, o ele tinha é aquilo que todo o estudante de piano precisa:
Transformar a habilidade de tocar em uma segunda natureza.
Algo que faça parte do seus músculos, sangue e células.
Não há exceções pra isso.
Nada importa o estilo, não importa a idade, não importa a habilidade natural.
Não importa o nível.
Por isso não importa a promessa de um método ou de um professor, o relacionamento com o instrumento precisa ser levado por muito tempo. E por “muito tempo” quero dizer “anos”.
Claro que isso não quer dizer que só depois de anos alguém conseguirá fazer alguma coisa no piano.
Várias coisas são imediatas.
Quero deixar claro que se existe uma coisa comum entre um amador e um profissional, aquilo que faz você olhar os dois e perceber como são seguros no que fazem, mesmo estando em níveis diferentes, é porque sabem aquilo melhor do que o próprio nome.
Ficou claro?
Este texto é mais uma introdução pra responder a pergunta “Quanto tempo leva pra aprender piano?”
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Uma lição das artes marciais
Das várias analogias que são possíveis entre as artes marciais e o piano, uma muito interessante é esta:
Algumas lutas possuem um treco chamado “forma”, “kata”, “kati” etc…
Basicamente são movimentos de um determinado nível, isolados e executados todos de uma vez.
Exemplo:
Existe o kata da faixa branca…
(que agrupa em sequência todos os movimentos do nível faixa branca)
O kata da faixa amarela…
(que agrupa em sequência todos os movimentos do nível faixa amarela)
E assim por diante.
Do pouco que conheço sobre algumas artes marciais, um dos principais objetivos do kata é executá-lo com fluência. Assim, mesmo que aconteça algum erro em determinado movimento, ou mesmo um branco no próximo movimento da sequência, o objetivo é que o estudante chegue ao ponto de passar por esses problemas sem travar, parar, perder o ritmo, fazer beicinho, gaguejar, entregar os pontos, vomitar, chamar a mãe, pedir demissão, pular do barco, pedir água etc etc etc.
Isso também deve ser treinado ao piano.
Claro, antes de se preocupar com isso, você precisa encontrar os pontos problemáticos.
Observe se os momentos de branco ou de dificuldade não seguem um padrão.
Identifique essas dificuldades.
Depois as resolva.
Como?
Bem, é exatamente isso que o treinamento “O Pianista Aprendiz” faz:
Ele ensina a como passar pelas dificuldades mais típicas.
Conheça e inscreva-se no “O Pianista Aprendiz” aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Logo após dar mais importância pra essa parte, você pode começar a pensar na fluência dos erros.
E são necessárias duas coisas:
1) Dedicar-se em um repertório até ficar bem íntimo dele, assim você pode pensar apenas na fluência, sem preocupar-se com outros aspectos.
2) Colocar a prova essa fluência fazendo pequenas apresentações, senão você nunca vai saber se está mesmo preparado ou está apenas se auto-enganando.
E onde você poderá encontrar um repertório que seja didático e útil?
Também no treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Se tiver interesse, inscreva-se aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/







