Porque não alcançamos os objetivos e como parar com a loucura

Você já viu aqueles ratinhos de agropecuária ou petshop?

Talvez você nunca tenha visto diretamente um, mas se entrar nesse tipo de loja, no mínimo vai escutar o som louco, descontrolado, estridente e insistente das rodas de exercícios que os ratinhos utilizam.

(me pergunto como alguém suporta esse barulho dentro de casa…)

Enfim, se você nunca viu um desses, sugiro que o faça.

Assim você terá a imagem exata do que é correr, correr, correr e não sair do lugar.

E me refiro mesmo ao aprendizado de piano.

Nem precisamos fazer analogia com outros aspectos da vida.

Não sei como você lida com as coisas que quer fazer, mas eu, até uns anos atrás, tinha uma lista de músicas e objetivos musicais. O problema era que essa lista só crescia. Quando começava a estudar pra alcançar algum daqueles objetivos listados, eu terminava o estudo com uma lista maior do que havia começado, já que a busca louca por algum objetivo fazia surgir muitos outros.

Logo eu tinha uma lista da lista:

“Lista das coisas que um dia vão entrar pra lista”.

Isso é ridículo, claro.

Então não demorou muito pra tudo não virar apenas uma lista imaginária.

E de lista imaginária passou a ser uma confusa impressão de que eu tinha que fazer alguma coisa, mas não sabia o quê.

Pra começar a realmente alcançar os objetivos e parar com essa loucura típica de ratinho de gaiola, correndo sem sair do lugar, podemos aplicar aquele princípio 80/20 (esqueci o nome), que diz que 80% do resultado surge de 20% das suas ações.

Não sei se isso é realmente assim.

Apego a essas cientificidades é bem estranho pra mim…

Mas é interessante utilizar como motivação.

Realmente existem coisas que dão mais resultado.

Foi pensando nessa eficácia que criei os treinamentos que ofereço.

Tecnicamente falando, não chegam a ser “cursos”, pois a intenção não é ser o percurso inteiro do caminho.

Mas sim aquilo que mais dá resultado.

Por isso imploro aos meus alunos:

Sigam objetivamente as lições.

E quem não é meu aluno, pode se inscrever no “O Pianista Aprendiz” aqui:

https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/


O destino dos autodidatas em piano descrito em uma só mensagem

No começo do ano, alguém enviou esta mensagem pelo Youtube:

(História triste)

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Alguém pode me ajudar? Ou pelo menos alguém para me dar uma luz, durante minha vida eu tenho tocado um pouco de piano, sei algumas melodias simples e algumas partes de músicas, mas o que eu quero mesmo é aprender uma música completa. Tenho assistido vários vídeos de tutoriais no Youtube, o que é muito legal, o problema é que eu não sei fazer minhas mãos tocarem notas diferentes. Vejo pianistas que a mão esquerda tocando meio lento e a mão direita um pouco mais rápido com diferente melodia e até ritmo.

O problema é que quando toco qualquer coisa minhas mãos automaticamente querem tocar a mesma nota que a outra mão, assim não consigo manter um fundo ou acompanhamento ou qualquer coisa que você queira chamar quando tocamos uma coisa com a esquerda e outra coisa com a direita.

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Essa mensagem simplesmente condensou o destino de 95% dos estudantes autodidatas que conheço.

Vou destacar os pontos e comentá-los.

1) “tenho tocado um pouco de piano”

Claro!

“Um pouco”.

Compromisso pra quê, não é mesmo?

Afinal, todo mundo sabe que sem compromisso dá pra fazer qualquer coisa direito.

2) “sei algumas melodias simples e algumas partes de músicas”

Se faltou compromisso, então o autodidata vai pular de galho em galho nas músicas.

Vai focar nas mais simples, pra não dificultar o caminho.

E vai tocar só aqueles trechos que ele acha mais legais.

Enfim, são apenas partes.

E com essas partes não é possível criar o cenário pra lidar com regularidade rítmica, com fraseado, com fluência etc, porque essas partes não tem unidade, nem continuidade suficiente.

3) “o que eu quero mesmo é aprender uma música completa”

Sim, eu sei.

Esse é o desejo de todo mundo.

Mas é preciso passar do desejo para o plano concreto.

Mais pro final falaremos melhor sobre esse plano.

4) “Tenho assistido vários vídeos de tutoriais no Youtube”

Deixa eu adivinhar:

São tutoriais de melodias simples e partes de música.

5) “quando toco qualquer coisa minhas mãos automaticamente querem tocar a mesma nota que a outra mão”

Já aconteceu muitas vezes:

Alunos que dizem ser “intermediários” me pedem aulas.

E quando chega na aula, o problema do aluno é coordenação ou independência.

Em um nível que não tem nada de “intermediário”.

Bem, sobre esse ponto acho que posso dar uma recomendação menos irônica e mais direta. Assim começamos a resolver o problema em algum lugar (é o início de um plano concreto): Estude sua música alvo com mãos separadas. Faça isso muito vezes. Altere a velocidade e estude com articulações variadas. E sempre com mãos separadas. Quando você sentir fluidez com mãos separadas, comece a arquitetar a execução lenta com mãos juntas.

Isso pode ser um começo pra você conseguir tocar um música toda.

(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)

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“Nunca seja o mais esperto da mesa”

Vou fugir do meu assunto usual.

Normalmente estou falando pra um público amador.

Hoje temos uma pequena mensagem para os profissionais ou pra quem tem alguma pretensão profissional.

É comum esse tipo de aluno me perguntar:

“– PÓRFÁVÓRPRÓFÉSSÓR MÊ DÊ ALGUMA DICA PRA EU SAIR DO LUGAR!!!”

(Sim, eles são abusados e usam maiúsculas, como se estivessem berrando nos meus ouvidinhos)

Pra dar alguma ajuda, vamos utilizar a mensagem da minha aluna VIP Elenice Machado:

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Boa tarde Felipe,
Estou muito impressionada com sua capacidade de ensinar e motivar. Estou seguindo seu roteiro de estudos e já noto mais força nos dedos e uma melhora na agilidade. Você fala na dificuldade para manter o fraseado do início ao fim de uma peça, mais uma vez sou agradavelmente surpreendida pela sua honestidade artística. É bom saber que não somos os únicos a ter dificuldades, e que quem está num estágio superior ao nosso também teve que vencer barreiras tanto técnicas como a própria expressão artística. É isso, estou curtindo um novo caminho no estudo de piano graças ao seu trabalho. Obrigada, Elenice M Pereia

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Já notei esse fenômeno incrível:

Dificilmente um professor dá a impressão de que tem alguma dificuldade. Sempre parece que as dificuldades ficaram no passado, que foram tempos difíceis, mas agora ele é uma espécie de semideus intocado pelos problemas. Ou, se falam de algum problema, nunca é algo muito claro, é sempre algo genérico e não identificável.

Bom, eu não sou um gênio desses.

Enfrento vários problemas musicais e sempre que posso falo sobre eles.

Existe um motivo pra essa naturalidade em falar das dificuldades.

Uma vez um amigo meu, viciado em auto-ajuda empresarial, me disse:

“– Nunca seja o mais esperto da mesa…”

Se bem me lembro, essa frase se encaixava no contexto de poker.

Se quiser continuar aprendendo, nunca seja o mais esperto da mesa de jogo.

Isso se aplica fielmente à música.

Você quer ser o melhor profissional que você pode ser?

Procure os melhores.

Conviva com os melhores.

Não basta pedir uma dica ou outra.

As vezes não existe alternativa, os melhores são inacessíveis.

Então qualquer coisa que vier deles, já é lucro.

Mas procure de qualquer jeito possível conviver com quem é um modelo incontestável, essa é a melhor fonte de aprendizado existente. Agora tenho mais de 30 anos de estudo de piano, mas não deixo de procurar, visitar e me corresponder com quem posso aprender alguma coisa.

(Isso exclui discussões de internet… :P)

Bem, desculpe se essa recomendação não foi nenhum truque mágico.

Mas é a mais essencial pra quem quer alcançar o máximo possível.

(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)

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Nenhum iniciante de piano gosta desse assunto (pior pra eles)

Sejamos honestos:

Tocamos no assunto “tensão”, o iniciante já pensa:

“– Isso não é pra mim, ainda estou aprendendo a acertar as teclas…”

Mal sabe ele que a tensão muscular dificulta inclusive a precisão de ataque.

Junto com essa objeção também temos:

“– Não tenho um piano acústico, não preciso me preocupar com firmeza ou tensão”

É, vai nessa, meu caro padawan…

Comece a tocar uma música toda fora do ritmo e logo ela deixa de ser música.

A falta de regularidade rítmica também pode ser causada por tensão muscular.

Enfim, o que pode ser feito pra combater esse problema?

De qualquer dica, truque, mágica, milagre etc que se invente sobre esse assunto, nada é mais importante do que a experiência de ter um repertório executado com FLUÊNCIA. Lembra-se que eu disse que a fluência deve ser o parâmetro mais importante pra um iniciante? Então, uma boa quantidade de músicas executadas com fluência lhe dá o cenário pra ter o melhor aprendizado possível.

Um dos benefícios é poder tocar com relaxamento.

Conhecer bem várias músicas dá a segurança pra executá-las sem enrijecer o corpo.

Pois um dos motivos de tensão é não saber bem o que estamos tocando.

E por não saber, tentamos controlar as coisas de outro jeito.

Esse outro jeito quase sempre resulta em ombros, braços, pescoço etc tudo tenso.

Então o bom e velho repertório fluente é essencial.

Outra dica boa é:

Ao pressionar uma tecla de piano, um martelo bate em uma corda.

E se pensarmos em outro som percutido, como um martelo batendo em um sino, não faz sentido bater o martelo e ficar segurando o martelo no sino com força, pois isso vai modificar o resultado final. Então o ataque é feito apenas com a força necessária e, mesmo que se precise segurar a tecla por mais tempo, fazemos de modo a não precisar de tanta força, pois é quase certo que assim o corpo ficará ainda mais tenso.

Esse é um exercício imaginativo.

Nunca esqueça que é um martelo batendo em uma corda.

Não tem problema que seja um instrumento eletrônico.

O que conta é a educação da sua imaginação.

Assim você vai entendendo aos poucos a como se livrar da tensão.

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Como se vacinar contra o medo de vícios ao piano

“…o ponto principal da mitologia de um super-herói é que existe um super-herói e existe seu alter ego. Batman é na verdade Bruce Wayne. Homem-Aranha é na verdade Peter Parker… é nesta característica que Superman é único. Superman não se transforma em Superman… Superman nasceu Superman. Quando o Superman acorda de manhã, ele é o Superman. Seu alter ego é Clark Kent… esse é o disfarce que o Superman usa para se misturar conosco. Clark Kent é como o Superman nos enxerga. E quais são as características de Clark Kent? Ele é fraco. É inseguro. É um covarde. Clark Kent é a crítica do Superman a toda raça humana.”

— Bill, Kill Bill vol. 2

Não ouso discordar dessa conclusão.

Vários alunos têm medo de estudar uma peça mais complexa porque o desafio pode ser muito grande.

E todo tipo de insegurança aparece.

Mas no meio de falsas fraquezas, existe uma que é real:

O medo de adquirir um vício na tentativa de vencer o desafio.

Isso realmente existe.

Não é difícil cair em um vício que bloqueia o avanço.

A vacina pra se livrar de vez desse medo é aquela que já comentei várias vezes:

Transformar a fraqueza em virtude.

Durante o estudo você deve observar seus erros.

Eles são realmente bestas e aleatórios?

Não existe um padrão por trás deles?

O que as passagens mais problemáticas têm em comum?

O problema é de memória ou é um problema técnico?

E assim você pode fazer aquilo que ensino exaustivamente em treinamentos:

Descobrir e ISOLAR esses pontos e trabalhar apenas neles.

Assim sua fraqueza pode virar virtude.

É como se o Superman interior guiasse o Clark Kent pra que esse também tenha superpoderes.

Vale a pena você levar em conta essa tática ao piano.

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Quebrar espelho, dá sorte

No vídeo da semana passada, passei um exercício (com variações) pra que os iniciantes entendessem melhor como funciona a coordenação das mãos. Agora vamos trabalhar pra que nossas mãos fiquem um pouco menos interdependentes. Muita gente sofre com o efeito de espelho das mãos:

Elas tem que fazer a mesma coisa…

Ou tocar as mesmas notas ou no mesmo ritmo…

Hoje trataremos esse problema do ritmo.

Vamos quebrar logo esse espelho!

Aqui está o vídeo:

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O céu se abrindo no estudo das escalas musicais

Há dois meses meu aluno Paulo Almeida enviou um e-mail com várias considerações sobre sua rotina de estudos e com algumas dúvidas.

Para o bem geral da nação, publico aqui uma das respostas.

A pergunta é a seguinte:

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Ainda não consegui encaixar o estudo das escalas… As de dó e de lá menor estão debaixo dos dedos, mas parecem mais um exercício de técnica (que decorei o dedilhado) do que uma escala assimilada mesmo. Sinto que não as “conheço” de fato, entende? Pior, acabo enrolando para estudar as demais. Devo pegar uma nova por dia ou por semana e incluir nesta última meia-hora? A pergunta pode parecer meio “esotérica” (ou dos “cabeças de pudim”…), mas como posso estudar as escalas de modo que elas não sejam apenas decoradas mecanicamente, mas de fato entrem na minha cabeça, fazendo sentido?

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Seguindo minha visão musical, a primeira coisa a se fazer com as escalas é absorvê-las mecanicamente.

Seu corpo precisa conhecê-las.

É claro que se deve estudar a teoria que as estabelece.

Mas parte das funções de estudar escalas é:

1) absorver os dedilhados e…

2) absorver os formatos da mão no teclado.

E isso só é aprendido com um estudo técnico decente.

(não apenas passando os dedos sem critério algum)

Então toque muito com as mãos separadas e vá juntando nota a nota lentamente.

Nas primeiras vezes é dificílimo.

Mas insistindo o céu começa a se abrir.

Aliás, nas lições que dou sobre as escalas, além dessa primeira parte mecânica, já ensino sobre sua estrutura e as relações entre as escalas, que são premissas pra entender intelectualmente o sentido da existência das tonalidades.

Acontece que primeiro vem as coisas primeiras.

As escalas debaixo dos dedos tem prioridade quando a intenção é compreendê-las bem.

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O dia que (quase) levei um tapa do médico

Muitos invernos atrás, me encontrava em situação deplorável.

Tontura, dor forte na cabeça na região da testa e náuseas.

Fui logo para o médico.

Esperei o tempo regulamentar na espera…

E fui chamado pelo doutor.

Infelizmente não me lembro do nome, mas fico devendo a lição que aprendi com ele.

Logo me pergunta:

“– O que você está sentindo?”

“– Sinusite”, respondi.

Ele insiste:

“– O que você está sentindo?”

“– Sinusite”, insisto também.

“– Perguntei o que você está sentindo…”

“– E eu lhe respondi: sinusite…”

“– Sinusite é a conclusão de um diagnóstico, estou lhe perguntando quais dores ou desconfortos você está sentido!!!”

Na hora reparei o vacilo que cometi.

O ar ficou tenso.

A vontade do doutor era mesmo me estapear.

Respondi:

“– Tontura, dor forte na cabeça na região da testa e náuseas””

Pra encurtar a história:

Ele me examinou, tirou um raio X, talvez tenha feito mais algum teste que não lembro, e depois de outro tempo regulamentar de espera me chamou para a conclusão. Não era sinusite coisa nenhuma. Não havia nada de errado com os exames. Apenas me passou um remédio pra resfriado e uma dieta e, pronto!, em dois dias eu realmente estava curado.

O que isso tem a ver com piano?

Bem, quando publiquei o texto sobre como as novelas pessoais atrapalham o estudo, uma porção de gente me respondeu:

“É mesmo professor! Também tenho problema de concentração!”

Mas o que falei sobre concentração?

Nada.

Isso daí foi a conclusão que a maioria chegou sobre um problema de aprendizado que eu estava expondo.

O problema dessas conclusões precipitadas é a seguinte:

Cada um tem na sua imaginação o que é concentração, o que é falta de concentração e como resolver a falta de concentração.

Para uns “concentração” é coisa de budista.

Ou é o mesmo que respirar fundo.

Ou é coisa de Jedi.

Ou é fechar os olhos e pensar em uma só coisa.

Ou não pensar em nada.

Ou é coisa do diabo.

Enfim, não façam isso.

Não pulem pra conclusão.

A mensagem dizia algo sobre um discurso interior que atrapalha o aprendizado de piano.

Só isso.

Não sei, nem quero saber se isso é falta de concentração.

Faça um teste consigo mesmo, por favor:

Tente parar de dar essas definições conclusivas para os problemas que você passa, apenas os descreva o mais objetivamente possível e pense em uma solução. Verá que a solução aparece mais rápido e é sempre mais simples do que a solução pra algo que você rotulou com um nome qualquer que ouviu por aí.

Faça isso com as próprias dificuldades ao piano.

Verá que a descrição objetiva da dificuldade é um passo em direção à solução.

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Aprender a tocar é a coisa mais fácil do aprendizado de piano

Situação praticamente diária:

Sento no piano pra estudar.

Aí lembro da conta de energia elétrica.

“Mas o vencimento está longe, então não preciso me preocupar.”

Toco as primeiras notas e percebo como o tempo está quente.

“Seria melhor se eu tivesse dinheiro pra comprar um condicionador de ar…”

“Porque o meu primo comprou um na semana passada…”

“E agora ele não fica todo suado e grudento quando estuda guitarra…”

“Claro, aí é fácil, o meu tio paga metade do aluguel dele…”

“Se fosse assim comigo, também teria instalado um refresco na sala…”

“Sem contar que o instrumento dele é muito mais barato…”

“Estou há anos economizando pra comprar um piano melhor e nunca consigo…”

“Talvez se eu jogar fora o cartão de crédito consiga economizar mais…”

“Mas esse não é o problema, nem tenho tanta despesa no cartão…”

“Acho que estou ficando velho…”

“Há 20 anos o clima não me incomodaria…”

“Depois de estudar aqui, vou precisar tomar um banho e tem aquele sorvete me esperando na geladeira…”

“Estudar???”

“É mesmo! Estou estudando…”

E bum!

Tenho de recuperar o fio da meada no piano.

Isso é sagrado. Não passa um dia sem que essas novelinhas passem na minha cabeça. Com você deve acontecer algo muito parecido. Pior é que esses dramas que inventamos, não são apenas pensamentos passageiros. Temos a fiel confiança que tudo seria diferente se pudéssemos ter outro instrumento. Ou se pudéssemos morar em outro lugar. Ou se tivéssemos mais tempo, ou menos idade, ou mais…

Enfim, o aprendizado propriamente dito de piano é fichinha, melzinho com açúcar, comparado com essas malditas novelinhas inventadas.

Tem gente que consegue sozinha se desvencilhar delas.

Aí basta seguir as lições e o aprendizado parece milagroso.

Outras são tão apegadas nessas crenças que são praticamente conduzidas por elas.

Só conheço uma cura:

Tente falar dessas opiniões com alguém.

Na hora que você verbaliza, já percebe como são ridículas.

Assim, mais da metade dos problemas de falta de rotina e continuidade dos estudos ficarão resolvidos.

E você terá um caminho praticamente livre.

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Submetendo os fracos a um tratamento de choque

Uns meses atrás meu aluno Thiago Marcelli me relatou o seguinte:

(Resumo)

“Tenho uma dificuldade muito grande para seguir alguns dedilhados que são indicados para se fazer os acordes e seus respectivos arpejos. Meu maior problema consiste no uso do dedo 4 de ambas as mãos, quando se começa um arpejo pelo dedo 5 e a próxima nota é ataca usando o dedo 4. Não sei se é por que minha mão é pequena mas ao fazer alguns acordes (e também seus arpejos) onde a indicação é usar o dedo 5 e logo em seguida o dedo 4, eu tenho muita dificuldade e força muito a minha mão devido a grande abertura entre os dedos 5 e 4. A questão é que eu não sei se posso trocar o dedo 4 pelo 3, quando for mais confortável e natural para mim, ou se é errado fazer isso”

Essa é uma dificuldade comum.

Comecemos a resposta pelo princípio envolvido:

Devemos escolher um dedilhado que seja mais favorável.

Então, não existe problema em trocar o dedo 4 pelo 3.

Mas, um outro princípio envolvido é:

O estudante pode não saber o que é mais “favorável” (ou melhor).

Então a dúvida do Thiago é ótima e demonstra uma consciência afiada do problema.

O fato é que alguns dedilhados que inicialmente parecem estranhos, o pianista experiente já sabe que serão mais favoráveis. Além disso, na fase de desenvolvimento das habilidade básicas, é preciso trabalhar a abertura entre os dedos 4 e 5. Por serem mais fracos, esses dedos precisam de um tratamento de choque pra acordarem pra vida. Então minha principal recomendação ao Thiago foi:

Procure insistir praticando com o dedo 4 por enquanto.

Mas faça isso lentamente e sem tanta força nos dedos.

Existe um equilíbrio entre trabalhar o alongamento entre os dedos e não se machucar que só você pode encontrar.

Insista algum tempo definido (uma semana, duas semanas, três semanas…) trabalhando esse dedilhado problemático e vá notando sua evolução e a reação do seu mecanismo.

Isso vai melhorar com o tempo e com a disciplina.

E tenha paciência, pois todos têm a mesmíssima dificuldade.

Quem sabe você pode assistir o vídeo “Exercício para os dedos 4 e 5 (Anelar e Mínimo)”.

Está lá no meu canal do Youtube.

Bons estudos!

(Nota: Você já é intermediário ou avançado no piano? Sente que está empacado? Então cadastre-se e receba minha aula secreta Como Criar Exercícios Para piano. Cadastre-se aqui.)

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