Pra aprender a tocar piano não basta bom ouvido, saber teoria e praticar um montão
Existem várias opiniões automáticas sobre o que é preciso pra aprender piano.
É o tipo de coisa que sem nunca ter pensado no assunto, um monte de gente tem opinião.
Se você perguntar pra 20 pessoas, provavelmente encontrará 20 opiniões diferentes:
— É preciso seguir um método…
— É preciso ter bom ouvido…
— É preciso saber teoria…
— É preciso praticar feito um cão sarnento…
— É preciso saber os acordes…
— É preciso saber partitura…
… e por aí vai.
Entre enganos, meias-verdades, exageros ou simplificações, sempre fica de fora uma das habilidades mais importantes.
Meu aluno Leandro Vieira conhece bem esta habilidade:
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[…] Outra coisa que você vive falando e até então eu não tinha coragem de fazer era me gravar tocando. Fiz pela primeira vez semana passada. Obviamente, percebi uma série de problemas, tais como: alguns atrasos no andamento, percebi que precisava de mais força nos dedos, problemas de dinâmica etc. No entanto, também foi bom porque percebi que o quadro não era trágico como eu imaginava que seria. Percebi que meus dedos estão mais soltos, pois antigamente eu não tinha quase mobilidade nos dedos e eu não havia percebido que isso tinha melhorado, só depois que gravei que percebi. Percebi também que há maior fluência na execução da peça, mas não me engano achando que já domino, sei que há um longo percurso pela frente até adquirir a sonhada fluência. De toda forma, deu para perceber que melhorei também. De agora em diante, toda peça que eu estudar vou gravá-la para perceber os pontos fracos e tentar solucioná-los.
Enfim, agradeço mais uma vez pelas aulas e pelas sugestões dadas através dos e-mails, pois são muito úteis.
Abraço,
Leandro Vieira de Oliveira
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“Solucionar problemas”
Quem seria capaz de dizer de antemão que é preciso aprender a fazer isso ao piano?
Existem problemas de todo o tipo pra se resolver na música.
Um dos tipos de problema é o problema técnico.
Eles acontecem na prática mesmo da música, quando a música apresenta características tais em que é necessário entender a executar do melhor jeito possível, pra não simplesmente tocar de qualquer jeito, mas também pra evitar que não se fique sem agilidade, nem velocidade, que se conheça uma maneira de continuar tocando sem gaguejar…
É esse tipo de estudo que ensina a resolver problemas de coordenação das mãos…
De saltos…
De notas duplas…
De notas ligadas…
De evitar a força excessiva nos dedos mais fortes e que alteram o som produzido…
Enfim, uma porção grande de problemas.
Foi pra ensinar a base desse domínio técnico que criei o treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Com toda certeza é o melhor material pra aprender piano da perspectiva de resolver problemas técnicos.
Faça sua inscrição aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Seu ouvido caça aquilo que você quiser
Uma das coisas que mais me deixou paranóico (pensando “meu mundo caiu”) foi perceber o quanto nos enganamos e fazemos nosso ouvido escutar aquilo que queremos escutar. Principalmente quando somos nós mesmos que estamos tocando piano.
Na época em que eu ainda não portava nenhuma patente ditatorial, fiquei sentado na platéia observando um ensaio do pianista Nelson Freire.
Tudo parecia perfeito pra mim.
Até que o Nelson pediu que eu virasse as páginas da partitura enquanto ele tocava.
Pra isso tive de sentar ao seu lado.
Foi aí que meu mundo caiu.
De perto a música parecia desfigurada.
O contraste entre as duas mãos era grande demais.
As mudanças de dinâmica eram bem violentas.
Não havia aquela costumeira sensação de “paz de espírito” que tanta gente sente ao escutar piano.
Como concertista, eu já conhecia o que podemos chamar de “controle espacial do som”.
É preciso levar em consideração as características acústicas do lugar, a quantidade de pessoas presentes, a qualidade geral do piano e seu estado atual, enfim, não é sobre esse controle que quero falar, porque o que eu comecei a perceber não estava relacionado diretamente a isso. O que passei a perceber mais claramente depois disso é que nosso ouvido é ardiloso.
Assim que passamos pela fase de absorver o dedilhado de uma música, ele começa a nos enganar.
Ele caça, como um tigre sorrateiro, aquilo que você quiser.
Você quer que a linha melódica fique bem evidente?
Sem problemas, seu ouvido encontra a melodia e destaca bastante pra você.
Você quer um crescendo ou diminuendo sutil?
Está na mão!
Você quer um tempo estável ou um rubato bem aplicado?
Feito!
Mas quando algum amigo sincero ou um professor comenta sua execução é: “Faltou vida!”, “Precisa ser mais musical!”, “Acho que você está usando muito pedal!”, “Estude com metrônomo!” e assim por diante…
Por isso seu ouvido precisa passar por um tratamento de choque.
Ele precisa de educação.
Não é sobre treino de ouvido quanto a reconhecer notas e tonalidades que estou me referindo, mas ele precisa ter a experiência isolada das coisas, assim como, por exemplo, se faz no estudo com mãos separadas e variação de articulação.
A experiência de vários pontos de vista ao estudar uma música, tende a domar seu ouvido.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
2 problemas gerais dos autodidatas no piano (um deles é fatal)
Alguns meses atrás publiquei o seguinte na fanpage do Facebook:
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Os dois problemas mais gerais que o autodidata enfrenta por não ter um professor de piano regular é 1) ninguém que lhe aponte os erros e 2) ninguém que lhe obrigue a montar uma rotina de estudos.
Por causa do problema 1, publico muitos vídeos chamando a atenção para pontos que podem passar despercebidos de quem está estudando sozinho.
Mas nenhum truque ou conselho tem efeito duradouro enquanto não for praticado em uma rotina.
Quando alguém por aqui pede uma solução para alguma dificuldade técnica, 99% das minhas respostas são: toque com mãos separadas, lentamente, buscando resolver com consciência a dificuldade e faça isso DENTRO DE UMA ROTINA. Mas isso entra por um ouvido e sai por outro.
Parece que todo mundo espera que o problema seja resolvido com um truque do tipo: toque de meias que o problema se resolve imediatamente. Ou: pule três vezes antes de dormir dizendo “vou conseguir, vou conseguir, vou conseguir…” e tudo se resolverá sozinho.
Qual é, gente!?! ROTINA! ROTINA!
Vocês são quase todos adultos, já deviam ter percebido que truques têm um espaço bem pequeno no aprendizado verdadeiro.
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Enfim, de todas as vantagens de ter um professor particular, a melhor de todas é:
Que ele te obrigue a ter uma rotina.
Claro, isso se ele não for do tipo que está interessado apenas no pagamento.
Aí o aluno pode fazer o que quiser.
Pode até estudar apenas no dia da aula.
Ou, se quiser, não precisa nem aparecer.
Basta fazer o pagamento.
Se você acha “rotina” um nome muito fascista ou desanimador, escolha outro:
“Manter a continuidade”, “prática”, “hábito”, “método de estudo”, “cadeira”, “passarinho”, “chiclete”…
Não importa o nome…
O primeiro grande truque pra aprender piano é a constância de uma rotina.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
A história inevitável de todo aprendiz de piano
No filme original “Sete Homens e um Destino” de 1960, um dos vilões interpretado pelo excelente Eli Wallach pergunta ao personagem do também excelente ator Steve McQueen:
“– Por que um homem como você aceitou este emprego?”
(O personagem de McQueen era um pistoleiro que aceitou proteger uma vila de mexicanos)
McQueen respondeu assim:
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Como um companheiro que encontrei por aí:
Um dia ele tirou suas roupas e se jogou em um imenso cactos.
Fiz uma pergunta semelhante a sua:
“– Por que?”
Ele apenas me respondeu:
“– Na hora me pareceu uma boa idéia”
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“Na hora me pareceu uma boa idéia”
Estou pra ver um estudante de piano, não importa se com intenções profissionais ou amadoras, que não tenha feito uma pergunta do mesmo tipo:
“Por que resolvi aprender esse negócio?”
E que a única resposta que encontrou automaticamente foi:
“Na hora me pareceu uma boa idéia”
Principalmente no primeiro ano.
Claro que a história não para por aí.
Outra parte inevitável acontece mais ou menos no segundo ano de estudo:
(considerando que o aluno mantenha a disciplina)
(e que esteja sendo guiado por um material sério)
Existe uma onda de desistências ainda maior do que as desistências que acontecem na lição 1, que acontecem depois de 3 meses e que acontecem depois de 1 ano: nesse segundo ano o estudante alcança uma pseudo-segurança (ou falsa paz) no instrumento que é caracterizada pelo pensamento “agora já sei como as coisas funcionam, basta eu fazer tal e tal coisa, então posso continuar a hora que eu quiser…”
E sabe o que acontece, caso não seja um estudo com objetivo profissional?
Ele não continua em hora nenhuma.
Simplesmente porque não tem objetivo nenhum.
A única coisa que a pseudo-segurança lhe deu foi “quando eu quiser eu faço”.
Claro que o estudante pode não ter esse pensamento claramente.
Como professor, consigo diagnosticar essa fase pelo tipo de pergunta que o estudante que passa por isso faz.
Então é o seguinte:
Pra evitar ser enganado pela pseudo-segurança, você precisa passar pela desculpa “Na hora me pareceu uma boa idéia” respondendo outra coisa, tendo outro objetivo. Classicamente, aqueles que conseguem responder apenas “Na hora me pareceu uma boa idéia” sem sair dessa armadilha, são os que aprendem um instrumento apenas pra ser o centro das atenções.
Por isso é parte importante da estratégia responder a pergunta de maneira adulta:
“Por que eu quero aprender piano/teclado?”
E isso é uma coisa que eu não posso fazer por você.
O que posso fazer é ensinar a lidar com o instrumento.
Claro que você não precisa responder de maneira adulta ANTES de começar a estudar.
Você pode seguir um impulso e encontrar a motivação depois.
O ser humano consegue conviver com esse tipo de descoberta tardia muitas vezes na vida.
Mas será inevitável lidar com a fase da falsa segurança.
(Nota: Se você quiser entender como funciona o primeiro contato com o instrumento, seja pra seguir um impulso ou porque sabe suas motivações, conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Conselho não solicitado sobre meter a mão na massa
Começo de ano me parece perfeito pra um conselho não solicitado.
A grande vocação dos nossos tempos parece ser “servir alguém”.
Sim, eu sei, em todos os tempos houve pessoas servindo as outras.
Sempre existiu e sempre existirá (desculpe comunistas) os endinheirados ou aqueles que não dão bola nenhuma pra dinheiro, mas tem força suficiente de organização pessoal e social e acabam sendo os patrões, enquanto outros acabam sendo os empregados.
O que me parece diferente é que hoje em dia muitas pessoas são servas e só.
Mais nada.
Não desenvolvem nenhuma outra capacidade.
Meu genérico, generalista, parcial e simples conselho é:
Meter a mão na massa.
Pegar em uma enxada.
Claro que não precisa ser uma enxada real, pode ser um enxada potencial.
Algo real, palpável, em três dimensões.
Algo que você participe no começo, no meio e no fim.
Ter alguma habilidade totalmente separada ou pelos menos com independência suficiente da nossa “vida profissional” é um fator indispensável pra fortalecer nossa personalidade e muita gente hoje em dia, que apenas tem um emprego e mais nada, tem a sensação de inutilidade e impotência porque não é capaz de produzir alguma coisa perfeitamente identificável no mundo real, sem que seja algo apenas parte de um processo em uma empresa que você nem sabe direito como funciona, nem de onde veio ou pra onde vai.
Vamos mais além…
De que tipo de habilidade palpável estou falando?
Bem, rapidamente posso pensar em 3 sugestões…
Em primeiro lugar a ocupação mais importante da nossa civilização:
1) Marcenaria
Pense bem: trabalhar diretamente com madeira.
Fazer seus próprios móveis.
Ou reformar os que você já possui.
Quem sabe até saber construir uma habitação simples.
Se em geral as pessoas voltassem a saber trabalhar com madeira, os coitados dos psicólogos e terapeutas teriam de procurar outro emprego.
2) Motores
Poder consertar seu próprio veículo…
Ou projetar e montar pequenos motores para trabalhos em geral.
É uma habilidade que muita gente tinha no começo da modernidade.
Passou algum tempo como algo essencial.
Mas logo foi deixada de lado em nome da dedicação da “carreira”.
Claro essas duas ocupações são de fato bem masculinas. E não muito abrangentes: a maioria das pessoas não tem interesse nenhum em marcenaria ou em mecânica. São trabalhos que exigem um vigor que não é possível adquirir apenas por desejo. Por isso existe outra área de habilidade que praticamente desde sempre existiu. Muito antes da mecânica e da marcenaria: São as “artes” (ou “belas artes” pra diferenciar de qualquer outro tipo de especialidade): dança, pintura, escultura, teatro etc etc e, claro…
3) MÚSICA
Esse tipo de arte pode não parecer tão palpável quanto madeira ou motores…
Ou pintura e escultura.
Mas é só uma impressão.
Ela tem 3 dimensões tanto quanto essas coisas.
Poder ser a pessoa que no começo, no meio e no fim dá vida a uma música, seria a solução pra insegurança, depressão, falta de perspectiva e vazio que muita gente sente hoje em dia.
Mesmo aquelas pessoas que parecem as mais “bem-sucedidas”.
Você não precisa esperar anos e anos pra perceber isso.
Já publiquei vários vídeos que podem ser sua primeira música no piano ou no caso de você estar mais avançado nos estudos, já dei várias instruções de como aumentar seu controle e polir sua habilidade.
Assim você já pode experimentar a sensação de ser aquele que dá vida à música.
E se você decidir que é isso mesmo que pretende fazer, então pode se inscrever no treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Assim terá a certeza de poder aprender a resolver os problemas mais essenciais ao tentar dominar a arte do piano.
Inscreva-se no “O Pianista Aprendiz” aqui:
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Tem alguém aí querendo aprender piano a esta hora?
Seguindo as regras de etiqueta, eu deveria desejar um feliz ano novo pra todos, mas já fiz isso no último vídeo publicado no Youtube. O que quero saber mesmo é se tem alguém aí querendo aprender piano a esta hora.
Alguém que não esteja de cara cheia de cachaça…
Ou na praia se torrando ao sol…
Ou grudado na TV…
Ou preso no engarrafamento de alguma cidade grande.
Enfim, da minha perspectiva, um 2018 não pode ser feliz sem dar o passo em direção ao aprendizado de piano.
E se tiver alguém aí querendo dar esse passo, não perca tempo…
Inscreva-se no treinamento “O Pianista Aprendiz” agora mesmo.
Faça sua inscrição neste link:
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Contando uma coisa, mas fazendo quatro
Assobiar e chupar cana passa a ser coisa de moleque pra um pianista. Experimente contar “1”, mas fazer quatro coisas… Ou contar “1” e fazer 1/2 de coisa e duas vezes 1/4 de coisa. Foi exatamente isso que mostrei como fazer no vídeo publicado ontem no Youtube.
Aqui está:
E dou uma explicação adicional:
Esta série basicamente mostra como fazer uma contagem direta.
Como se o mundo fosse rosa e todas as pessoas conseguissem contar diretamente na primeira vez.
Bem, isso só acontece com metade dos estudantes.
A outra metade se descabela e acaba aderindo ao lado negro da força, dizendo coisas como “não é preciso aprender a contar em voz alta” ou “não é preciso metrônomo” ou “não é preciso de partitura” ou “não é preciso de um ouvido treinado”, enfim, qualquer uma dessas coisas que o estudante não quer saber fazer ou por preguiça ou por teimosia.
Talvez o próximo vídeo da série seja dedicado exclusivamente a enfrentar as dificuldades de contagem.
Mas só talvez.
Veremos quando chegar a hora.
Se você por acaso não aguenta mais bater a cabeça em descobrir como tomar posse de uma base técnica segura, algo que habilite você a ultrapassar várias dificuldades técnicas ao tocar qualquer tipo de música, então o treinamento “O Pianista Aprendiz” pode servir pra você.
Nesse treinamento retirei o máximo de abstração e teoria.
As lições são voltadas a ensinar a lidar com as dificuldades práticas.
Inscreva-se aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Retrospectiva futura para 2018
Nesta época do ano normalmente as pessoas estão preocupadas com a retrospectiva do ano que chega ao fim ou em previsões para o novo que está prestes a começar.
Bem, vou fazer os dois:
Farei uma retrospectiva do ano que vem.
Coisa que vale também por uma previsão.
2018 foi um ano bem normal…
Surgiram mais 309.494 canais do Youtube prometendo ensinar o pulo do gato pra piano…
Mas também 2 ou 3 caíram na real e resolveram ensinar a tocar e não apenas bater teclas.
Ou publicar apenas tutoriais.
Até Março/2018 surgiu um batalhão de gente dizendo que aquele ano seria o ano que aprenderiam piano, eles só precisavam dar comida pro gato, acender uma fogueira, terminar a reforma do Maracanã, ganhar na Megasena, terminar de criar os filhos que ainda não nasceram, dar a volta ao mundo em 80 dias e pronto, só isso, depois estarão livres pra aprender.
Até Junho apareceu aquele grupo seleto:
As pessoas que realmente colocaram a mão na massa.
Ou começaram a aprender logo ou decidiram recriar com solidez sua base de aprendizado.
Bem, Junho foi, de novo, o mês recorde de emails do tipo:
“Puxa, Felipe, realmente aconteceu como você falou, estudei assim, assim e assado e, por mais que não parecia no começo, a coisa está andando…”
Em Julho/2018 também aconteceu uma coisa curiosa:
Uma pequena parte da multidão inicial, apareceu nas caixas de comentários do Youtube assim:
“Felipe, estudo piano de maneira autodidata por 6 meses, sou intermediário, mas minha mão esquerda é travada. O que posso fazer?”
Assim tenho de lidar com um “intermediário” que tem a mão esquerda travada.
Mas sem problema.
Malandro que sou já tenho a resposta pronta aqui, basta copiar e colar:
“Comece do começo dando o mesmo trabalho dado à mão direita, para a mão esquerda”
Agosto, Setembro, Outubro também foi regular:
Mais uma porção de gente dizendo que aprenderia piano, mas tinha que organizar o casamento do periquito e em 2019 já estaria tudo certo pra começar. Claro, isso foi compensado em Dezembro. Porque Dezembro é o mês que aqueles que passaram o ano estudando, também resolvem entrar em contato.
Eles acabaram de passar por um ano terrível.
Porque o primeiro ano de estudo é formado de altos e baixos íngremes.
Em um momento parece que entendemos as coisas…
Em outro, parece que não entendemos nada.
Mas, depois de 1 ano, eles estão prontos pra afirmar:
“Realmente eu não imaginava que a música pertencesse a um universo tão vasto e que eu pudesse fazer parte desse universo, espero continuar participando pra sempre”
Bem, essa poderia ser uma retrospectiva de 2015, 2016, 2017…
Ou uma previsão para 2018, 2019, 2020…
O que muda é em que lado o interessado em aprender está:
Ou do lado da multidão que espera acontecer.
Ou do lado de alguns que estão fazendo.
Espero que você escolha estar do lado certo em 2018.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Hora de espalhar veneno contra as baratas
Sei que algumas semanas atrás prometi parar de falar sobre os “métodos fáceis” de piano, mas não tem jeito, as baratas continuam saindo pelos bueiros e se espalhando pela casa. E com “casa” quero dizer minha caixa de emails, já que ela torna a ficar cheia de perguntas sobre esses métodos.
É hora de espalhar um veneno.
Bem, de certa forma não vou falar sobre esses métodos.
Mas sobre sobre as pessoas que normalmente são as vítimas deles.
Pra isso vou recuperar os “Os 10 mandamentos do estilo ‘aprenda fácil'”.
Claro que existe alguma sabedoria nessa troça.
Quem quiser, pode analisar a lista e pode identificar se é uma vítima em potencial dessa enganação chamada “método fácil” (e todas as suas derivações possíveis). Sem mais delongas… aqui estão os “Os 10 mandamentos do estilo ‘aprenda fácil'”:
(Veja se você adere a esse culto)
I) Jamais deverás citar a palavra “estudo”.
II) Pularás de vídeo em vídeo pra todo o sempre, esperando aprender o pulo do gato no próximo.
III) Terás um perfil no Facebook exclusivamente pra compartilhar memes sobre como ama música.
IV) Manterás o objetivo de copiar o professor até o fim dos teus dias.
V) Montarás um altar e nele manterás uma vela acesa em frente a palavra “tutorial”.
VI) Nunca deverás usar mais de um dedo na mão esquerda (no máximo dois, em oitava).
VII) Farás uma peregrinação em todas as caixas de comentários existentes no mundo, perguntando como turbinar sua mão esquerda (deverás utilizar sempre “pulo do gato” nas perguntas).
VIII) Acreditarás em qualquer promessa mirabolante porque “você quer apenas tocar pra ti mesmo”.
IX) Fugirás de quem se diz “professor”, qualquer um que se comporte diferente de um “facilitador”, é um nazista.
X) Dirás pra ti mesmo toda vez que fores estudar: “estou sem tempo agora” e voltarás a pular de vídeo em vídeo.
Se você é adepto de um ou dois mandamentos dessa lista…
hmmm….
Você provavelmente é uma potencial vítima da picaretagem.
Normalmente as pessoas se enganam porque lêem alguém oferecendo um “Curso de piano” e só isso…
Sem tentar entender qual é a verdadeira proposta.
Não existe uma maneira genérica de montar um “curso de piano”, se por acaso alguém faz isso, mas não deixa claro como e qual é o objetivo final, é porque tem caroço nesse angu.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Quando a música não sai de jeito nenhum
Vamos imaginar uma situação hipotética:
Digamos que você acabou de gravar um vídeo executando uma tal música. Mas essa música não sai de jeito nenhum. Você esquece o dedilhado, se perde no ritmo, altera a dinâmica sem nenhum motivo aparente, corre com o andamento como se o pai estive na forca em um momento e feito uma lesma subindo uma parede em outro…
Enfim, é um desastre.
O que fazer?
Gravar-se mais vezes?
Jogar a câmera pela janela?
Estudar mais com as mãos separadas?
Procurar um professor particular?
Sair pela porta afora balançando os braços feito um bonecão do posto berrando “sou um fracasso! sou um fracasso”?
Procurar ajuda no Youtube?
Estudar com mais variação de articulação?
Eis o que eu recomendo:
Não faça nenhuma dessas coisas, a não ser que queira piorar a situação.
Fique longe da câmera, não tente deduzir nada do que pode estar acontecendo. Esqueça qualquer sabedoria ou pseudo-sabedoria que escutou de mim ou de qualquer outro professor. Esqueça como resolver o problema. Coloque o vídeo desastroso na área de trabalho do seu computador, ou deixe acessível no seu celular.
E todos os dias assista ao vídeo se perguntando:
“O que está errado?”
Mas ainda não tente responder.
Cada dia, depois de assistir ao vídeo, force sua imaginação pra tocar mentalmente a música do jeito certo.
Depois de 10 dias, tente se gravar novamente.
Existe uma grande chance da sua execução já ter melhorado bastante.
Mas não fique aflito com isso.
Agora você pode começar a aplicar algumas soluções que aprendeu comigo ou com outros professores. Utilize o conhecimento acumulado dos 10 dias se perguntando “o que está errado?” pra encontrar os problemas. Estude a solução desses problemas com disciplina por no mínimo 3 dias.
Depois tente se gravar novamente.
Agora pode ter certeza que não apenas a música sairá bem melhor, mas você terá aprendido a utilizar o máximo da sua capacidade pra resolver um problema, sem entrar em desespero.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)







