O método do “faz assim ó…!”
“Minha doença me afastou de um tipo muito particular de ensinar, que é o tipo preguiçoso: é aquele professor que tira o estudante de piano do banquinho e diz ‘é assim que eu acho você deve fazer…'”
— Leon Fleisher, em entrevista pra TV.
Se Fleisher desse uma olhada no Youtube, facilmente encontraria a versão online desse tipo de professor…
É o adepto do método “faz assim ó!”
Você deve conhecer:
Primeiro esse professor do Youtube faz alguma promessa mirabolante…
Do tipo:
“Neste vídeo você vai aprender a tocar feito um profissional…”
E aí ele passa a mostrar algum acorde na mão direita…
E a mão esquerda apenas repetindo a nota fundamental.
Essa maneira simples seria o jeito “amador”.
Agora ele vai deixar profissional.
E diz:
“Pra deixar mais profissional, faz assim ó…”
Agora ele adiciona a sétima, quebra os acordes, começa a tocar a mão esquerda em oitavas, faz saltos entre acordes, adiciona acordes suspensos… enfim, a coisa fica realmente mais “profissional” (pelo menos no sentido de encheção de linguiça). E esse é o jeito “faz assim ó”, típico estilo mais preguiçoso de ensinar. Qual é o problema disso?
Bem, ele dá uma satisfação imediata para o aluno.
Mas muito pouco pode ser tirado dali pra dar substância ao aprendizado.
Se a intenção for ensinar os iniciantes…
Como resolver a coordenação?
É assim fácil alterar o acompanhamento?
E a divisão rítmica?
E o controle digital pra conseguir quebrar os acordes?
E os saltos das mudanças de acorde?
Bem, a esperança é que o aluno dê um jeito “fazendo assim ó…”
Na minha arrogante opinião, é preciso de mais detalhes caso o objetivo não seja apenas imitar no piano/teclado o violãozinho da roda de churrasco.
E a consequência mais grave dessa maneira de ensinar:
Pouca coisa se tira daí pra fundamentar o domínio do aluno com o instrumento.
O grande fruto é APENAS a perseguição ansiosa de fazer igual e “parecer” um profissional.
Nas lições do treinamento “O Pianista Aprendiz” os problemas que podem surgir durante o estudo de uma peça são diagnosticados e o tratamento é passado, assim o problema pode ser resolvido de uma vez por todas, propiciando um acúmulo de soluções. Algo como um canivete suíço pianístico.
Se quiser participar, basta fazer sua inscrição aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
O mais improvável problema com um piano
Mais de uma década atrás, parecia que não havia nada que eu pudesse fazer pra tocar bem o segundo presto da Sonata no. 2 de Scriabin.
Simplesmente meu corpo não alcançava a velocidade da imaginação.
Por obrigações profissionais, eu tinha de apresentar essa peça.
Até que um aluno pediu ajuda pra comprar um piano acústico.
Fui até na loja e ajudei na escolha.
Enquanto ele resolvia o pagamento fui até um piano que, só pra encurtar a história, era de um modelo que hoje em dia custa algo perto de 1 milhão de reais. É fácil imaginar que um instrumento ruim tem principalmente problemas no timbre…
Ou que seja impossível aplicar alguma dinâmica muito refinada…
Já que faz sentido que um instrumento ruim não execute muitas sutilezas.
Mas o mais improvável problema com um piano ruim foi o de não conseguir executar na velocidade que eu queria. Realmente eu não poderia imaginar que isso pudesse acontecer.
Mas aconteceu.
No piano dos milionários foi quase uma brincadeira de criança.
Provavelmente o problema era que o instrumento ruim causava uma ilusão.
A ilusão de que eu não estava tecnicamente preparado pra alcançar a velocidade.
A verdade é que o piano não estava preparado pra reproduzir o som com clareza.
E eu me iludia que não conseguia.
Sempre digo para os alunos tocarem com o instrumento que estiver a mão.
Mesmo que seja um tecladinho simples.
(lembre-se: só não vale o dos animais da fazenda)
Mas é indescritível a diferença de estudar em um instrumento melhor.
Pode ser que a maioria de vocês ainda não perceba a diferença.
Normal.
Quem se mantiver nos estudos, chega nessa fase.
O problema de velocidade pode ser mais difícil pra alguém que não é profissional perceber, mas a diferença na dinâmica é quase instantânea. Alunos que se debatiam e guinchavam tentando diferenciar o peso entre as duas mãos, só conseguiram resolver o problema depois de ter acesso a um instrumento melhor.
Depois desse causo, passou a ser normal eu procurar bons instrumentos disponíveis por aí pra conferir como está minha execução.
Faço isso com frequência.
Quem pensa que aprender a tocar piano se resume a se trancar no quarto e fugir do mundo…
Pode se surpreender.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
5 dicas pra praticar bem as escalas ao piano
Existem alguns erros comuns ao praticar escalas ao piano.
E você precisa estar atento para não cometê-los.
No vídeo que publiquei ontem no Youtube estão dadas 5 dicas pra evitar uma parte deles.
Aqui está:
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Estocando o vento
“Acumular experiência musical” não é algo que você vai ouvir da boca de muitos professores.
No entanto, sem acumular experiência musical, ninguém aprende nada sobre música.
O grande truque do aprendizado formal (autodidata ou não) é aproveitar a necessidade de acumular experiência para dar ênfase em certos pontos, assim não apenas acumulamos experiência simplesmente por acumular, mas desenvolvemos habilidades de maneira mais eficaz.
Ok…
Isso não é tão difícil de compreender.
Mas:
(sempre um “mas”)
Existe alguma forma de tornar eficaz o próprio “acumular”?
Sim.
A lição é tirada de uma das maiores aristocratas brasileiras, alguém com poder inigualável de retórica e com habilidades naturais evidentes de estadista (*). O discurso original dizia algo mais ou menos assim (desculpe se não consegui juntar as frases com coerência, não é fácil acompanhar tamanha capacidade de comunicação):
“O vento é diferente em horas do dia… então vamos supor que vente mais a noite… como eu faria pra estocar isso???… se tivesse uma tecnologia desenvolvida nessa área todos nós nos beneficiaremos…”
Enfim, a idéia é estocar vento pra usar o vento quando precisar.
Bem, é mais ou menos assim que podemos gerenciar nosso “ânimo” e melhorar o acúmulo de experiência musical.
A forma mais eficaz de acumular experiência musical é ter ânimo pra se concentrar na música.
Então vamos aprender um simples truque pra “estocar” ânimo:
Reveze as músicas que você estuda.
Recomendo que estude 2 músicas por vez.
Você pode variar por semana…
Ou por dia.
Essa é uma forma muito eficaz de gerenciar seu ânimo.
E ânimo em altos níveis é quase uma garantia de capacidade de concentração.
E capacidade de concentração é a condição pra acumular experiência com qualidade.
Só não extrapole essa dica.
Não comece a enfiar várias músicas na rotina, porque aí a coisa já fica com cara de perseguição de satisfação imediata.
E isso é coisa de cabeça-de-pudim.
Boa sorte ao estocar vento, digo, ânimo!
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Uma maneira não-mágica de reconhecer os intervalos de ouvido
No começo de Dezembro tive uma conversa particular com uma aluna VIP que tinha várias necessidades profissionais com música e a conclusão lógica pra suprir essas necessidades era que ela precisava de uma fina percepção auditiva dos intervalos musicais.
Não conseguimos terminar a conversa.
Somente agora há poucos dias que terminamos o assunto.
Muito pró-ativa, ela me apresentou uma pesquisa que fez sobre como adquirir a capacidade de reconhecer os intervalos de ouvido.
O miolo da pesquisa era composto de:
1) Vídeos do tipo “segredo do intervalos”
2) Posts de blogs do tipo “funny way to recognize intervals”
E o “segredo” e a “maneira divertida” era relacionar intervalos com músicas conhecidas.
(ou com trechos de músicas conhecidas)
Agora imagine que você está escutando uma música qualquer…
E em 30 segundos dessa música você precisa relacionar com 5 outras pra reconhecer os intervalos.
Não digo que isso não tenha utilidade.
Não digo que não é possível.
Mas digo que não é eficaz o suficiente, nem sólido o suficiente.
Por isso recomendo algo não-mágico…
Totalmente não-divertido…
(dependendo da sua definição de “divertido”, claro)
Trata-se de cantar os graus das escalas.
Sim, não é algo necessariamente fácil.
Mas se estamos falando de transformar o reconhecimento dos intervalos em uma segunda natureza, e não em algo pra passar em uma prova de escola ou apenas pra satisfação pessoal de dizer para os outros que sabe “reconhecer um intervalo quando tocando isoladamente”, então cantar os intervalos é o caminho. Que pode sim ser combinado com a relação dos intervalos com trechos de música ou com qualquer outra técnica “divertida” que pode ser inventada.
Quem é meu aluno há algum tempo, já deve entender que isso deve ser feito sem ansiedade.
Sem atropelar tudo.
E dentro de uma rotina.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Do tempo em que “toda sala-de-estar precisa de um piano”
Houve um tempo que existia no ar uma regra de bom gosto que dizia “toda sala-de-estar precisa de um piano”, regra que foi aproveitada por publicitários americanos ao criar o famoso slogan pra vender pianos: mais do que um instrumento musical, um móvel para o lar.
(fica evidente que ‘instrumento musical’ não tinha muito valor por si)
É uma pena que a regra tenha mudado do piano para o rádio.
É uma pena que a regra tenha mudado do rádio para a TV.
Mas não estou aqui apenas pra contar essa curiosidade…
Nem pra reclamar de como se perde tempo com um entretenimento emburrecedor como a TV.
O fato é que existe um monte de filhos, netos e bisnetos da geração “piano na sala”.
Posso perceber isso pelas centenas de histórias que já me enviaram.
Por ter sido uma “regra de bom gosto”, muitas vezes não havia ninguém na casa que soubesse tocar piano. Ele só estava ali para, bem, mostrar que a família tinha “bom gosto” (não seria bom se as pessoas fizessem o mesmo com a TV? Que ela fique na sala, mas desligada). E as gerações que saíram daí, acabaram carregando duas sementes:
1) Uma vontade praticamente irracional de tocar piano.
A pessoa não sabe bem porquê.
Mas quando lembra daquele instrumento parado na sala, alguma coisa é despertada dentro de si.
Não existe um objetivo claro.
Nem sequer um motivo, além de um simples inclinação.
É simples, mas é forte.
2) A impressão de que o piano é uma caixa mágica.
Bom, aquele trombolho ter ficado tanto tempo fechado na sala…
Sem ninguém mostrar direito como ele funciona…
Nem sequer algo simples…
Todas as vezes que alguém tentou a coisa não fazia sentido nenhum…
Claro que a pessoa ficaria com a impressão de que só é possível tocar nascendo com um dom mágico ou se por acaso a pessoa estiver andando na rua e zeus enviar um raio direto na cabeça e, bum!, agora a coisa fez sentido de uma hora pra outra. Pra piorar, se por acaso a pessoa fez algumas lições, as dificuldades iniciais só pareceram confirmar que ela não nasceu com a marca divina pra tocar piano.
E veja só o ponto mais interessante:
Algo disso está acontecendo novamente nos últimos anos.
Décadas atrás surgiram os teclados eletrônicos.
Mais baratos e prometendo que agora tudo ficaria mais fácil.
(sempre os publicitários prometendo facilidade)
Mas a coisa não funciona bem assim.
Existe toda uma geração que acabou crescendo com as mesmas sementes da geração “piano na sala” por causa dos instrumentos eletrônicos. Podemos até chamar essa nova geração de “teclado em cima do guarda-roupa”.
Essas duas sementes precisam ser modificadas.
Não se pode ficar na vontade irracional, é preciso objetiva-la.
E com toda certeza exorcizar o pensamento mágico.
Se você quiser dar um passo nessa direção, pode se inscrever no treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Aos poucos você pode descobrir objetivos.
E com toda certeza entender que não é preciso de dom sobrenatural.
Faça sua inscrição aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
A principal causa de tocar piano feito um gato assustado
A cena é comum:
Nos estudos vai tudo bem, mas quando vai tocar pra alguém, o sujeito parece um gato que viu assombração: patas rígidas (no caso, os braços), unhas saltadas (no caso, os dedos), costas dobradas (no caso, os ombros) e pelos arrepiados (no caso, não sei, talvez os pelos mesmo). Ainda não vi ninguém berrando alto como um gato assustado de tanta tensão pra tocar piano pra alguém, mas não duvido que exista.
Enfim, de todas as causas possíveis dessa tensão toda, qual seria a principal?
Simples:
Não saber de verdade o que está fazendo.
Não conhecer a música.
Provavelmente em vários trechos, o conhecimento é apenas superficial.
Enquanto está estudando, você passa por eles como num sonho:
Você sabe o que está acontecendo, mas só mais ou menos…
Não DE VERDADE.
Daqui já escuto a objeção:
“Ah, não é bem assim, e aquelas pessoas que improvisam ou tocam instantaneamente uma partitura que nunca viram, pra eles não deu tempo de conhecer de ‘verdade’ a música. Você não sabe o que está falando, Felipe…”
Bem, é a mesmíssima coisa.
Tocar de cor, improvisando, de primeira vista…
Tudo isso exige conhecer o que está fazendo de maneira a nada parecer uma surpresa.
Porque é isso que acontece.
Quando vamos nos apresentar, aqueles trechos desconhecidos nos parecem uma surpresa.
Parece que eles não estavam ali antes.
E assim percebemos que não sabemos tocá-los.
Não sabemos dar sequência a música com aqueles intrusos ali.
E na tentativa de controlar a situação, aplicamos a técnica do gato assustado.
Sim, existem outros motivos propriamente pianísticos para a tensão.
Existem até alguns problemas emocionais.
Agora maioria de vocês está pensando “Ah é, o meu problema é o trecho muito difícil da música ou o trecho muito rapido”… ou “Isso mesmo, meu problema é medo de me apresentar pra outras pessoas” e blá blá blá… lamento dizer, mas não… muito muito MUITO provavelmente o problema é não conhecer o que está fazendo.
Só muito dificilmente o problema é outro.
Por isso essa é a causa principal de tensão ao tocar piano.
Por isso digo que existe um jeito próprio de estudar que favorece a absorção do que está fazendo.
Um jeito que não é apenas um truque, mas algo usado pra sempre.
Não existe outro motivo pra que eu insista que os alunos realmente estudem o material que têm acesso: pra que tenham oportunidade de absorver profundamente a forma de estudar mais eficaz.
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)
Piano no teclado, contagem minuciosíssima, não seja um drogado e livros de método de piano
Passei um pente fino e meticuloso de 10 segundos nos comentários do Youtube.
De lá saíram estas perguntas muito interessantes:
1) “Qual a sua formação acadêmica?”
Por que diabos você ainda não leu a página “Sobre” do meu site?
😛
Bem, me formei na USP, na Manhattan School of Music e na Ecole Normale de Paris. Mas isso conta pouco. O que conta mesmo foram alguns específicos professores que encontrei, às vezes dentro dessas instituições e MUITAS vezes fora.
2) “Professor eu posso treinar piano no teclado eletrônico?”
Sim.
É possível se desenvolver muito treinando num teclado.
Há um limite, claro, que a gente só percebe quando começa a estudar em um instrumento melhor.
Mas nunca deixe de estudar por causa disso.
3) “A contagem pode ser 1eee 2eee 3ee 4e ? Tocando rápido?”
Não recomendo.
Esse é o tipo de tentativa de exatidão minuciosa que só complica.
4) “sou iniciante e estou com aquela síndrome de só saber tocar as primeiras notas de cinco peças mas nenhuma inteira. Espero que as dicas me ajudem :)”
Minhas dicas não podem fazer nada quanto a isso.
Sente no banquinho, estude e pare de perseguir satisfação imediata.
(Como um drogado faz, devo acrescentar)
5) “Felipe, encontrei os 5 Volumes do Novo Metodo Para Piano (eoria, Pratica, Recreativo) do A.Schmoll, dei uma olhada e começa já na primeira parte ensinando a leitura das notas na partitura, Legatos e Sttacatos, você recomenda estas obras desse autor para iniciantes, ou recomendaria olhar estes que citou primeiro?”
Serei o mais direto possível:
Não recomendo método nenhum.
Livro nenhum.
Sim, existem vários livros bons por aí.
Sozinho, e se tiver muita sorte e disciplina, quem seguir qualquer método vai virar um digitador com ouvido de pau (ou de lata). E além de combater charlatães, acumuladores de acordes, cabeças-de-pudim e outros tipos característicos pela internet, meu alvo também são os digitadores.
Dito isso:
Pra quem está começando do zero, o melhor são livros mais infantis.
Mas esse do Anton Schmoll é bom, sim.
6) “Felipe, que coisas horríveis você disse neste texto, estou chocado, minha sensibilidade está muito ofendida. Além disso, é muito contraditório, como você pode dizer que é necessário um professor, se você mesmo dá aulas virtuais?”
Bem, quem iniciar minhas lições, se mantiver nos estudos e seguir as recomendações e pedidos que faço aos alunos, não estará estudando sozinho.
Quem escolher abandonar a frescura de sensibilidade ofendida pode iniciar os estudos…
Basta se inscrever mo treinamento “O Pianista Aprendiz”.
Conheça os detalhes e faça sua inscrição aqui:
https://www.aprendendopiano.com.br/pianista-aprendiz/
Um ensinamento precioso de piano… mas que esqueci completamente
Tinha alguma coisa relacionada ao vídeo de Sábado que eu precisava comentar…
Mas não consigo me lembrar o que é…
…
Ah, sim! Lembrei…
É sobre “memória”.
Conheci pessoas que sempre tiveram uma memória assombrosa.
Mas não é o caso da maioria de nós.
E pessoas que tentam aprender música depois de adultas, têm ainda mais dificuldade.
O fato é que a memória funciona melhor quando aprendemos a fazer relações espaciais e que realmente despertam nossa imaginação. Por isso não recomendo muito que se utilize a força bruta pra decorar uma partitura, que é a reclamação de grande parte dos alunos, pois não é a maneira mais eficaz. Pra piorar, dificilmente uma pessoa teve algum motivo na vida pra aprender outro modo de lidar com a memória, senão com a força bruta.
Para os iniciantes, a própria forma de estudo deve bastar.
Então vou pular o assunto e ir direto para as partituras mais complexas.
É aqui que entra a partitura utilizada no vídeo publicado Sábado no Youtube.
Nela é muito fácil de perceber uma estrutura.
E perceber uma estrutura ou padrão, é um dos segredos de memorizar uma partitura.
Então, pra quem já consegue lidar com aquela partitura de Haydn, repare no seguinte:
Nos dois primeiros sistemas (nas 6 primeiras frases, pra ser mais exato), a execução segue um padrão circular, que é quebrado na quinta frase, mas não chega a causar um problema, já que uma exceção no meio de repetições de estrutura mais ajuda do que atrapalha, pois serve como um marcador, evitando que nos percamos nas repetições.
Como essa peça não muda de temática, esse reconhecimento circular faz praticamente todo o trabalho para esses primeiros compassos.
Claro que reconhecer o caminho harmônico é um aliado adicional.
Mas o assunto aqui é reconhecimento de padrões.
Repare ainda que a mão esquerda segue outro padrão:
Repetir em outra altura as notas utilizadas na direita.
E novamente as exceções não chegam a atrapalhar.
Também existe um outro padrão sendo seguido nos dois últimos sistemas.
Que não é mais o padrão circular.
Mas deixo isso pra cada um descobrir.
Em casos de músicas mais complexas, vamos usar ao máximo o nosso poder de fazer analogias e criar imagens, relacionando uma música com outra ou com movimentos da natureza, como ondas, ventos nas árvores, etc, até com coisas que aconteceram com nós mesmos.
Enfim, repare que não existe um mega segredo.
Não existe o botão nuclear que libera sua memória pra lembrar de tudo.
Existem princípios.
Como tudo que pretende não ser falso.
(Nota: Totalmente iniciante no piano ou teclado? Então conheça o Minicurso de Piano Para Iniciantes. Cadastre-se aqui.)
Estudo cromático de arpejos para piano
Direto para o último vídeo que publiquei no Youtube…
“Estudo cromático de arpejos para piano”:
Tenho mais uma coisa pra explicar sobre esse estudo, mas neste momento estou correndo contra o tempo, então fica pra amanhã (ou outro dia).
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)







