Todo mundo gosta de falar mal do livro Hanon — O Pianista Virtuoso.
Ele virou um verdadeiro saco de pancadas de todo professor moderno.
Sim, ele é um livro que trabalha a parte mecânica. Sim, é de forma dura e não musical. Sim, ele não é algo agradável de ouvir para quem está de fora.
Só que não é justo o que esse guerreiro está sofrendo.
A ideia de separar o treinamento mecânico na nossa prática vem sendo aplicada desde o século XIX e formou pianistas gigantes. Eu sempre tirei muito proveito do Hanon e sempre vi os alunos darem um enorme salto evolutivo depois de uma boa dose do nosso bode expiatório preferido.
Vocês sabiam que no Conservatório de Moscou, durante o período de formação do Rachmaninoff, o livro do Hanon era o principal trabalho técnico feito pelos pianistas? Quem chegasse no dia da prova e falhasse em tocar um exercício do Hanon, escolhido na hora, era reprovado automaticamente e não chegava nem a apresentar a música que tinha preparado.
Rachmaninoff, o pianista mais aclamado da história pelos próprios pianistas mais aclamados da história, foi formado tomando banho de Hanon dia e noite.
Lembro de uma vez, nos meus vinte anos, que substituí um professor russo, um grande pianista, durante algumas semanas para orientar seus alunos em Nova York. Naquela época eu tinha a posição de que não devemos praticar as coisas mecanicamente, e instruí os alunos a praticarem apenas exercícios extremamente musicais.
Quando o professor voltou de viagem e soube o que eu havia dito para os alunos, ele simplesmente riu.
Piano tem uma parte física que não se pode desconsiderar, e a maioria dos grandes pianistas a praticaram isoladamente.
Não adianta chorar.
Se você quer construir essa base desde o início, com método e orientação:

