Antes de tocar qualquer coisa, é preciso ouvir a música na sua cabeça.
Quem nunca imaginou o som que quer produzir antes de colocar os dedos no teclado está essencialmente chutando. Pode até acertar, mas não sabe por quê acertou, e não consegue repetir.
A imaginação que estou falando não é vaga. É uma imagem sonora concreta, rica, construída ao longo do tempo a partir de tudo que você já ouviu e viveu.
Pianistas que você ouviu e viu tocar, os gestos específicos que cada um faz, a forma como um move os dedos diferente do outro, a maneira como um fraseia diferente do outro, cantores, orquestras, o som encorpado de um violoncelo, o timbre penetrante de um oboé.
Mas não para por aí.
A imaginação musical se alimenta de livros que você leu, de histórias que ficaram com você, de pessoas que você admirou de longe ou de perto. De momentos em que parou para olhar para a natureza, para o movimento de uma cidade, para quadros bonitos que te chamaram a atenção, para fotografias marcantes. De filmes que ficaram ecoando depois que acabaram.
Pode parecer que estou pedindo que você seja um gênio cultíssimo, um profissional contemplativo, alguém com uma personalidade diferente da sua.
Mas estou pedindo apenas que você viva à altura do que é.
Tudo que listei faz parte do que um ser humano naturalmente pode fazer e, no fundo, deve fazer. São os dons que os outros seres vivos não têm. São parte do que define uma pessoa.
O piano não pede que você seja mais do que isso. Ele pede que você seja isso por inteiro, com atenção, em vez de se ocupar apenas com as obrigações e picuinhas do cotidiano.
Parece que é só música.
Mas é uma janela para a vida.
Se você quer começar a tocar com essa consciência desde a primeira nota:
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