O dogue alemão e a iluminação da consciência

Na última vez que nos mudamos, há mais ou menos um ano, foi necessário contratar um serviço de transporte para o piano – porque aqui eu tenho um Bechstein de meia cauda que pesa meia tonelada. 

Transportar esse piano é sempre uma novela. Mas até que essa vez foi mais simples do que outras. 

Equipe de transporte profissional mesmo. 

Os caras empacotaram o meu piano mais rápido do que eu mesmo me empacotei para sair na rua no meio da neve que estava aqui em Bucareste.

Lembrei de quando consegui ter meu primeiro piano de cauda.

Foi tanta alegria que prometi para mim mesmo que nunca mais teria um piano que não fosse de cauda. 

O piano de cauda tem muitas diferenças em relação ao piano vertical e uma das que mais fazem diferença para o pianista é a velocidade maior com que as teclas voltam para cima depois que você as soltou. 

É uma sensação muito boa, uma sensação de agilidade, de liberdade.

Então vim pra cá com meu piano grande e ele entrou fácil no quarto onde está.  Não cabe mais muita coisa no quarto além do piano, eu e a minha esposa (que é quem filma os vídeos que faço).

Depois de alguns dias da nossa mudança para cá eu estava ali na entrada do prédio aguardando um uber e vi chegando uma senhora, uma vizinha daqui do prédio. Ela estava acompanhada de seu delicado cachorro, que parecia ser um cruzamento de dogue alemão com tiranossauro rex. Era realmente um cachorro quase girafa.

Eu olhei para aquela senhora acompanhada do seu gigante e pensei: “Mas veja só… como é que pode um negócio desses?… Neste prédio?… Os apartamentos têm tamanho médio e alguns até pequeno…que loucura é essa?!”

De repente me veio a iluminação:

Aquela senhora era eu e o dogue alemão, o meu piano.

Ter um piano de cauda é uma maravilha de fato. Não me entenda mal. Mas, é a coisa mais sensata ter um piano desse tamanho em um prédio de apartamentos como esse?

Para a maioria das pessoas, provavelmente não.

Mesmo sendo a minha profissão, seria possível realizar muita coisa com um piano menor. Mas o que agora está claro pra mim, era antes uma ideia insuportável: “Não fale mal do meu piano de cauda!”

Você vê então que coisa que é a nossa cabeça, né?

A gente põe uma ideia ali e depois para tirar é preciso realizar uma verdadeira cesariana cerebral, porque não sai de jeito nenhum.

Nem todo mundo que tem cachorro tem necessariamente um dogue alemão e mesmo assim é muito feliz com seu bichinho. 

É preciso ter um piano de cauda ou mesmo um piano vertical, para aprender, estudar e evoluir? 

É uma coisa maravilhosa sim, mas é claro que não é necessário!

Você pode começar com um teclado menor que se acomode melhor à sua circunstância e ao espaço que você tem.

Bom, dito isso, para terminar o email, não estou resistindo e preciso confessar: Meu piano de cauda não sai daqui, não, viu?!

Quer começar a aprender e já “por no bolso” uma coleção de peças que ficam bonitas tanto no piano quanto no teclado?

https://www.metodorealdepiano.com.br/zpe/