Há vários anos comecei a perceber uma coisa muito curiosa:
Nos dias em que eu não estudo piano, estou mais burro.
Eu não estou exagerando, não.
Minha cabeça não funciona igual. Parece que não está tudo aceso lá dentro.
É engraçado como o piano virou para mim uma necessidade não apenas psicológica, mas fisiológica. Como respirar, comer, dormir, ir ao banheiro e sei lá mais o quê.
Quando eu não toco, o meu dia é uma bagunça. Como se eu não tivesse tirado o lixo de casa, como se não tivesse escovado os dentes pela manhã.
O piano tem a capacidade de pôr em ordem absolutamente todas as outras coisas da minha vida. Se naquele dia eu estudei com boa concentração, pode estar caindo o mundo lá fora — eu sinto que estou no eixo.
Já me aconteceu de estar com um problema difícil, tocar piano por algumas horas — especialmente Bach — e aquele problema parecer menor. A solução geralmente aparece de forma bastante evidente.
Eu realmente acredito que o piano ativa alguma coisa dentro da cabeça da gente. Aperta uns parafusos.
Outra coisa que aprendi:
Pensava antes que, como o piano é o meu trabalho, domingo não é dia de tocar piano.
Tá errado trabalhar no domingo, afinal de contas.
Isso é verdade.
Mas o piano não precisa ser meu trabalho no domingo.
No domingo posso ir ao piano para sonhar. Tocar e ler coisas que não têm uma função prática, coisas que eu sinto que vão me alegrar, experimentar, curiosidades. É um contato com o piano que vai me engrandecer a alma.
Esse é um bom domingo ao piano.
Você já percebeu a diferença entre os dias que toca e os que não toca?
Passe a reparar, porque isso é um efeito típico do estudo do piano.
Ele nos faz maiores e mais inteligentes de fato.
Quer começar a sentir esse efeito na sua vida?




