Quando um iniciante vê uma ligadura que liga um Dó a outro Dó, ele somente precisa saber que basta segurar a tecla.
Ufa!
Fácil, não?!
Sim, isso está perfeito para o iniciante.
Agora, existe algo que para o iniciante é frescura, mas para outra fase não é:
Existe a intenção do compositor.
(pausa estratégica no assunto: na maioria das vezes que cito a frase ‘intenção do autor’, um gatilho é disparado na mente de certos indivíduos. Eles imaginam que estou falando em idolatrar o que está escrito ao nível da demência literal, algo jamais imaginado por ninguém que é músico de verdade. Como veremos aqui, não se trata disso)
Quando um intermediário vê essa ligadura, ele deve enxergar além.
Pois embora a realização técnica seja a mesmíssima (basta ‘segurar a tecla’) o compositor pode ter indicado ali uma respiração.
Não necessariamente um fim de frase.
Mas algo que marca uma mudança sutil.
Neste momento só consigo pensar na seguinte analogia:
Você encontra alguém pela manhã no elevador e diz…
‘– Bom dia! Como vai?’
‘Bom dia’ é uma coisa…
‘Como vai?’ é outra coisa…
Mas funcionam juntos num sentido só, embora isolados fossem diferentes.
E você não vai se sentir ofendido se a outra pessoa disser:
‘– Tudo bem! E com você?’
Bem, ela nem considerou que você disse ‘Bom dia’…
Mas tudo bem, pois a intenção foi chegar no ‘Como vai’.
Quando conseguimos captar esse tipo de intenção do compositor, podemos escolher a maneira de destacá-la. A falta disso trás aquela pesada sensação de som mecânico que alguns intermediários sentem, pois embora esteja tocando as notas certas, as transições ficam muito ‘chapadas’, como se fosse um desenho sem sombras.
Por isso chamamos as ligaduras de ‘articulação’:
Elas mostram como as ideias musicais se conectam.
Se você quer aprender a desenvolver sua técnica e a sensibilidade musical de forma organizada, conheça o ‘Do Zero à Pour Elise’ aqui:




