Outro dia, em algum vídeo do Youtube que comentava uma música, digamos, “avançada”…
Fiz a coisa mais temerária de todas:
Fui ler os comentários.
E aconteceu ali um pequeno debate que me apertou o peito.
Alguém comentava que estava preparando outra música também “avançada”, mas que estava preso no meio da música, não por causa de dificuldades com arpejos, ou saltos, ou trinados, ou qualquer dificuldade técnica, mas porque não sabia mais como conduzir a ‘dinâmica’ da música, e sentia que todas as suas tentativas deixavam a música com menos vida do que deveria.
(ele não usou a palavra ‘vida’, mas a ideia era essa)
Uns papagaios apenas dirão “siga a partitura”…
(embora não seja um conselho ruim)
Mas meu peito apertou justamente por entender a sensação.
E que, “seguir a partitura”, não é bem a solução.
Entre os poucos que responderam o comentário-desabafo, talvez a melhor sugestão tenha sido buscar alguma inspiração em outros pianistas.
(essa é a benção do youtube)
Ainda assim eu senti que isso não resolveria.
O que eu acho que resolveria?
Bem, eu não afirmo que REALMENTE resolveria…
Mas meu conselho, se eu conhecesse melhor a pessoa, seria bem exagerado:
“Abandona tudo”.
O quê?1?!
Largar o piano e ir pro Netflix?
Não, não…
Abandona o que foi feito com essa peça…
E comece tudo de novo.
Volta pro corpo dela.
Pega a partitura e vai conferir nota e ritmo outra vez.
Deixa um pouco que essas coisas básicas ditem o trabalho.
“– Mas, não acredito, jogar dias de dedicação fora?”
Bem, neste momento eu não saberia explicar senão dizendo que voltar pra esse básico, faria as ideias se renovarem…
Ou circularem…
Mais ou menos como abrir as portas e janelas de uma sala que ficou muito tempo fechada.
Já tive que fazer isso algumas vezes…
E não me arrependi.
Sim, ficou um pouco aquela sensação de tempo perdido…
Mas às vezes só nos resta mesmo engolir seco, respirar fundo, e tentar outra vez.
Se você quer entender como um adulto pode trabalhar o ‘corpo e a alma’ da música, então veja este vídeo aqui:




