Na primeira vez na minha vida em que fiz uma viagem internacional, fui para os Estados Unidos, Nova York.
Eu estava sonhando em estudar ali e queria conhecer as escolas de música da cidade. Cheguei ao hotel, deixei as malas e saí imediatamente para visitar a famosa Juilliard School.
Eita que chique!
Cheguei lá e pude entrar na escola sem problemas, fui passando pela segurança como se fosse um estudante dali.
Minha sensação era que eu não precisaria mais ser aceito na escola, eu a estava invadindo na marra. Dali não sairia.
Encontrei uma sala de estudo aberta com um piano dentro.
E o que um turista, que acabou de chegar em uma terra estranha, viajando pela primeira vez para mais longe, tipicamente faz?
Estuda piano, claro! Óbvio!
Pois me pus a tocar um pouco.
Não deu 10 minutos, bateu uma moça na porta e disse que precisaria de pianista para uma prova que iria acontecer imediatamente e perguntou se eu seria capaz de acompanhá-la, disse que me ouviu um pouco do outro lado e que eu soava bem.
Pronto! “Conquistei a América”, foi o que eu pensei.
Nem Cristóvão Colombo foi tão eficiente!
E não levou mais do que 10 minutos.
Que feito histórico!
Que gênio mesmo que eu sou!
Fui com a moça para a sua prova como se fosse um veterano da escola. Confiança máxima.
Não parei para pensar que eu deveria ler à primeira vista, na frente de um júri, sem prática nenhuma de acompanhar cantores e ler rápido desse jeito.
Achei que era um chamado divino.
O chamado não era Dele exatamente.
Li tudo errado.
Foi um desastre.
A menina chorando quando acabou a prova.
Saí dali e fui para o hotel… e não lembro de mais nada daquele dia.
Aprendi da pior forma possível o que nenhum professor me havia dito com tanta clareza.
Demorou anos para conseguir lembrar essa história sem ficar automaticamente deprimido.
Não se faz algo para o qual não se está preparado ao piano — para não falar em nada na vida.
Não se ponha a tocar coisas que você não absorveu muito bem.
Não se ponha em situações de exposição fazendo algo que você não fez inúmeras vezes sozinho e pelo menos algumas vezes diante de pessoas próximas.
Quer aprender sem colocar o carro na frente dos bois?

