Quando eu paro de corrigir

A coisa mais frequente em aulas de piano é corrigir notas erradas ou ritmo errado.

A correção é objetiva, nem sempre simples de executar, mas objetiva.

A segunda coisa mais frequente é corrigir acentuações erradas. O aluno está acentuando notas que não devem ser acentuadas, e a música acaba soando como alguém falando com as sílabas tônicas todas no lugar errado. Soa realmente estranho.

Depois desse estágio vem algo mais difícil.

As notas estão lá, o ritmo está lá, tudo está sendo tocado com clareza. Mas ainda falta entender qual sonoridade procurar, em que velocidade tudo deve caminhar, onde a música precisa respirar, onde ela precisa avançar, que ambiente ela deve criar. São detalhes pequenos que, juntos, fazem a diferença entre tocar as notas e fazer música.

E é aqui que o professor precisa tomar muito cuidado.

A maioria dos alunos precisa de orientação em cada um desses detalhes. Precisa de uma referência sonora para cada momento da peça. E o professor dá essa referência.

Mas existe um tipo de aluno diferente.

Às vezes nem toca tão bem do ponto de vista mecânico. Mas tem personalidade musical. Tem um jeito próprio de conduzir a frase, de respirar no momento certo, de dar peso onde ninguém esperava. A peça passa a soar como uma língua que ele fala, e faz sentido para quem está ouvindo.

Quando percebo isso em aula, minha pergunta muda completamente.

Deixo de me perguntar como corrigir e passo a me perguntar: como posso ajudar esse aluno a realizar exatamente o que ele está esboçando? Como posso ajudá-lo a ir mais fundo nisso, em vez de aparar as pontas?

Nesse momento, inclusive, deixo alguns detalhes em que o compositor contraria a intenção do aluno um pouco de lado. Ver uma personalidade musical nascer diante dos seus olhos é importante demais para ser interrompido por purismos.

A tarefa do professor não é só ajudar o aluno a trilhar o próprio caminho. É ajudá-lo a identificar que caminho é esse.

Se você está começando agora e quer construir esse caminho desde o início:

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Será que devo parar de tocar piano?

Não estou com ânimo para ir ao piano hoje.

Para falar a verdade, essa semana está fraca de estudo. Minha cabeça está em outras coisas, outras tarefas. A música parece algo tão distante agora.

Parece que, no fundo, nem gosto tanto assim de música. Parece que ela é algo que de vez em quando desperta certo interesse, mas depois ele desaparece, igual fumaça.

Mas eu fiz da música a minha atividade profissional. Tenho que lidar com ela de uma forma ou de outra todos os dias.

O que fazer agora, que neste momento não tenho vontade nenhuma de piano, nem de ouvir música nenhuma?

Preciso lembrar que esses momentos são ciclos perfeitamente normais e previsíveis.

E devo continuar estudando, pelo menos um pouco, para manter o motor girando. O que acontece é que no contato contínuo (mesmo que mais moderado num momento de baixa) você mantém o caminho aberto para o ciclo seguir. De repente descobre algo. De repente ouve algo. E isso dá uma recarga que dura dias, às vezes meses.

Depois o ciclo baixa novamente, e o processo todo se repete.

Qualquer coisa que a gente queira fazer com seriedade passa por isso.

O erro é abandonar no momento de baixa, achando que você havia se enganado ao querer aprender aquilo. A dificuldade está em lidar com os ciclos normais de interesse e desinteresse que qualquer atividade tem. É como qualquer trabalho, qualquer relação.

A gente precisa atravessar os momentos mais difíceis, porque é neles que se decide se algo vai ser construído ou não.

Quem quer colher frutos do piano precisa saber atravessar o deserto do dia a dia.

Se você está no começo dessa jornada e quer ter uma base para atravessar esses ciclos com mais segurança, talvez valha conhecer por onde começar:

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Antes de tocar, você já decidiu.

Você já parou para refletir sobre a altura do seu banco ao piano?

Talvez só um pouco?

Merece mais atenção.

Liszt sentava baixo. Gould ainda mais. Horowitz também. 

Não é preciso ficar elogiando o resultado que eles conseguiram.

O padrão ensinado nos conservatórios é outro. 

E muitos dos pianistas que seguem esse padrão também são extraordinários.

Então qual está certo?

A resposta tem a ver com física, com músculos, e com o tipo de som que cada um decidiu produzir.

No vídeo que eu subi ontem à noite eu mostro isso ao piano, e você ouve a diferença com os seus próprios ouvidos:

E se você está começando agora e quer construir uma base sólida desde o primeiro dia, pode começar por aqui:

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O típico ciclo do pianista amador

Você está estudando piano, na sua casa, sozinho.

O dia está calmo, você separou uma hora para estudar… tudo indo bem.

Você está decidido a consertar os problemas das peças que está aprendendo e começa a tocá-las.

Esbarrou uma nota aqui outra ali, mas tudo bem… Vamos em frente que atrás vem gente. Depois você vai olhar aquilo com calma.

Ai, ai, ai… Chegou um trecho difícil.

Saiu aquela bagunça.

“Mas vamos seguindo… que depois eu vejo isso com mais cuidado.”

Acabou a peça.

Você dá uma tocada no trecho difícil (aqueles erros do começo você até já esqueceu, é mixaria).

Toca com as mãos separadas e saiu uma vez certo devagar.

Aí você junta as mãos e continua não saindo.

“Não sei o que está acontecendo. Vou tocar outra coisa e depois estudo mais esse pedaço.” (claro.)

Chega o momento de tocar para alguém.

Você se prepara para tocar a peça que está estudando — afinal, já está tocando ela inteira. Está quase pronta! (com certeza.)

Começa a tocar, erra logo no início. Vem uma dúvida quanto às notas e você decide parar para recomeçar melhor. A pequena plateia, constituída de um ou dois amigos ou familiares, já está um pouco tensa e começou as suas orações para que você consiga retomar o fio da meada. Você toca mais um pouco até chegar aquele trecho — e o trecho, como por acaso, decide não sair. Então você para, pede desculpas e explica: “Não sei o que aconteceu. Tocar para os outros é difícil mesmo. A gente fica nervoso e acontece um monte de coisa.”

Será que a nossa vida ao piano é para ser assim?

Isso tem cura?

Se quiser sair desse ciclo e aprender como se estuda para ter peças realmente prontas:

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Simples não significa feio

Tem gente que começa a aprender piano e passa meses sem tocar nada que reconhece.

Exercícios de cinco notas. Escalas. Pecinhas pedagógicas inventadas para trabalhar tal dedilhado, tal posição. Música que não existe fora do livro de método.

Isso na verdade costuma ser o caminho de quase todos os métodos e cursos que existem.

O problema não é o exercício em si. O problema é quando o exercício vira o repertório inteiro de um iniciante, como se fosse natural que quem está começando precise se contentar com isso por um bom tempo.

Mas não há necessidade disso, não.

Existe uma diferença importante entre uma música ser simples e uma música ser sem graça. Uma música pode ter pouquíssimas notas, caber inteiramente numa oitava, usar o ritmo mais elementar que existe, e ainda assim ser linda. Reconhecível. Digna de ser tocada.

Há dois caminhos para isso: o primeiro são músicas que já nasceram simples e são belas assim, sem precisar de nada. O segundo são adaptações de obras conhecidas dos grandes mestres — Beethoven, Mozart, Bach, Chopin etc. — feitas de forma a preservar a essência da música, em uma versão que soa perfeita para piano e que está ao alcance de quem está começando agora.

O que muda no início do aprendizado é o nível de complexidade técnica que o aluno consegue executar. O que não precisa mudar é a qualidade do que ele toca.

Essa distinção é o coração de toda a minha abordagem com iniciantes. O aluno aprende por imitação — o professor mostra, o aluno reproduz. Mas o que ele imita importa tanto quanto o como ele imita.

Um repertório de iniciação bem construído tem que se utilizar de músicas acessíveis e conhecidas. Músicas que existem também fora do livro. Que as pessoas pedem para ouvir. Porque saber reconhecer a música e o quão bonita ela é te dá vontade de estudar para chegar no resultado final.

E o caminho no início do seu aprendizado não precisa ser longo nem desolado. Precisa ter passos acessíveis, com cada peça um pouco mais elaborada que a anterior — material simples, mas estimulante.

Se você quer começar a tocar piano e quer um caminho assim, posso te ajudar:

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O coringa da música

Você já ouviu falar de Anton Rubinstein?

Não estou falando do Arthur Rubinstein, mas do Anton.

Era provavelmente o maior pianista do século XIX. Liszt era mais famoso, mas quem o ouvia ao vivo dizia que Rubinstein era simplesmente outro nível. Rachmaninoff simplesmente o idolatrava.

Pois então, o Anton Rubinstein dizia algo famoso para os seus alunos:

“Você acha que o piano é um instrumento? São cem instrumentos.”

Com isso ele queria dizer o seguinte:

O piano é um instrumento “coringa”.

Como assim “coringa”?

Eu explico:

Ao contrário do violino, da flauta, do oboé, o piano não tem timbre dramático e marcante. Um violino chora por natureza. Uma trompa soa majestosa quase sem esforço. Já o piano coitado, por si só, não tem esse calor todo. Ele tende a ser frio, mecânico e percussivo. No fundo ele tem um som quase neutro.

Mas é aí que está o seu superpoder. Porque justamente o timbre neutro do piano é algo possível de ser moldado das mais diferentes formas pelo intérprete. Não à toa, ele carrega a fama de “rei dos instrumentos”.

Quem toca piano sem imaginação produz um som de “chuchu” — sem graça, uniforme, tedioso, opaco. Tecnicamente correto, mas musicalmente morto.

Agora, o sujeito que toca com imaginação encontra no piano uma massa de modelar perfeita. Um instrumento que pode ter mil faces, não apenas cem como disse o Rubinstein.

E o que é essa imaginação, exatamente?

É a capacidade de ouvir internamente o que você quer antes de tocar. Não são os dedos que decidem o som. É a nossa cabeça que escolhe o que quer, e os dedos obedecem. O pianista que ouve internamente um violoncelo numa melodia grave vai tocar de um jeito. O pianista que ouve uma voz humana vai tocar de outro. O que ouve uma orquestra inteira consegue fazer o instrumento respirar de formas que quem só “toca o piano” nunca vai alcançar.

Saber disso tem uma consequência prática que muda muito o jeito de estudar.

A maioria das pessoas pratica de fora para dentro: coloca os dedos no teclado e espera que o som apareça. Mas o processo correto é o inverso. Você precisa primeiro ter o som na cabeça, saber com exatidão o que quer ouvir, e só então tocar. Você gostaria de soar como um cantor? Como uma flauta? Como uma orquestra? Como um coral? É preciso imaginar antes de tocar. Os dedos são o último elo da cadeia, não o primeiro.

Talento musical verdadeiro é precisamente a capacidade de a música viver plenamente na mente antes de qualquer tecla ser pressionada. É assim que Mozart, aos seis anos, sentava ao piano e tocava como se já soubesse tudo. Porque, na cabeça dele, ele já sabia.

Para a maior parte dos adultos que aprende piano, essa ideia é uma revolução. Você está praticando a tocar, quando deveria estar praticando a ouvir mentalmente.

O instrumento não muda. O que muda é o que você escuta dentro de você antes de tocar.

Se quiser começar do começo, com método e orientação para desenvolver essa escuta desde a primeira nota:

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O piano tem dois limites

O piano tem dois limites e a maioria dos alunos nunca chegou perto de nenhum deles.

O primeiro é o limiar do silêncio.

O ponto em que a tecla é pressionada tão devagar e com tão pouca força que o martelo se move, mas não chega a tocar a corda.

Não sai nenhum som. Zero.

O segundo é o limiar do ruído.

O ponto em que se aplica força demais, velocidade demais, e o instrumento para de produzir tom e começa a produzir barulho.

Entre esses dois extremos estão todas as gradações possíveis do som ao piano.

O aluno que nunca explorou esses limites não conhece o instrumento que está tocando.

É como dirigir um carro a vida inteira sem saber onde fica o freio de mão e sem nunca ter acelerado até o fundo. Você pode andar. Mas não sabe do que a máquina é capaz.

E isso vale tanto para um piano acústico quanto para um digital, porque o digital foi construído para imitar exatamente esse comportamento. Os mesmos limites estão lá.

Então o que se deve fazer é um exercício simples: 

Escolha uma nota ou um acorde qualquer. Toque-o no limite do silêncio, tão suave que quase não sai som. Depois toque o mesmo no limite do forte, tão intenso que quase vira barulho.

Agora você sabe onde estão as paredes.

“Este é o meu instrumento, e eu sei até onde ele vai.”

A partir daí, pegue a música que está estudando. Identifique o ponto mais intenso e chegue perto do limite do forte, quase no barulho. Identifique o ponto mais suave e chegue perto do limite do leve, quase falhando.

Depois você pode ser menos radical e encontrar um caminho mais moderado entre os dois.

Mas sem passar pelo limite pelo menos uma vez, esse caminho vai ser sempre o caminho da monotonia sonora.

A coisa mais comum é o aluno achar que está tocando com contraste, que tem piano e forte na música, e na verdade está tudo soando igual.

Os limites nunca foram visitados, e sem essa referência o ouvido não tem como calibrar o que é realmente diferente.

Claro que tocar forte não é bater e tocar leve não é sumir.

Mas aprender a diferença começa por conhecer os extremos do instrumento.

Tudo isso faz parte de como eu ensino piano para iniciantes. Se quiser ver como funciona na prática:

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A peça que estava numa gaveta

Beethoven escreveu nove sinfonias.

Quartetos de cordas que mudaram a história da música ocidental.

Sonatas para piano que pianistas passam a vida inteira tentando dominar.

E a peça mais conhecida que ele deixou é uma que ele nem se deu ao trabalho de publicar.

A Pour Elise ficou numa gaveta.

Foi parar nas mãos de um musicólogo quarenta anos após a morte de Beethoven, que a publicou com base num manuscrito que depois desapareceu para sempre.

Não foi estreada num grande teatro.

Não foi dedicada a um rei.

Aliás, nem sabemos quem é a tal da Elise.

E hoje é, de longe, a música para piano mais conhecida de todos os tempos.

Existe um motivo para isso.

O tema principal oscila entre apenas duas notas — Mi e Ré sustenido — como se estivesse tateando um caminho a seguir.

Mas o caminho é encontrado e a música é doce e firme ao mesmo tempo.

Tudo isso acontece tão rápido, nos primeiros 15 segundos ou menos.

É tudo tão original e bem construído. Faz um sentido tão grande.

Essa parte inicial fica sempre reaparecendo na música.

Tem também uma parte brilhante, com uma enxurrada de notas que parecem uma alegria eufórica, quase fora de controle.

Tem uma parte escura, sombria, muito dramática.

Parece preparação para a cena mais importante de algum filme.

E no final, algo que soa como uma improvisação — livre e vistoso.

Tudo isso numa única peça pequena, despretensiosa, que ele deixou inacabada.

A Pour Elise contém toda a história da música dentro de si mesma.

É por isso que ela sobreviveu a tudo.

E é por isso que ela resume, quase que sozinha, o que o piano é capaz de fazer.

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Quando a prática não leva à perfeição

Nesse fim de semana eu e a Sarah estávamos andando pelas ruas de Bucareste e nos deparamos com um senhor que toca violino na rua.

Esse senhor está tocando violino ali há muito tempo.

Viemos para a Romênia no final de 2018, e ele já tocava na rua desde então. Provavelmente toca há ainda mais tempo do que isso.

O mais incrível é que ele toca sempre as mesmas músicas. Em torno de 4 ou 5 peças. Ele as repete por uma tarde inteira, ou um dia inteiro. Não faço ideia porque não fico ali ouvindo.

O problema é que ele toca muito mal.

É péssimo.

Desafinado demais, erra constantemente nos mesmos trechos. Não sei quem tem paciência de ouvi-lo. Se esse homem dependesse disso para viver, provavelmente não estaria mais entre nós.

Mas aí está o paradoxo:

Ele repete as mesmas músicas, exatamente as mesmas, por horas a fio, há anos, e toca mal.

O pior é que essa situação é muito comum entre estudantes de piano. Gente que toca há um tempão e que, na verdade, simplesmente cristalizou erros e vícios. Toca há anos, mas nunca aprendeu realmente a sair daquilo.

Quando alguém chega para mim e diz que já toca há muito tempo, infelizmente a figura desse senhor passa pela minha cabeça.

Porque não adianta tocar há muito tempo.

É preciso saber estudar.

Você pode ficar anos repetindo errado. A repetição sem estratégia não corrige nada. Só consolida a falha.

Para sair desse ciclo, você precisa de algo que o senhor do violino nunca teve: estratégia de estudo. Coragem para parar em um trecho difícil e não passar por cima dele. Paciência para estudar devagar o suficiente para enxergar onde está errando. E depois corrigir de verdade.

Tudo isso precisa de orientação cuidadosa.

Aí sim você evolui. E sente o que realmente importa: a alegria de fazer música. O sentimento de que está conseguindo, de que está se emocionando e assim podendo emocionar outras pessoas.

Se quiser começar com essa orientação desde o primeiro dia:

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O saco de pancada moderno

Todo mundo gosta de falar mal do livro Hanon — O Pianista Virtuoso.

Ele virou um verdadeiro saco de pancadas de todo professor moderno.

Sim, ele é um livro que trabalha a parte mecânica. Sim, é de forma dura e não musical. Sim, ele não é algo agradável de ouvir para quem está de fora.

Só que não é justo o que esse guerreiro está sofrendo.

A ideia de separar o treinamento mecânico na nossa prática vem sendo aplicada desde o século XIX e formou pianistas gigantes. Eu sempre tirei muito proveito do Hanon e sempre vi os alunos darem um enorme salto evolutivo depois de uma boa dose do nosso bode expiatório preferido.

Vocês sabiam que no Conservatório de Moscou, durante o período de formação do Rachmaninoff, o livro do Hanon era o principal trabalho técnico feito pelos pianistas? Quem chegasse no dia da prova e falhasse em tocar um exercício do Hanon, escolhido na hora, era reprovado automaticamente e não chegava nem a apresentar a música que tinha preparado.

Rachmaninoff, o pianista mais aclamado da história pelos próprios pianistas mais aclamados da história, foi formado tomando banho de Hanon dia e noite.

Lembro de uma vez, nos meus vinte anos, que substituí um professor russo, um grande pianista, durante algumas semanas para orientar seus alunos em Nova York. Naquela época eu tinha a posição de que não devemos praticar as coisas mecanicamente, e instruí os alunos a praticarem apenas exercícios extremamente musicais.

Quando o professor voltou de viagem e soube o que eu havia dito para os alunos, ele simplesmente riu.

Piano tem uma parte física que não se pode desconsiderar, e a maioria dos grandes pianistas a praticaram isoladamente. 

Não adianta chorar.

Se você quer construir essa base desde o início, com método e orientação:

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