Todo pianista sério tem alguns hábitos que nunca abre mão antes de começar.
Não são coisas sofisticadas. São simples, tão simples que um iniciante tende a ignorar por achar que não fazem diferença.
Fazem.
A primeira delas é, na verdade, uma coisa que ele não faz:
Ele não toca para os outros se não está preparado. Se não chegou perto do piano nos últimos dias, se não estudou aquelas peças com seriedade, não vai sair apostando que tudo vai dar certo. Geralmente não dá.
A segunda é prestar atenção na altura e na distância do banco em relação ao teclado.
Para um iniciante, isso parece detalhe sem importância. Mas existe uma sensação estranha que pode aparecer enquanto se toca, a impressão de que está mais difícil do que devia, que algo está desconfortável e você não consegue nomear o quê. Muitas vezes é a posição em que estamos em relação ao piano. Existe uma referência padrão, mas no fundo é algo bastante pessoal, e é preciso encontrá-la e mantê-la.
A terceira é experimentar o piano.
Pelo menos algumas notas, alguns acordes, só para sentir o peso das teclas, a velocidade com que voltam, o tipo de som que o instrumento tem em diferentes regiões. É um exame de “terreno”.
A quarta é imaginar a música antes de executá-la.
Não se começa sem ouvir internamente o início da música que se está para tocar. Você imagina o som, e depois reproduz o que imaginou. Sem isso, a música não parece estar carregada de sentido e de direção, não parece uma história sendo contada. Parece apenas um “blá-blá-blá” em forma de notas.
A quinta é não pedir desculpas por algo que não saiu bem.
Se não saiu bom, o pianista sente, talvez se entristeça um pouco. Mas não vai ficar se desculpando pelos erros diante de todo mundo. Isso só desvaloriza o que foi feito e chama atenção para coisas que muita gente talvez nem tivesse notado. Ele estava oferecendo algo, procurando fazer o melhor possível, e é um ser humano. Não se pede desculpas por isso.
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