Um homem estava observando seu piano, decidindo se estudaria ou não.
Do nada ele escutou uma voz que disse:
“– Venha! Vou lhe mostrar os modos de estudar errado este instrumento!”
O homem se levantou e seguiu a voz.
A voz o guiou até uma floresta onde um jovem cortava lenha, formando uma grande pilha. A pilha realmente estava grande, encaixada cuidadosamente em um carrinho-de-mão. Logo o jovem largou seu machado e com toda a força possível, tentou levantar e empurrar o carrinho. O trabalho foi em vão, o carrinho sequer saiu do lugar.
Mas, ao invés de aliviar a carga, o jovem cortou mais lenha.
E deixou a pilha ainda maior.
A voz então conduziu o homem um pouco mais à frente.
Ali ele viu um pequeno lago.
Nas margens uma mulher tirava um pouco de água do lago e colocava em um vaso rachado.
Ela despejava água e a água saia toda pelos buracos do vaso.
Então a voz disse:
“– Venha! Vou lhe mostrar mais uma coisa!”
Então o homem foi conduzido até a frente de um castelo imenso e magnífico.
Acontece que a porta de entrada deste castelo era bem estreita.
E nessa porta dois homens montados a cavalos tentavam passar ao mesmo tempo.
Nenhum deles iria recuar, então nenhum deles jamais conseguiria entrar.
Como não aguentava mais de curiosidade, o homem perguntou:
“– O que esses três eventos tem a ver com o estudo de piano?”
E a voz respondeu:
“– O jovem que cortava e empilhava lenha é aquele que estuda de qualquer jeito. Ele vai até o piano, segue exercícios, lições, métodos, mas não consegue sair do lugar porque não tem objetivo e nem tenta entender como fazer pra obter o resultado. Simplesmente faz por fazer.”
A voz continuou:
“– A mulher no lago é como aquele estudante que não tem disciplina. Só vai até o instrumento uma vez na vida e outra na morte. Assim fica impossível de desenvolver as habilidades. Tudo o que podia ser aprendido é perdido por falta de continuidade.”
“– E os dois homens no castelo?”, perguntou o homem.
E a voz:
“– Esses dois homens representam duas forças internas: teimosia e afobação. A primeira nunca dá ouvidos às lições e está sempre procurando um pulo do gato, uma artimanha, algum atalho tosco. A segunda força quer tudo pra ontem, não está disposta a fazer as coisas com seriedade e quer chegar no destino sem percorrer o caminho. O estudante vê o mundo musical a sua frente (o castelo), mas não consegue usufruir por teimosia e afobação.”
(Nota: Se você é um estudante intermediário de piano e sente que está empacado no aprendizado, faça seu cadastro pra receber o conteúdo Como Criar Exercícios Para Piano! Cadastre-se aqui.)



