O pianista e a maquiagem
É impressionante como a nossa impressão de nós mesmos é falha.
No piano isso se reflete de uma maneira muito evidente.
A coisa mais comum que acontece com um iniciante é achar que está tocando com expressividade quando na verdade está tocando igual à voz do Google fazendo uma declaração de amor.
O professor diz que determinado trecho é para ser tocado forte e o aluno pode jurar que está tocando forte o suficiente no momento indicado.
O professor diz que aquela outra parte é bem leve e o aluno acredita que está fazendo leve o suficiente também.
Eu também sempre sofri disso e lembro de uma vez levar uns empurrões nas costas de um professor me indicando para tocar mais forte.
Foi uma cena muito engraçada.
Eu havia me separado de uma namorada e estava todo triste e, sabendo disso, enquanto eu tocava, o professor me dava empurrões e proferia “elogios” à moça para ver se a minha ira ajudava a conseguir de fato tocar forte tanto quanto era necessário naquele trecho.
A verdade é que para quem está tocando, o forte e o leve estão bastante aparentes. Mas para quem está de fora — e especialmente para quem está a uma certa distância do instrumento — está tudo soando igual.
Outro grande professor dizia que as diferenças de intensidade para o músico eram igual à maquiagem para o ator.
Se você já foi a uma peça de teatro, ao olhar um ator no palco tem a impressão de que ele não está usando maquiagem nenhuma no rosto, parece estar natural.
Mas se por acaso tivermos a oportunidade de ver esse mesmo ator de perto, após a peça, vamos notar que ele estava todo maquiado — de maneira até exagerada. Tudo isso para, do palco, passar simplesmente uma imagem de algo vivo.
O aluno de piano precisa desde o início ir se acostumando a fazer o forte e o piano (leve) bem diferentes e até um pouco extremos, para poder aos poucos ir limpando e chegar na medida certa. Mas o melhor é começar com uma generosidade na dose.
Quer começar a aprender já entendendo como a sua música ganha vida de fato?
O presente que eu nunca recebi
Tenho me deparado com muitos vídeos de crianças identificando notas no segundo em que ouvem. E tem um cantor e compositor americano chamado Charlie Puth que identifica a nota de qualquer barulho aleatório: porta batendo, buzina de carro, o que for.
Isso se chama ouvido absoluto.
É a capacidade de ouvir um som e saber imediatamente o nome da nota, sem precisar de nenhuma referência.
Da mesma forma que você olha para o céu e sabe que é azul sem comparar com nada, quem tem ouvido absoluto ouve um Dó e simplesmente sabe que é um Dó.
Tenho duas alunas que têm isso. É impressionante de verdade.
Claro que é uma vantagem enorme. Muita gente tenta amenizar dizendo que não tem relação com a sensibilidade musical real da pessoa — e isso é verdade — mas não dá para negar que é um presente e tanto.
Um presente que nós, reles mortais, não recebemos.
O que nos resta?
Trabalhar o ouvido relativo: a partir de uma nota dada, identifico as outras por saber como soam os intervalos.
Um truque clássico é associar cada intervalo ao início de uma música conhecida. O hino nacional brasileiro começa com uma quarta justa. Então se quero saber como ela soa, canto mentalmente o hino e a nota aparece na cabeça.
Mas por que estou falando sobre isso?
Porque não é por você não ter uma condição especial que você não pode aprender da mesma forma.
Seu gosto, sua imaginação, seu discernimento do que vai emocionar quem está te ouvindo, não vem no pacote do ouvido absoluto. E pode ser sempre desenvolvido.
Não deixe que um aparente obstáculo te impeça da riqueza que é tocar piano.
Nunca se esqueça de que o compositor mais marcante do século XX, Igor Stravinsky, não tinha ouvido absoluto.
Se quiser começar agora mesmo, sem depender de nenhuma facilidade que não seja ter um cérebro funcionando e cinco dedos em cada mão:
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Tem uma música na sua cabeça agora?
Músicas grudam na cabeça.
Não todas da mesma forma, mas qualquer pessoa já passou pela experiência de ficar com uma melodia tocando na sua cabeça e perceber que ela simplesmente não vai embora.
Música porcaria tem um poder especial nesse caso. Ela invade a sua cabeça como uma espécie de ladrão. Num ponto em que eu talvez já nem diria que ela ficou gravada na sua memória. Diria que é um caso de possessão demoníaca mesmo.
A minha tática para os casos mais graves é: não tente suprimir. Não funciona. Nada se destrói, é preciso substituir. Melhor ficar cantarolando uma música boa até a outra ir embora.
Funciona sempre!
Mas às vezes a música que está na cabeça é linda mesmo.
Certa manhã acordei com uma sinfonia de Brahms tocando na cabeça. Fui tomar banho, ela continuava. Li uma notícia, ela continuava. Quando fui fazer o café, percebi que havia passado para o segundo movimento. Ela tinha tocado de forma contínua, sem que eu tivesse feito absolutamente nada para isso.
Isso mostra bem como a nossa cabeça funciona.
Quando você está aprendendo a tocar, o mesmo processo acontece. A cabeça continua trabalhando naquilo que você viu, mesmo longe do piano. Ela vai digerindo, organizando, consolidando — sem que você perceba e sem que precise fazer nada.
O problema é que ela não distingue o que é bom do que é ruim. Ela cristaliza o que foi repetido.
Se a orientação foi correta, o que vai se solidificar será um patrimônio para a vida toda. Se não foi, o que vai se solidificar é um vício — e vício musical é das coisas mais difíceis de desfazer, porque está gravado fundo, automatizado, e parece certo mesmo quando não é.
Se quiser aprender de forma limpa e entender como evitar que vícios se instalem antes mesmo de aparecerem:
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Cinco toneladas e meia
Elefantes de circo pesam em torno de cinco toneladas e meia. Isso mesmo: cinco toneladas e meia!
E ficam parados, presos por uma corrente fininha amarrada numa estaca de madeira fincada no chão.
Isso não faz o menor sentido físico.
Com um movimento de pata, qualquer um desses animais arrancaria a estaca, a corrente e provavelmente levaria a tenda do circo junto.
Mas eles não fazem isso.
Por quê?
Porque quando eram filhotes, essa mesma corrente era suficiente para segurá-los. Tentaram, tentaram, tentaram escapar. Não conseguiram. Machucaram a pata. Aprenderam que era inútil.
E nunca mais esqueceram.
Cresceram. Ficaram enormes. Mas a memória da corrente ficou maior do que a corrente em si.
Você já ouviu a expressão “memória de elefante”, não? Pois parece que eles não se esquecem nunca mesmo. Locais onde foram maltratados, pessoas que os machucaram — fica tudo guardado.
O elefante adulto continua se comportando como se a corrente da infância ainda fosse capaz de segurá-lo.
Mas nós também somos um pouco assim, um pouco elefantes.
Algumas coisas a gente não esquece mais.
Às vezes foi uma experiência real: a aula que não fez sentido, o professor que te deixou sem rumo, a sensação de que todo mundo progredia menos você.
Mas às vezes a corrente nunca chegou a ser testada. Alguém simplesmente te disse como as coisas são e você acreditou.
“Piano é coisa de quem começa criança.” “Você precisa ter talento para isso.” “Depois de certa idade o cérebro já não aprende mais.” “Não tenho jeito para música.”
Não importa de onde veio. A crença ficou. E passou a parecer um fato.
Mas não é.
A dificuldade, na maioria dos casos, estava em um método mal aplicado, na falta de orientação adequada ou em uma crença que alguém plantou cedo demais.
O elefante não era fraco. Era filhote. Estava sujeito a qualquer correntinha.
Depois que cresceu, nunca ninguém chegou perto dele e mostrou que a corrente era fina demais para ele — e que com a orientação certa ela se desfaz.
Uma boa orientação é o empurrão que faz o elefante testar a corrente pela primeira vez de verdade. Alguém que chega perto e diz: tenta. E o elefante tenta. E a estaca sai.
Será que você já testou se essa corrente ainda tem força para te prender?
Se você sente que chegou a hora de experimentar, o caminho começa aqui:
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A biblioteca que nunca li
Tenho no computador uma coleção impressionante de PDFs.
(não vou falar sobre os livros que compro neste post porque estou com vergonha)
Música, filosofia, história, religião, biografias, uns três livros sobre culinária japonesa que não sei bem como foram parar ali e sabe-se lá mais o quê.
Cada um deles foi baixado num momento de entusiasmo total. Eu li o título, li a sinopse, pensei “preciso ler isso” e cliquei em baixar com a satisfação de quem já leu.
Muitas vezes o livro baixado me deu um trabalhão doido para conseguir.
A sensação de baixar um livro é muito boa.
Parece que você já deu o passo e que o conhecimento está ali, ao seu alcance, praticamente seu. A distância entre baixar e ler parece pequena demais para se preocupar com ela agora.
Só que essa distância a gente sabe bem que é um abismo.
No piano acontece a mesma coisa, obviamente.
A pessoa encontra uma peça que a emociona. Salva a partitura. Assiste um vídeo explicando como tocar. Talvez até compre um curso. E sente, honestamente, que começou.
Mas sentar, estudar aquela passagem difícil, repetir lentamente, errar, corrigir, voltar ao começo… isso não tem a mesma sensação boa de baixar o arquivo.
Isso é o livro aberto na página um.
E a maioria das partituras salvas, ou dos cursos iniciados, tem a tendência de não passar desse ponto. Ficam pairando numa espécie de sonho esquecido e postergado.
Falta de consistência é o maior problema que todo mundo enfrenta em qualquer empreendimento na vida.
Mas existem coisas que um professor pode transmitir e que ajudam a ser mais consistente: começando por saber exatamente o que você tem que fazer e não se sentir perdido para continuar algo que começou.
Se você quer aprender a tocar através de um método que te faça passar naturalmente da página um:
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Conquistei a América e fiz uma menina chorar
Na primeira vez na minha vida em que fiz uma viagem internacional, fui para os Estados Unidos, Nova York.
Eu estava sonhando em estudar ali e queria conhecer as escolas de música da cidade. Cheguei ao hotel, deixei as malas e saí imediatamente para visitar a famosa Juilliard School.
Eita que chique!
Cheguei lá e pude entrar na escola sem problemas, fui passando pela segurança como se fosse um estudante dali.
Minha sensação era que eu não precisaria mais ser aceito na escola, eu a estava invadindo na marra. Dali não sairia.
Encontrei uma sala de estudo aberta com um piano dentro.
E o que um turista, que acabou de chegar em uma terra estranha, viajando pela primeira vez para mais longe, tipicamente faz?
Estuda piano, claro! Óbvio!
Pois me pus a tocar um pouco.
Não deu 10 minutos, bateu uma moça na porta e disse que precisaria de pianista para uma prova que iria acontecer imediatamente e perguntou se eu seria capaz de acompanhá-la, disse que me ouviu um pouco do outro lado e que eu soava bem.
Pronto! “Conquistei a América”, foi o que eu pensei.
Nem Cristóvão Colombo foi tão eficiente!
E não levou mais do que 10 minutos.
Que feito histórico!
Que gênio mesmo que eu sou!
Fui com a moça para a sua prova como se fosse um veterano da escola. Confiança máxima.
Não parei para pensar que eu deveria ler à primeira vista, na frente de um júri, sem prática nenhuma de acompanhar cantores e ler rápido desse jeito.
Achei que era um chamado divino.
O chamado não era Dele exatamente.
Li tudo errado.
Foi um desastre.
A menina chorando quando acabou a prova.
Saí dali e fui para o hotel… e não lembro de mais nada daquele dia.
Aprendi da pior forma possível o que nenhum professor me havia dito com tanta clareza.
Demorou anos para conseguir lembrar essa história sem ficar automaticamente deprimido.
Não se faz algo para o qual não se está preparado ao piano — para não falar em nada na vida.
Não se ponha a tocar coisas que você não absorveu muito bem.
Não se ponha em situações de exposição fazendo algo que você não fez inúmeras vezes sozinho e pelo menos algumas vezes diante de pessoas próximas.
Quer aprender sem colocar o carro na frente dos bois?
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Música verde não dá!
Existe um erro que aparece em 99,93% dos alunos de piano. Do iniciante até o avançado.
Não importa há quanto tempo está tocando.
Ele aparece assim:
A pessoa aprende mais ou menos as notas da peça.
Entende o ritmo de maneira geral.
E aí… vruuuummm… sai acelerando tudo.
Quer tocar no andamento “de verdade”. No andamento do YouTube, do Spotify, da gravação que ela tanto admira.
E eu entendo.
Quando você ouve uma música e ela te arrepia, o que você quer é reproduzir exatamente aquilo. Aquela velocidade, aquela fluidez, aquele impacto. A gente não vê a hora de sentir esse resultado saindo de nós mesmos.
E o pior é que todo mundo já sabe: TEM QUE ESTUDAR DEVAGAR! Mas ninguém se aguenta.
O problema é que música é igual fruta:
Não dá pra comer verde, “ripeness is all”.
E aí fica todo mundo preocupado em conseguir tocar rápido achando que tem algum problema com velocidade de maneira geral ao piano.
Só que não existe isso.
Velocidade é a consequência de um hábito repetido lento muitas vezes.
Sempre o que é para ser tocado rápido é um tipo de padrão repetitivo porque não seria possível tocar rápido algo que é aleatório e não obedece um padrão.
Portanto, vou aqui insistir mais uma vez:
O segredo para tocar rápido é tocar lentamente, muito bem, muitas vezes.
Quer aprender de uma forma que a velocidade aparece naturalmente, se você seguir os passos indicados?
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O problema da primeira impressão
Por acaso você sai de um filme de guerra querendo jogar bomba nos outros?
Quando somos crianças, a reação costuma ser quase essa.
Eu me lembro de sair de Karate Kid repetindo em casa os movimentos do Sr. Miyagi, como se fosse precisar me defender de alguém a qualquer momento.
Isso é natural. É a primeira camada de contato com uma narrativa: se imaginar ali dentro e viver o que ela propõe.
Mas existe um outro nível de percepção, e muitas vezes ele é tão ou mais interessante do que a própria história.
Estou falando da harmonia interna da obra. Da coerência do que está sendo mostrado. Da maneira como as partes se organizam. Da pergunta mais profunda: isso tudo faz sentido por dentro?
No caso de um filme, por exemplo, você pode observar se a história avança de modo compreensível ou se tudo parece apenas confuso. E, se parece confuso, é um caos que instiga ou um caos que incomoda? Os atores convencem ou parecem apenas exagerar o tempo todo? As cores ajudam a formar uma unidade ou estão ali sem função clara?
Poderíamos listar muitas coisas.
E eu sei que isso parece papo de crítico ou de especialista.
Mas na verdade é um assunto que deveria ser muito mais comum.
É assunto de alguém atento. De alguém presente. De alguém capaz de perceber que uma obra não se reduz ao seu impacto mais imediato.
Na música, isso acontece o tempo todo.
Às vezes a pessoa ouve algo triste e para ali. Como se essa primeira impressão já esgotasse a experiência. Mas justamente atrás dessa aparência inicial existe outra coisa, muitas vezes mais rica.
Uma peça de Chopin pode soar melancólica, mas por trás dessa melancolia existe nobreza. Existe proporção. Existe inteligência na condução das ideias. Existe sensibilidade na escolha do acorde certo, no momento certo.
A apreciação artística verdadeira inclui tudo isso.
Não basta ficar apenas na primeira camada e tratá-la como se fosse a obra inteira.
Seria como julgar uma pessoa apenas pela aparência, ignorando a unidade viva de tudo o que ela é.
Uma grande obra de arte nunca se revela por completo numa percepção primária.
Ela pede mais presença.
E também recompensa isso.
Quer aprender tendo acesso às diversas camadas do que está tocando?
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IA X professores de piano
Minha avó paterna foi uma pessoa muito importante para toda a família. Todo mundo se unia em torno dela e sua maneira de ser e seu senso de humor, tipicamente italiano, ensinavam e divertiam ao mesmo tempo.
Uma vez por ano ela fazia um prato que acabou virando uma tradição familiar: um polvo ao molho de tomate.
Não vou aqui passar a receita porque é segredo controlado pela CIA e pela NASA, mas só posso dizer que era algo fora deste mundo.
Depois que ela faleceu, outros familiares procuraram reproduzir o polvo dela, com relativo sucesso (destaque para a minha mãe aqui). Mas não é a mesma coisa.
Minha avó se adaptava de acordo com os ingredientes e a receita passava por sutis alterações para que mantivesse o seu objetivo.
Hoje existe muita tecnologia e talvez a IA pudesse me ajudar a reproduzir o polvo que minha avó fazia.
Dá para a IA listar os ingredientes?
Claro!
Dá para a IA organizar as ações de acordo com a quantidade de comida e o número de pessoas que vão comer?
Com certeza!
E isso consegue reproduzir o que minha avó fazia?
Não.
E por que não?
Porque um ser humano tem a capacidade de observar sua situação concreta e readaptar seus meios para que correspondam à realidade. O ser humano pode perceber a verdade de algo.
Minha avó reconstruía a sua receita a cada passo de acordo com a resposta do próprio polvo.
Ela se adaptava à “verdade” que o polvo contava a cada momento para ela.
Tá! Mas e no caso do professor de piano?
Tudo aquilo que está escrito na partitura, a IA pode ser capaz de te descrever e até dar sugestões de caminho para praticar.
Mas tem uma coisa que a IA não vai fazer nunca.
O que ela não consegue fazer é te ensinar a perceber.
Um professor que passou anos tocando não te diz só o que corrigir — ele te desenvolve o ouvido para que você mesmo identifique quando algo está no lugar certo e quando não está. Isso é o que separa quem depende eternamente de instruções de quem começa a se conduzir sozinho.
Em suma, a IA não te ensina a sentir o que está acontecendo e ressignificar o caminho para atingir o mesmo fim. Ela não percebe a verdade. Ela só repete.
Só repetir não basta.
Para fazer um bom polvo com molho de tomate é preciso aprender a perceber a realidade.
Da mesma forma, é preciso aprender a perceber a realidade para tocar piano.
Se quiser aprender com assistência pessoal minha, mandando seus vídeos por WhatsApp sempre que quiser:
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O dogue alemão e a iluminação da consciência
Na última vez que nos mudamos, há mais ou menos um ano, foi necessário contratar um serviço de transporte para o piano – porque aqui eu tenho um Bechstein de meia cauda que pesa meia tonelada.
Transportar esse piano é sempre uma novela. Mas até que essa vez foi mais simples do que outras.
Equipe de transporte profissional mesmo.
Os caras empacotaram o meu piano mais rápido do que eu mesmo me empacotei para sair na rua no meio da neve que estava aqui em Bucareste.
Lembrei de quando consegui ter meu primeiro piano de cauda.
Foi tanta alegria que prometi para mim mesmo que nunca mais teria um piano que não fosse de cauda.
O piano de cauda tem muitas diferenças em relação ao piano vertical e uma das que mais fazem diferença para o pianista é a velocidade maior com que as teclas voltam para cima depois que você as soltou.
É uma sensação muito boa, uma sensação de agilidade, de liberdade.
Então vim pra cá com meu piano grande e ele entrou fácil no quarto onde está. Não cabe mais muita coisa no quarto além do piano, eu e a minha esposa (que é quem filma os vídeos que faço).
Depois de alguns dias da nossa mudança para cá eu estava ali na entrada do prédio aguardando um uber e vi chegando uma senhora, uma vizinha daqui do prédio. Ela estava acompanhada de seu delicado cachorro, que parecia ser um cruzamento de dogue alemão com tiranossauro rex. Era realmente um cachorro quase girafa.
Eu olhei para aquela senhora acompanhada do seu gigante e pensei: “Mas veja só… como é que pode um negócio desses?… Neste prédio?… Os apartamentos têm tamanho médio e alguns até pequeno…que loucura é essa?!”
De repente me veio a iluminação:
Aquela senhora era eu e o dogue alemão, o meu piano.
Ter um piano de cauda é uma maravilha de fato. Não me entenda mal. Mas, é a coisa mais sensata ter um piano desse tamanho em um prédio de apartamentos como esse?
Para a maioria das pessoas, provavelmente não.
Mesmo sendo a minha profissão, seria possível realizar muita coisa com um piano menor. Mas o que agora está claro pra mim, era antes uma ideia insuportável: “Não fale mal do meu piano de cauda!”
Você vê então que coisa que é a nossa cabeça, né?
A gente põe uma ideia ali e depois para tirar é preciso realizar uma verdadeira cesariana cerebral, porque não sai de jeito nenhum.
Nem todo mundo que tem cachorro tem necessariamente um dogue alemão e mesmo assim é muito feliz com seu bichinho.
É preciso ter um piano de cauda ou mesmo um piano vertical, para aprender, estudar e evoluir?
É uma coisa maravilhosa sim, mas é claro que não é necessário!
Você pode começar com um teclado menor que se acomode melhor à sua circunstância e ao espaço que você tem.
Bom, dito isso, para terminar o email, não estou resistindo e preciso confessar: Meu piano de cauda não sai daqui, não, viu?!
Quer começar a aprender e já “por no bolso” uma coleção de peças que ficam bonitas tanto no piano quanto no teclado?
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